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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Avança plano mundial para desenvolvimento em harmonia com a natureza

por Bráulio Ferreira de Souza Dias*
palmyra Avança plano mundial para desenvolvimento em harmonia com a natureza
Ecossistemas de arrecifes de coral no Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Atol de Palmyra. Foto: Jim Maragos/U.S. Fish and Wildlife Service
Montreal, Canadá, 3/10/2014 – A comunidade internacional se comprometeu com futuras gerações em 2010, quando adotou, na cidade japonesa de Nagoya, o Plano Estratégico para a Diversidade Biológica (2011-2020) e as 20 Metas de Aichi para conservação da biodiversidade.
Desta maneira, os Estados reconheceram que a biodiversidade não é um problema, mas uma fonte de soluções para os desafios do século 21, como a mudança climática, a segurança alimentar e da água, a saúde, a redução do risco de desastres e a mitigação da pobreza.
Ao adotar esta ação, os países reconhecem afirmativamente que a biodiversidade é essencial para o desenvolvimento sustentável e a base para o bem-estar humano.
O Plano Estratégico para a Diversidade e suas metas de Aichi são um marco de referência para que o mundo alcance a visão dos seres humanos que vivem em harmonia com a natureza.
Se isso for alcançado, em meados deste século desfrutaremos do bem-estar econômico e social, ao mesmo tempo em que conservaremos e usaremos de modo sustentável a biodiversidade que mantém nosso planeta saudável e oferece os benefícios que são essenciais para todos nós.
Isso está ao nosso alcance. E se tivermos êxito, garantiremos que, até o final desta década, os ecossistemas do mundo sejam resistentes e continuem contribuindo com nosso bem-estar e a erradicação da pobreza, que freia as aspirações humanas. As Metas de Aichi têm a ver com a adoção imediata de medidas para o benefício de nosso futuro coletivo.
Nos aproximamos da metade do caminho da década que a Organização das Nações Unidas (ONU) dedicou à biodiversidade. Os governos do mundo se reunirão em Pyeongchang, na Coreia do Sul, entre os dias 6 e 17 deste mês, nas 12ª Conferência das Partes (COP 12) do Convênio sobre Diversidade Biológica, onde será apresentada e revista a Perspectiva Mundial sobre a Diversidade Biológica 4 (GBO4), a última avaliação mundial do estado da biodiversidade.
A boa notícia é que os países e a sociedade civil organizada estão avançando e adotam compromissos concretos para colocar em prática as Metas de Aichi. Esses esforços nos levam na direção certa.
Entretanto, muitas das metas exigirão consideráveis esforços adicionais.
Os sistemas de apoio vital de nosso planeta recebem a pressão adicional do crescimento demográfico, da mudança climática, da degradação da terra, da superexploração das espécies e da propagação de espécies exóticas invasoras.
Serão necessários esforços adicionais para superar esses problemas, que são obra humana. Que tipo de ações devem ser adotadas?
Agora sabemos que a verdadeira mudança não surge de fórmulas mágicas, mas daquelas estratégias que abordam simultaneamente as múltiplas causas subjacentes da perda de biodiversidade, como os subsídios que incentivam a superexploração, a perda de habitat, a mudança climática e a ineficácia na agricultura, enquanto são abordadas as pressões diretas sobre os sistemas naturais.
Existe uma crescente necessidade de desenvolver ações estratégicas e sustentáveis para lidar com as causas subjacentes e imediatas da perda de biodiversidade de uma maneira coordenada. É preciso incorporar a diversidade biológica nas políticas e ações, além dos setores que se centram na conservação.
Em Pyeongchang os governos terão que assumir compromissos adicionais para garantir que suas ações sejam eficazes e consigam os resultados desejados. Deverão chegar a um acordo para mobilizar suficientes recursos financeiros e humanos que apoiem essas medidas, com um substancial aumento dos esforços atuais.
As ações necessárias para superar a perda de biodiversidade e a erosão contínua de nossos sistemas naturais de apoio da vida natural são diversas: integração dos valores da diversidade biológica, as exorbitantes contas e as políticas nacionais, as mudanças nos incentivos econômicos, aplicação de normas e regulamentos, participação plena e ativa das populações indígenas e locais e o compromisso do setor empresarial. Será preciso acordar e buscar a colaboração em todos os níveis.
Na COP 12, espaços como o Fórum de Negócios, a Cúpula de Cidades e Governos Subnacionais e as reuniões dos Defensores da Biodiversidade ajudarão a construir as redes e as alianças necessárias para concretizar isso.
Essas ações de trabalho de longo prazo levam tempo para produzir resultados mensuráveis. É necessária a ação direta para conservar as espécies e os ecossistemas mais ameaçados. Portanto, teremos que continuar trabalhando no estabelecimento de áreas protegidas e na ampliação de redes de áreas terrestres e marinhas. Teremos que trabalhar com outros sócios para salvar as espécies em maior perigo. Precisaremos de um esforço urgente para a proteção dos arrecifes de coral.
É possível e necessário fortalecer nossos esforços imediatos e de longo prazo mediante a compreensão dos vínculos fundamentais que existem entre a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.
As medições necessárias para atingir as Metas de Aichi também apoiarão a agenda de desenvolvimento pós-2015, e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) atualmente em discussão na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Desta forma, o cumprimento das Metas de Aichi ajudará a conseguir os objetivos de maior segurança alimentar, populações mais saudáveis e melhor acesso à água potável e à energia sustentável para todos. A aplicação do Plano Estratégico para a Diversidade Biológica 2011-2020 significa a implantação imediata de nossa estratégia de desenvolvimento sustentável.
Isso se vê refletido no tema da sessão de alto nível da próxima semana na Coreia do Sul. Durante dois dias, mais de cem ministros e representantes de alto nível debaterão sobre a “biodiversidade para o desenvolvimento sustentável”.
Na escolha deste tema, o governo sul-coreano deixou claro que devemos continuar com nossos esforços para conseguir não apenas a missão do Plano Estratégico, mas também os objetivos sociais, econômicos e ambientais do desenvolvimento sustentável e alcançar o bem-estar humano em harmonia com a natureza. Envolverde/IPS
 
 
* Bráulio Ferreira de Souza Dias é secretário-executivo do Convênio sobre a Diversidade Biológica. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a opinião da IPS, nem podem ser atribuídas a ela.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

As Vantagens Comparativas do Brasil: Rumo ao Desenvolvimento Sustentável?

Acredito em nossa força de inovação privada para gerar, a custos mais baixos que a esmagadora maioria das nações, os produtos e serviços necessários à uma nova economia. Creio ter chegado a hora de provar que não estamos fadados a repetir nossos passos no século 16 e ficarmos, novamente, aquém de nosso potencial, desperdiçando nossas invejáveis vantagens comparativas.
Henrique Lian
Instituto Ethos
 
Zion PhotoGráfico/Creative Commons/Flickr
Se pudéssemos resumir a obra fundadora da moderna ciência econômica, A Riqueza das Nações (1776), do professor escocês de filosofia moral, Adam Smith, diríamos tratar-se de uma grande análise sobre os diferenciais competitivos entre as nações e uma apologia para que cada nação se concentre na produção de produtos para os quais possua nítidos diferenciais competitivos, importando todos os demais produtos. Esse foi o pontapé inicial da economia clássica, uma reflexão sobre o comércio internacional e sobre como qualquer nação pode atingir o crescimento, concentrando-se naquilo que é capaz de produzir melhor e mais barato, os dois consagrados direcionadores da vantagem competitiva.
Trazendo a discussão para um momento histórico mais próximo de nós, lembremos que a obra fundadora do pensamento e da reputação de Michael Porter, guru da gestão empresarial, é o livro The Competitive Advantadge of Nations, traduzido em doze idiomas. O trabalho do professor Porter, sobre como as nações criam prosperidade e a sustentam, traz como diferencial teórico a análise das causas da competividade a partir dos fatores de produtividade em um ambiente de competição empresarial, introduzindo, também, o conceito de clusters, ou seja, grupo de empresas/indústrias afins e complementares, interconectadas em determinados locais. Entre um marco teórico e outro, milhares de textos foram escritos sobre esse tema, dos papers de David Ricardo aos estudos de autores da chamada Escola Austríaca, como o de Israel Kirzner (Competição e Atividade Empresarial).

Imaginando, por mero exercício, talvez mais moral que intelectual, como aplicar um pouco dessa construção teórica ao caso do Brasil, observo que desde o século 16 não apresentamos tantas vantagens comparativas1 na ordem econômica global. Explico-me: naquele século, não casualmente o do nosso "descobrimento", possuíamos um conjunto de ativos que era o sonho do mundo desenvolvido de então. Estes eram metais preciosos, como ouro e prata, madeira e solo agriculturável para a produção de especiarias, como, por exemplo, a cana de açúcar que levava ao cobiçado açúcar, de qualidade muito superior (em sabor e potencial energético e adoçante) ao produto europeu à base de beterraba. Um conhecido conjunto de fatores - que inclui a natureza do próprio pacto colonial, a entrada muito atrasada no processo de industrialização, um processo de independência top down e a perpetuação do processo de dependência econômica que não é novidade para os países do nosso hemisfério - impediu a transformação desse conjunto de vantagens comparativas em vantagens competitivas. Ou seja, nosso potencial de apropriação de diferenciais não se traduziu em agregação de valor e crescimento da economia local.

Por graça, ou ironia, do destino, este início de século 21 nos presenteia, uma vez mais, com as características e os ativos desejados pelo mundo. Estes, porém, são agora de outra natureza e dizem respeito, principalmente, aos insumos necessários para a geração de energia renovável, ou seja: potencial hídrico de água doce, ventos, insolação, extenso litoral para aproveitamento da energia das marés, biomassa e sociobiodiversidade, tecnologia própria (e pioneira) para a produção de biocombustíveis e bioenergia etc.

Apresentam-se, também, fatores geopolíticos favoráveis, bastante independentes de nossa vontade ou alcance, como, por exemplo, a mudança no centro de gravidade da economia mundial, em função dos custos de produção e da localização dos insumos, e o redirecionamento dos fluxos de capital em função da crise dos mercados desenvolvidos.

As questões-chave, entretanto, são, por que e como transformar esse conjunto de vantagens comparativas, por vezes apelidadas de "credenciais verdes", em vantagens competitivas? A resposta à primeira pergunta é quase meramente retórica, em função das refinadas análises que a história econômica do Brasil tem merecido. Para citar alguns elementos contundentes, destaco:

1 - A oportunidade de romper com um padrão de comércio exterior do Brasil, de base agroextrativista com baixo valor agregado, sujeito às oscilações das commodities e sempre a serviço das necessidades de crescimento e desenvolvimento alheias;

2 - A possibilidade de se tornar um dos líderes de um novo ciclo econômico global que, embora retardado pelos percalços da crise econômico-financeira iniciada em 2008, será inapelavelmente desenvolvido, em função das atuais condições globais, considerando-se a demográfico global e a mudança inevitável dos processos de produção em função dos impactos (inclusive econômicos) das mudanças climáticas;

3 - A inversão da nossa pirâmide de emissões de gases de feito estufa que, com a redução do desmatamento na região amazônica, posiciona energia, processos industriais e agricultura como os processos mais emissores da nossa economia, amplamente sujeitos a esforços de redução de emissões a partir da renovação dos compromissos e metas a serem pactuados a partir da COP20, a ser realizada em Paris (2015).

Enfim, algumas respostas à pergunta que mais interessa tanto aos práticos quanto aos céticos de plantão: como transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas?
Uma das poucas vantagens de se chegar atrasado ao processo de desenvolvimento é, justamente, não repetir os erros dos que foram pioneiros. Assim, tudo começa com a vontade política de fazer diferente e adotar um novo caminho. O momento seguinte é a promoção do diálogo social sobre qual modelo de desenvolvimento queremos e podemos implementar, com uma série de pactos e arranjos que permitam:

1 - Recuperar a capacidade de gestão pública e formular políticas e marcos regulatórios de estímulo às atividades sustentáveis, revogando os dispositivos contrários a ela, ainda abundantes;

2 - Estimular o empreendedorismo sustentável visionário, aproveitando a vasta margem de inovação em termos de processos de produção, produtos e serviços modelos de negócios;

3 - Eliminar as condições regulatórias adversas contraditórias atuais que confundem os investidores e ameaçam a competitividade empresarial (frente à concorrência nacional e internacional) nos casos de internalização de custos sociais e ambientais.

Para sintetizar, em uma equação, um possível modelo de desenvolvimento sustentável que aproveite os diferenciais do Brasil ofereço PIBe + Dt - Rt, onde PIBe é a baixa emissão de CO2e, com alto valor agregado e alta distribuição de renda por unidade de PIB gerada; Dt é a necessária Disrupção Tecnológica, baseada na integração das dimensões econômica, ambiental e social e na geração de valor nessas esferas; e Rt é o red tape, ou seja, o conjunto de incentivos à economia BAU (Business as Usual), as barreiras à inovação e a lentidão/cooptação da máquina pública, incluindo o comportamento corrompido de agentes privados.

As políticas públicas são fundamentais para o (re)direcionamento da economia. Porém, o rollout de qualquer nova estratégia ficará a cargo da iniciativa privada, sendo que seu sucesso depende de sua capacidade de adaptação ou modificação do mercado. As empresas brasileiras dão reiteradas provas de sua capacidade adaptativa. Porém, acredito mais ainda em nossa força de inovação privada, aproveitando as condições ímpares com as quais contamos para gerar, a custos mais baixos que a esmagadora maioria das nações, os produtos e serviços necessários à uma nova economia.

Creio ter chegado a hora de provar que não estamos fadados a repetir nossos passos no século 16 e ficarmos, novamente, aquém de nosso potencial, desperdiçando nossas invejáveis vantagens comparativas.

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Em termos simples, as vantagens comparativas são o conjunto de condições favoráveis que, em tese, permitem que uma nação ou empresa gere produtos melhores e/ou mais baratos que os concorrentes, enquanto as vantagens competitivas são, de fato, a transformação daquelas vantagens nesse tipo de produtos, com as devidas barreiras de entrada, tornando-os de difícil apropriação.
 
Fonte: Planeta Sustentável

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Conheça os benefícios das árvores para saúde

 

Árvores reduzem mau cheiro e barulho na cidade.
Elas também absorvem gás carbônico e liberam oxigênio.


As árvores trazem inúmeros benefícios para a saúde. Elas absorvem o gás carbônico (CO2) e liberam oxigênio, melhorando a qualidade e umidade do ar, além de absorver ruídos e o barulho na cidade, como mostrou reportagem do Verdejando desta quarta-feira (4).
A partir da década de 1960, com a expansão urbana mais rápida, a umidade caiu em São Paulo e a temperatura subiu. Atualmente, a umidade é 7% menor do que na década de 1930. Mas em áreas arborizadas, a temperatura e umidade melhoram porque as árvores capturam o gás carbônico e libera vapor de água.
“Na parte debaixo de uma folha, eu tenho 50 mil 'boquinhas', em cada folha, que abrem às 9h e fecham às 16h. Essas 'boquinhas' capturam o CO2, que é um benefício, que é o sequestro de carbono e borrifam vapor de água para fora. Litros e litros de vapor de água. Então, ela faz um efeito com se fosse um ar condicionado. Além disso, ela faz a cobertura, ela baixa a temperatura”, diz o professor de botânica da USP Marcos Buckeridge.
 
Áreas mais arborizadas também colaboram para redução do mau cheiro e o barulho nas cidades, além de regular a temperatura, funcionando como um ar condicionado.
“Existem dados que mostram que uma região não arborizada em São Paulo, no mesmo horário, contra uma região arborizada, a diferença pode ser entre 8ºC e 10ºC", afirma Buckeridge.
 
Fonte: G1- Verdejando

terça-feira, 22 de julho de 2014

São Paulo terá sacos de lixo específicos para reciclagem

 

saco ecod São Paulo terá sacos de lixo específicos para reciclagem
Cor ainda não foi definida e materiais estão sendo testados

A Prefeitura de São Paulo está desenvolvendo um novo tipo de saco de lixo, feito especificamente para abrigar resíduos que devem ser reutilizáveis. A Secretaria de Serviços da cidade alega que testes ainda estão sendo feitos com os tipos de materiais, mas a cor ainda não foi definida.
A ideia é que os sacos sejam produzidos com plástico processado pelas quatro usinas que a cidade deverá ter até 2016 . As embalagens deverão trazer instruções de como separar os resíduos corretamente. De acordo com a pasta, já há casos de sucesso seguindo a mesma lógica em outras cidades do mundo.
Os sacos serão apenas uma das utilidades do material processado nas usinas. A central que já opera na cidade e que custou R$ 36 milhões, tem previsão de render 1,6 milhão por mês com a venda do material reaproveitado. Os gastos de custeio são da ordem de R$ 300 mil – o restante deve incrementar a renda de trabalhadores de cooperativas, mas também haverá dinheiro destinado a um fundo de estímulo de coleta seletiva.
O fundo em questão receberá recursos de empresas que farão a logística reversa. A Prefeitura já fechou convênios, homologados pelo Ministério do Meio Ambiente, com os setores de embalagens e de lâmpadas. Os recursos devem viabilizar a construção de mais usinas ou estimular usinas de compostagem domésticas, reduzindo também os detritos orgânicos.

* Publicado originalmente no eCycle e retirado do site EcoD.

sábado, 19 de julho de 2014

Países ricos também devem cumprir novos objetivos de desenvolvimento

 



por Thalif Deen, da IPS
malawi Países ricos também devem cumprir novos objetivos de desenvolvimento
Torneiras públicas em Blantyre, em Malawi. Ativistas afirmam que a água e o saneamento deveriam ser um objetivo em si mesmo na agenda de desenvolvimento posterior a 2015. Foto: Charles Mpaka/IPS
 
 
 
Nações Unidas, 18/7/2014 – A Organização das Nações Unidas (ONU) discute um novo conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que substituirá os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo cumprimento vence no final de 2015. Os novos ODS propostos, cerca de 17 ou mais, serão uma parte integral da agenda de desenvolvimento da ONU posterior a 2015, que, entre outras coisas, busca erradicar da face da Terra a extrema pobreza e a fome até 2030.
Neeli Kroes, da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), disse que a nova agenda das Nações Unidas foi descrita como o “empreendimento em matéria de desenvolvimento mais completo e de maior alcance jamais assumido pela ONU em toda sua história”. Mas Jen Martens, diretor da organização Global Policy Forum (Fórum de Políticas Mundiais), disse à IPS que, no geral, a atual lista de objetivos e metas propostos não constitui uma resposta adequada às crises social, econômica e ambiental que o mundo enfrenta, nem à necessidade de uma mudança fundamental.
Os ODS propostos contêm uma mescla de velhos compromissos reciclados e de novos vagamente formulados, como o que diz: “assegurar a mobilização significativa de recursos de uma variedade de fontes para oferecer os meios adequados e previsíveis a fim de implantar programas e políticas para erradicar a pobreza em todas suas dimensões”, afirmou Martens.
Especialistas em desenvolvimento coincidem em que as nações ricas praticamente não conseguiram cumprir suas obrigações relacionadas com o oitavo dos ODM, que exorta a “fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento” com os países do Sul em desenvolvimento. O Centro do Sul, com sede em Genebra, recomenda: “Os ODS não devem ser um conjunto de objetivos a serem perseguidos apenas pelas nações em desenvolvimento como se fosse um tipo de condição ou de novas obrigações”.
O documento final da Rio+20, como é conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável realizada no Brasil em 2012, especifica que as novas metas devem “ser aplicadas de forma universal a todos os países”, inclusive aos de economias ricas. Os 17 novos objetivos, redigidos por um grupo de trabalho aberto, inclui propostas para erradicar a fome e a pobreza, conseguir vidas saudáveis, oferecer uma educação de qualidade, conseguir a igualdade de gênero e reduzir as desigualdades.
Também prevê o uso sustentável da água e o saneamento, energia para todos, emprego produtivo, industrialização, proteção dos ecossistemas terrestres e fortalecimento da aliança global para o desenvolvimento sustentável. O grupo de trabalho encerra hoje sua 13ª rodada de negociações, provavelmente a última, após a qual deverá elaborar um relatório e apresentá-lo à Assembleia Geral da ONU em agosto. Depois, os governantes dos países membros deverão aprovar o conjunto dos objetivos em setembro do próximo ano. Até então, segundo disse um alto oficial da ONU que pediu para não ser identificado, “poderá haver um monte de acréscimos e eliminações”.
Martens, que monitorou as 12 últimas sessões de do grupo de trabalho, apontou à IPS que os governos não devem repetir o erro cometido com o oitavo ODM sobre a “aliança mundial”, cuja formulação foi tão vaga que não implicou nenhum compromisso vinculante para o Norte industrial. “O que necessitamos são objetivos quantificáveis para os ricos”, opinou.
A agenda posterior a 2015 deve abordar os obstáculos estruturais e as barreiras políticas que impediram o cumprimento dos ODM, como o comércio injusto e as normas de investimento (incluindo o mecanismo de resolução de disputas) e os problemas da evasão e fraude fiscais das transnacionais e das pessoas mais ricas. “Por que não propormos acabar com todos os paraísos fiscais até 2020?, perguntou.
As organizações não governamentais criticaram muito que a água e o saneamento não tenham formado um “objetivo em si mesmo” nos ODM e só foram uma meta secundária do sétimo: “garantir a sustentabilidade do ambiente”.
Nadya Kassam, diretora de campanhas da organização WaterAid, com sede em Londres, afirmou à IPS: “acreditamos que a água e o saneamento devem ser um objetivo em si mesmo depois de 2015, e até onde podemos ver, resulta alentador”. É impensável não incluir esses temas nem a higiene, que são fundamentais para alcançar outros, como o de boa saúde, educação, crescimento econômico, acrescentou. O sueco Jan Eliasson, subsecretário-geral da ONU, deixou clara a importância do saneamento com sua campanha para erradicar a defecação ao ar livre, que WaterAid integra.
Depois de quase 15 anos desde que foram acordados os ODM, foi alcançado o objetivo de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem água potável. Mas na África subsaariana 36% da população ainda não tem acesso a esse recurso. Kassam ressaltou que o acesso ao saneamento continua muito atrasado e, no ritmo atual, a região vai demorar 150 anos só para conseguir a meta prevista nos ODM, que estão por expirar. “Assim, a água, e em particular o saneamento, têm de ser de primordial importância para o futuro”, acrescentou.
Martens disse que é um sinal positivo um dos objetivos propostos nos ODS seja reduzir a igualdade dentro e entre os países. “É de vital importância que este objetivo não se perca na fase final das negociações”, acrescentou. Mas não será suficiente apenas com um objetivo sobre desigualdade; cada ODS deveria ter metas e indicadores sobre a distribuição e a desigualdade, afirmou.
A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou um comunicado no dia 14, indicando que houve um “acalorado debate, com a oposição de alguns integrantes da equipe de trabalho, como Rússia, Cuba e China”, a respeito de um dos ODS sobre informação e meios de comunicação. A proteção de direito à informação corre risco de ser debilitada ou desaparecer de todo e poderia ser substituída por uma vaga referência à liberdade de expressão, acrescenta a nota.
Na Cúpula do Milênio, realizada em Nova York, em setembro de 2000, 189 Estados membros da ONU adotaram a Declaração do Milênio com base em vários documentos surgidos de diferentes conferências internacionais na década anterior e que tratavam sobre população, direitos humanos, ambiente, habitat e desenvolvimento social. Depois, em agosto de 2001, a secretaria da ONU adotou os oito ODM.
Na ocasião, os objetivos não foram redigidos pelos governos por meio de um debate aberto, mas por um comitê criado a partir de vários órgãos da ONU, como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Fundo das Nações Unidas para a Infância, Fundo de População das Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos. Os ODM tampouco foram objeto de uma resolução formal da Assembleia Geral.
As metas pretendiam reduzir pela metade a proporção de pessoas que vivem na indigência e sofrem fome, conseguir a educação primária universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, entre 1990 e 2015. Também propunham lutar contra a expansão do vírus HIV, causador da aids, a malária e outras enfermidades, garantir a sustentabilidade ambiental e gerar uma aliança mundial para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul. Envolverde/IPS
 
Fonte: Site Envolverde

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Muito além de um jardim

Famoso pelo urbanismo e pelos monumentos de concreto, o Plano Piloto mantém hoje um impressionante patrimônio natural, com mais de 300 espécies de árvore distribuídas em 5 milhões de metros quadrados
 
Asa Norte: no projeto de Lucio Costa, os edifícios deveriam "nascer" de uma floresta

Brasília é um dos raros exemplos mundiais em que o conceito modernista de cidade-parque foi adotado integralmente. No projeto vencedor do concurso nacional do Plano Piloto, de 1957, Lucio Costa idealizou-a com grande quantidade de terrenos livres e arborizados. Dentro da visão do arquiteto, os edifícios locais deveriam "nascer" de uma clareira na floresta, desenhando a antítese de uma metrópole industrial.

Concebida para trazer aos moradores qualidade de vida, essa imensa área verde produziria sombras, amenizaria o clima seco e a temperatura elevada, purificaria o ar e preencheria os espaços vazios do plano urbanístico. Que o resultado ficou próximo do sonho de um dos fundadores da capital federal, isso todos sabem. Se ainda não tem a fama dos monumentos de concreto, a arquitetura verde de Brasília já obteve destaque internacional pela sua beleza e se transformou num dos principais fatores de fixação das pessoas. Tanto é assim que, hoje, a cidade ostenta a maior média nacional de flora urbana: 120 metros quadrados por habitante. Para se ter ideia da força dessa estatística, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera que são adequadamente arborizados os centros com 12 metros quadrados de área verde por morador. São Paulo tem 40, o Rio de Janeiro, com a Floresta da Tijuca, 56,4.

O que boa parte dos brasilienses desconhece diz respeito ao árduo começo do imenso jardim que atualmente reveste 5 milhões de metros quadrados do Plano Piloto. Na década de 60, quando a capital brotava no Planalto Central, centenas de milhares de árvores trazidas do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais foram plantadas às pressas. Entre 1970 e 1974, contudo, quase todas pereceram. Só em 1973, houve 50 000 baixas. Por trás do fenômeno estava o fato de as plantas importadas não se adaptarem ao solo ácido nem ao ar seco da região. Naquele momento, o reflexo político da mortandade vegetal foi tão negativo que, no Congresso Nacional, se chegou a propor a volta da capital para o Rio de Janeiro. A base da argumentação era uma só: como as pessoas poderiam viver em uma terra em que nem árvore crescia?

A surpreendente ressurreição do verde teve início com uma grande força-tarefa. Os funcionários do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap foram convocados para realizar expedições pelos arredores da cidade a fim de coletar informações sobre plantas regionais. Vale lembrar que nos anos 70 ainda não existia bibliografia sobre as espécies do Cerrado e pouco se sabia sobre o segundo maior bioma do Brasil, um dos mais ricos do mundo em diversidade. Foi a partir desse levantamento que teve início a produção de mudas adaptadas ao ecossistema local. Desde então, 75% das espécies plantadas pela Novacap, em média, passaram a ser nativas — acostumadas ao solo e ao clima, elas demandam menos gastos com manutenção. Ipês-amarelos, roxos e brancos, símbolos da cidade, são dessa época.

O engenheiro agrônomo Ozanan Coelho integrou as primeiras expedições e perdeu a conta do número de fazendas que visitou e quantas noites passou acampado. "Sofremos uma pressão política e psicológica muito grande, mas fizemos uma pesquisa séria e profunda. Não podíamos errar de novo", lembra. Durante os quarenta anos de trabalho no DPJ, trinta deles na chefia, Coelho foi responsável pelo plantio de mais de três milhões de mudas. Aos 71 anos, o engenheiro, aposentado desde 2009, é um dos protagonistas da história verde da capital.

Michael Melo
 
Ozanan Coelho: na década de 70, ele salvou o buriti que dá nome à praça

Mais recentemente, a professora de meio ambiente do Iesb, Roberta Costa e Lima, passou a integrar esse rol. Em sua dissertação de mestrado na Universidade de Brasília (UnB), de 2009, ela contou, uma a uma, 15 200 árvores em 39 quadras do Plano Piloto. E catalogou 162 espécies apenas nas superquadras que percorreu. Se considerarmos o corpo todo do avião, são mais de 300.

Roberto Castro
 
A professora Roberta Costa e Lima: ela contou 15 200 árvores no Plano Piloto

Na Floresta Negra inteira, motivo de orgulho para os alemães, não há mais que quarenta. Aqui, em todos os meses do ano o brasiliense vê alguma espécie dar flores (veja lista no final da matéria). Agora, na época da seca, é a temporada de selfies ao lado dos ipês. Apesar de a terraplenagem não respeitar a vegetação durante a construção da cidade, algumas árvores pré-Brasília sobreviveram. Em seu estudo, Roberta encontrou no Plano Piloto espécies nativas com mais de 200 anos, a exemplo da sucupira e do pequizeiro (veja alguns exemplos no mapa abaixo).



Para quem nunca observou o pau-brasil, que deu nome ao país, a 216 Sul está repleta dele. A professora só não esperava encontrar um bacupari, planta nativa da antiga Conchinchina (atual Vietnã), nem cacaueiros. Com mais de 1 000 exemplares, a mangueira é a espécie mais comum em Brasília, que tem árvores frutíferas em todas as quadras. "Os porteiros da cidade plantaram muitos frutos de sua terra nas adjacências dos blocos", explica Roberta.

Essa interferência de moradores na nossa configuração verde foi e continua sendo grande. Não são poucos os entusiastas ambientais da cidade que plantam mudas a esmo — embora o recomendável seja fazê-lo sob a orientação do DPJ. O ex-senador Maerle Ferreira, por exemplo, já cultivou centenas de ipês no Sudoeste, em frente ao prédio onde mora. Para o poeta Nicolas Behr, que publicou um livro dedicado às árvores locais e comanda o viveiro Pau-Brasília, a cidade se tornou um grande showroom da sua loja. As pessoas veem na rua e querem algo igual. "Os espaços verdes de Brasília têm função estética e psíquica", garante ele.

Roberto Castro
 
Romulo Ervilha: no viveiro da Novacap, onde 1 milhão de mudas de flores são criadas por mês
Manter os 150 milhões de metros quadrados de área verde no Distrito Federal, contudo, está longe de ser uma tarefa simples. O custo de 80 milhões de reais anuais, 8 milhões deles só com flores, é maior do que o orçamento de pequenos municípios. Hoje, Romulo Ervilha, atual chefe do DPJ, comanda um exército de mil jardineiros, que plantam 100 mil flores por semana. Já as árvores, são 150 mil por ano. Todas as mudas vêm de dois viveiros da Novacap que somam 98 hectares. Também cabe ao DPJ a manutenção dos jardins de residências oficiais como os palácios da Alvorada e do Jaburu e a Granja do Torto. Recentemente, a presidente Dilma pediu a revitalização do seu. Achou que estava chinfrim.

Nesse gerenciamento de vontades, Ervilha se acostumou a solicitar, inclusive, a força policial. "É comum que moradores abracem árvores tentando impedir o corte ou a poda. Alguns já foram presos por agredir jardineiros", conta. O contrário também acontece. Há casos de cidadãos que pedem o corte de árvores por qualquer besteira. Certa vez uma senhora aposentada alegou que a que estava em frente a sua janela atrapalhava a observação de pousos e decolagens de aviões, seu principal passatempo.

Apesar de tantos motivos de comemoração, infelizmente ainda falta uma distribuição igualitária de área verde no DF. O desafio atual é levar a mesma qualidade de vida para as outras regiões administrativas. Da área rural do Cent­ro-Oeste, chega um dado preocupante: 50% do cerrado já foi desmatado para dar lugar a plantações de soja. Mesmo dentro do Plano Piloto, a diversidade tem diminuído. Na Asa Norte, por exemplo, algumas quadras exibem menos árvores porque as garagens ficaram maiores. "As empresas privadas só plantam palmeiras, que são baratas e pegam fácil. É uma pena que elas não se preocupem com a variação", critica o professor de dendrologia da UnB Manoel Cláudio Júnior. Diferentemente de uma floresta, onde o nascimento e a morte de árvores acontecem de forma natural, nas áreas urbanas os governos devem responder pela sucessão delas. E os cidadãos precisam se conscientizar de que são peça fundamental na preservação de um patrimônio erguido com perseverança e tão importante quanto os traços da nossa arquitetura.

CALENDÁRIO DA FLORAÇÃO
Confira a temporada de flores mês a mês
CAMBUÍ - dezembro e janeiro

IPÊ-ROXO - maio e junho

MULUNGU - agosto a dezembro


PATA-DE-VACA - fevereiro a março

IPÊ-AMARELO - junho a setembro

FLAMBOYANT - setembro a fevereiro



PAINEIRA-BRANCA - março a junho



IPÊ-BRANCO - junho a setembro




JACARANDÁ-MIMOSO - outubro a março



IPÊ-DE-JARDIM - abril a setembro




QUARESMEIRA - julho a setembro




BUGANVILIA - novembro a fevereiro




A CAPITAL VERDE EM NÚMEROS- 150 milhões de metros quadrados de área verde no DF
- 80 milhões de reais gastos com a conservação desse espaço
- 5 milhões de árvores
- 150 mil mudas plantadas por ano
- 1 mil jardineiros
- 700 rotatórias floridas
- 20 caminhões-pipa molham as plantas todo dia

Fonte: Veja Brasília

sábado, 12 de julho de 2014

207 cidades divulgam estratégias de adaptação às mudanças climáticas



Responsáveis por 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global, por abrigar mais da metade da população mundial e pelo consumo de dois terços do consumo de energia do planeta, as cidades serão as principais atingidas pela mudança do clima, revela último relatório do Painel Intergovernamental pelas Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mobilizados por meio do programa Cities 2014, do CDP*, 207 municípios de todo o mundo – entre eles, 29 brasileiros – divulgaram 757 estratégias e ações de adaptação às mudanças climáticas. “Porém, uma colaboração maior com empresas é necessária para aumentar a resiliência das cidades”, avalia Larissa Bulla, responsável pelo programa.

Segundo novo relatório do CDP, Protecting our Capital, que examina dados de 50 dessas cidades, 76% dos participantes relataram que o aquecimento global pode impactar os negócios, levando o governo local a concentrar suas ações na identificação de riscos e mitigação.

O total de municípios participantes do programa este ano representa quase o dobro de 2013. Segundo o CDP, esse aumento decorre da crescente preocupação das administrações municipais com a responsabilidade ambiental e com o monitoramento do desempenho.

Dados das cidades participantes, como emissões de gases de efeito estufa, riscos, ações de adaptação e atividades de redução de emissões, podem ser consultados no infográfico produzido pela iniciativa (em inglês).

BRASIL
Três quartos das cidades brasileiras informaram que os efeitos da mudança do clima ameaçam sua estabilidade econômica, causam danos a propriedades, infraestruturas, comprometem o bem-estar social, entre outros. Além disso, metade enxerga benefícios no combate às mudanças climáticas, informou a assessoria de imprensa.

A cidade de São Paulo (SP), por exemplo, reportou que durante eventos extremos do climatais como tempestades – houve aumento de enchentes, que impactam negativamente as vias mais importantes do centro da cidade, aumentando o congestionamento e a pressão sobre o sistema de transporte público.

Conheça os 29 municípios participantes: Aparecida (SP), Aracaju (), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Caieiras (SP), Campinas (SP), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Guarulhos (SP), Jaguaré (ES), João Pessoa (PB), Macapá (AM), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Bernardo do Campo (SP), São Luís (MA), São Paulo (SP), Sorocaba (SP) e Vitória (ES).

Fonte: Planeta Sustentável por Marina Maciel

sexta-feira, 11 de julho de 2014

#Somostodosambientalistas


por Heitor Scalambrini Costa*
Sustentabilidade #Somostodosambientalistas


Persiste entre formadores de opinião o uso do termo ambientalista de forma pejorativa, para depreciar os cidadãos que lutam pela causa ambiental, além de também esconder outras intenções, menos ingênuas, como fazer o jogo dos poderosos, dos poluidores, que têm seus interesses contrariados pela persistência daqueles que defendem a preservação do meio ambiente e das condições de vida no planeta.
Os últimos relatórios dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram inquestionavelmente que a ação humana é a principal causa da elevação da temperatura média da Terra, do aquecimento global. Mesmo assim, interesses poderosos das indústrias de combustíveis fósseis e nucleares, da agroindústria, dentre outros, continuam a negar este fato, financiando campanhas que atacam aqueles que propõem mudanças no atual estilo de vida perdulário, no consumo e na produção de matérias primas e energia.
O crescimento sempre foi um objetivo da política econômica. Acreditava-se que o aumento da renda de um país fosse suficiente para proporcionar uma vida melhor a seus habitantes. Portanto, a partir de uma análise simplificada, geralmente utilizando como indicador o Produto Interno Bruto (PIB), anunciava-se que bastava seu aumento para que fosse interpretado que os indicadores de bem estar também o acompanhariam. O que de fato não acontece.
Já há alguns anos, verificam-se os danos causados pelo atual modelo de atividade econômica sobre o planeta. Em nome do crescimento a qualquer preço, tudo é permitido, inclusive a destruição do meio ambiente. As evidências são incontestes de que não é possível mais crescer e enriquecer para atender à melhoria da qualidade de vida da maioria da população. Ou seja: consumir e produzir nos padrões atuais esbarram nos limites físicos do nosso planeta.
Estamos recebendo sinais de que a Terra vem reagindo à quantidade de gases emitidos, denominados de “efeito estufa”, em particular o CO2 (dióxido de carbono), principalmente pelo uso massivo dos combustíveis fósseis. Ao desmatamento desenfreado das florestas para diferentes finalidades. Ao desperdício e poluição das fontes de água doce, reduzindo assim sua disponibilidade, principalmente pelo uso irracional desse bem fundamental à vida. Qualquer vida. Todas as vidas.
O IPCC, através de seus relatórios e pareceres, tem chegado a conclusões científicas irrefutáveis de que o aquecimento global tem provocado aumento significativo na frequência e na intensidade dos “desastres naturais”. A concentração de CO2 na tênue atmosfera que nos protege atingiu os 400 ppm (parte por milhão) em abril de 2014, superando o limite histórico. Valor emblemático, pois é o nível considerado limite pelos cientistas para evitar os piores cenários do clima.
Segundo o IPCC, acima de 400 ppm de CO2 a temperatura média do planeta poderá subir entre 2 e 5 graus centígrados até o final deste século, o que poderá provocar a aceleração do degelo, tempestades mais violentas, graves impactos sobre a biodiversidade, com a inevitável extinção de espécies, e milhões de refugiados ambientais que terão de buscar outro lugar pra viver.
Portanto, mesmo com as evidências, com os alertas científicos, ainda continuamos a não dar a atenção devida a este que é o maior desafio de nosso tempo: as mudanças climáticas. Ela já esta entre nós e se acelerando.
Daí os que lutam pela vida no planeta Terra, por um mundo melhor, por uma sociedade mais igualitária, menos injusta socialmente, onde a renda seja mais distribuída, serem também responsáveis pela preservação ambiental. Ou seja, somos todos ambientalistas (obviamente, com exceção dos que querem manter seus privilégios).
Saiba mais sobre o Fórum Social temático Energia de 10 a 17 de agosto em Brasília aqui.

* Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.
** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A sustentabilidade depende do compromisso com a legislação ambiental


por Mario Mantovani*
shutterstock 130863860 A sustentabilidade depende do compromisso com a legislação ambiental
Foto: http://www.shutterstock.com/

Seja qual for o tamanho ou setor de atuação de uma empresa, a incorporação da sustentabilidade em sua gestão é um fato. Para poucas, já é uma prática. Para a maioria, ainda um desafio.

Em março deste ano, a Fundação Dom Cabral publicou uma pesquisa sobre o tema. Foram ouvidos 602 profissionais de mais de 400 empresas de todos os setores e regiões do Brasil. A proposta era observar como as organizações estão comprometidas com a sustentabilidade, tema no qual se incluem, e se destacam, as questões ambientais. O levantamento apontou que essas companhias já têm a sustentabilidade na estratégia, mas falta para boa parte delas aplicá-la no dia a dia – definirem metas e políticas específicas, conduzirem a agenda com as lideranças e investirem em educação para o tema. Ou seja, faltam investimentos para que a sustentabilidade seja uma realidade nos setores produtivos do país, incluindo-se aqui o setor florestal brasileiro.
Para termos um exemplo, 55% da madeira serrada consumida no mercado interno brasileiro, cerca de 14 milhões de m3, ainda é originária de florestas nativas, como observou Vanderley Porfírio-da-Silva, pesquisador da Embrapa Florestas, em artigo publicado na 35ª edição dessa revista.
Outro exemplo: o Estado de São Paulo é o maior consumidor de madeira do país, utilizando o produto principalmente na indústria moveleira e na construção civil. Para fomentar ações em favor do comércio responsável de madeira, a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) criou o CADMADEIRA – Cadastro Estadual das Pessoas Jurídicas que comercializam, no Estado, produtos e subprodutos de origem nativa da flora brasileira (Decreto Estadual nº 53.047/2008). O principal objetivo do cadastro é permitir aos consumidores e ao setor público identificar no mercado as empresas que comercializam o produto de forma sustentável. Segundo Andreia Brito de Maceno, especialista ambiental da SMA, em depoimento no seminário “Programa Madeira é Legal”, realizado na cidade de São Paulo em outubro de 2013, “só 9% das madeiras que circulam no Estado são de empresas do CADMADEIRA“, o que indica o nível de informalidade desse setor, que ainda inclui, entre outros, a produção de celulose e carvão.
Nessa matemática da ilegalidade, os grandes prejudicados ainda são os remanescentes de florestas nativas brasileiras. Destaque aqui para a Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos do planeta e a floresta mais ameaçada do país. Hoje, restam 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, temos 12,5%.
Há 28 anos, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) monitoram, por meio do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, as áreas do bioma, que ocorre em 17 Estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Nessas regiões, vivem cerca de 118 milhões de pessoas – 69% da população brasileira, que dependem da Mata Atlântica para a disponibilidade de serviços ambientais vitais, como a regulação do clima, a produção e o abastecimento da água e a qualidade do ar.
Durante esses anos, o estudo diagnosticou o desmatamento de mais de 1,8 milhões de hectares (ha) de vegetação, ou 18.500 km2, área equivalente a 14 cidades do Rio de Janeiro.
Com a regulamentação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, o ritmo de desmatamento caiu nos últimos anos, mas a situação do bioma é crítica. O levantamento mais recente do Atlas, referente ao período 2012-2013, cujos dados foram divulgados no último 27 de maio, Dia da Mata Atlântica, apontou o desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012).
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. Dados que nos levam à constatação de que o desmatamento continua a avançar sobre as já tão fragilizadas áreas de Mata Atlântica.
A situação é mais preocupante em Minas Gerais (8.437 ha de áreas destruídas), Piauí (6.633 ha), Bahia (4.777 ha) e Paraná (2.126 ha), que juntos foram responsáveis por 92% do total dos desflorestamentos. Em Minas, que lidera o ranking pelo quinto ano consecutivo, a supressão da floresta nativa ocorreu para obtenção de carvão e posterior substituição por eucalipto.
A situação impõe um alerta sobre a necessidade de se proteger os recursos ambientais por meio do cumprimento da legislação ambiental vigente, além da criação, implantação e regularização de áreas protegidas, também previstas em lei.
Do que sobrou da Mata Atlântica, cerca de 80% pertencem a proprietários particulares, que precisam ser envolvidos na causa, orientados sobre a legislação ambiental e fiscalizados, para que assim compreendam o seu importante papel na conservação.
O novo Código Florestal (Lei 12.651 de 2012), que já completa dois anos, pode promover a regularização de 5,2 milhões de imóveis rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e efetivar a recuperação de áreas degradadas no país.
Apesar de retrocessos, como a anistia a desmatadores e a redução das áreas de preservação permanente do entorno de rios e nascentes, há na atual Lei Florestal instrumentos positivos, como o CAR e o PRA (Plano de Recuperação Ambiental), que precisam ser tirados do papel e implementados, necessidade que motivou organizações civis a lançarem a campanha “Cumpra-se”.
Desde então, encontros técnicos, seminários e fóruns têm sido promovidos em várias regiões do país com o objetivo de implantar o CAR e, a partir desse grande cadastro, criar condições reais para minimizar conflitos fundiários e regularizar a gestão da terra, compatibilizando-a com a conservação ambiental. Não há, por exemplo, como garantir a origem dos produtos do campo sem a regularização ambiental.
No último dia 5 de maio, foi publicado o decreto da Presidência da República que regulamenta o Código Florestal. Agora, proprietários rurais têm o prazo de um ano para cadastrar as terras e iniciar o processo em caso de danos em áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal e de uso restrito.
O fato é que, para que a sustentabilidade aconteça na produção florestal, é necessário, antes de tudo, que o setor regularize-se em sua plenitude e que produtores, sejam eles familiares ou grandes corporações, atendam à lei.
Há muito, o agronegócio entendeu o seu papel na economia do Brasil. Em 2013, o setor representou 23% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. O país é o primeiro produtor mundial de café, açúcar e laranja; o primeiro exportador mundial de carne bovina e aves. É também o segundo produtor mundial de soja e o terceiro em celulose. Falta agora compreender sua responsabilidade socioambiental. Assim, o país poderá escrever sua história por um novo caminho, no qual o desenvolvimento e a conservação andem lado a lado, de forma sustentável.

* Mario Mantovani é diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. Artigo originalmente publicado .

** Publicado originalmente na Revista Opiniões e retirado do site SOS Mata Atlântica.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Exemplos por todo o mundo demonstram a popularização das fontes alternativas


por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
mineraosolar Exemplos por todo o mundo demonstram a popularização das fontes alternativas

Fotos: CEMIG / Governo do Estado de Mecklenburg- Vorpommern

Há pelo menos trinta anos se fala que no futuro fontes como a solar e a eólica ocuparão local de destaque na matriz energética mundial assim que ficarem mais eficientes e baratas. Pois novos números e instalações parecem deixar claro que este futuro finalmente chegou.
Aqui em nosso país, um projeto inaugurado em maio está chamando mais atenção agora, graças à Copa do Mundo.
A cada novo jogo em Belo Horizonte, a visão panorâmica do Mineirão mostra a enorme estrutura fotovoltaica instalada na cobertura do estádio. A usina é formada por seis mil módulos com uma potência instalada 1,42 MWp, o suficiente para atender 900 residências.
Já em Florianópolis, foi inaugurada na  sexta-feira (27) a maior instalação fotovoltaica da América Latina integrada a um prédio público. Localizada na sede da Eletrosul, a usina possui uma potência instalada de 1 MWp e é composta por 4,2 mil módulos solares, distribuídos em dez mil metros quadrados.

eolicamelckalema 300x193 Exemplos por todo o mundo demonstram a popularização das fontes alternativas 
Alemanha
Em uma das maiores potências do setor em energias alternativas, a Alemanha, foi alcançada no dia nove de junho a marca histórica de 50,1% da demanda por eletricidade sendo atendida por instalações fotovoltaicas.
Também foram divulgados dados locais, e o estado de Mecklenburg-Vorpommern comemorou ter gerado mais energia do que necessita – tudo por fontes renováveis – e começou a vender o excedente para a União.
“Atendemos mais de 120% de nossa necessidade por energia através das renováveis. Mecklenburg-Vorpommern se tornou um exportador de energia verde, e a principal razão para isso foi o desenvolvimento de instalações eólicas e solares”, afirmou Rudolf Borchert, porta-voz do Partido Social Democrata, que governa o estado.
Mecklenburg-Vorpommern possui 1,6 milhão de habitantes e é famoso por seus parques naturais e atrações turísticas. Mais de 1.600 turbinas eólicas estão localizadas no estado.
EUA
Dos Estados Unidos vêm dois novos recordes, com os estados da Califórnia e do Texas divulgando números impressionantes.
A Califórnia gerou no dia primeiro de junho 4,7GW em energia solar, batendo a marca anterior alcançada em março de 4,1GW. De acordo com o Operador do Sistema do estado, a fotovoltaica responde atualmente por 6% da matriz.
No Texas, é a geração eólica que chama a atenção, com 10,2GW, ou 30% da matriz. O governo local estima que ainda neste ano a geração eólica ultrapasse os 12GW.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

#SOSJURUENA - em defesa do quarto maior parque nacional do País


Criado em junho de 2006, o Parque Nacional do Juruena, situado ao norte do Mato Grosso e sudeste do Amazonas, é o quarto maior parque nacional do país, com quase 2 milhões de hectares, uma área equivalente ao tamanho de Israel. Além disso, a unidade de conservação (UC) é parte do maior sistema de rios do país (Bacia do Tapajós), possui a maior diversidade e produtividade de água doce do planeta e ocupa uma posição estratégica no chamado Arco do Desmatamento, garantindo a conectividade ambiental das áreas protegidas vizinhas e entre a Amazônia e o Cerrado.

Apesar de toda a sua beleza e grandiosidade, parte dessa biodiversidade pode deixar de existir. No dia 24* de junho de 2014, o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realiza uma importante reunião que poderá definir o futuro do Parque. O órgão poderá declarar como de “utilidade pública” parte do Parque Nacional do Juruena, o que seria o primeiro passo para permitir a redução da área protegida para a construção das usinas hidrelétricas de São Simão Alto e Salto Augusto Baixo. Elas são parte de uma série de sete hidrelétricas que o governo planeja cravar na Bacia do Tapajós, em que o Juruena se encontra, com alto impacto socioambiental.

Para alertar a sociedade sobre essas ameaças ao Parque Nacional do Juruena e à Bacia do Tapajós, o WWF-Brasil lança, hoje (2), a campanha SOS Juruena. A partir da inciativa, queremos pedir o apoio da sociedade para, juntos, pressionarmos o governo para não permitir a construção das hidrelétricas dentro do Parque Nacional do Juruena e assim garantir que esta Unidade de Conservação se mantenha íntegra.

Se construídos, apenas os reservatórios inundarão mais de 40 mil hectares no Parque Nacional do Juruena e nos parques estaduais Igarapés do Juruena e Sucunduri, e nas terras indígenas Escondido, dos Apiakás do Pontal e de nativos isolados. Além das populações locais, as barragens afetariam ainda a sobrevivência de 42 espécies de animais ameaçadas ou que só existem naquela região, colocando em risco as corredeiras do rio Juruena e inviabilizando processos ecológicos vitais para peixes migratórios, por exemplo.

“Quando uma espécie de pássaro ou de planta morre, ela acaba para sempre. Não há ciência que permita que ela seja recuperada. No caso de um Parque como o Juruena são dezenas de espécies que só existem e são protegidas pelo Parque. Mesmo que o Juruena seja muito longe de São Paulo ou Brasília, o Parque tem dentro dele um acervo de cada brasileiro, que se for perdido não vai ser recuperado, nem assumido por outra unidade de lugar nenhum”, avalia Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

De acordo com Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil, é inaceitável que áreas protegidas, como o Juruena, criadas mediante exaustivos estudos socioambientais, acordos políticos entre governos e setores produtivos e indispensáveis à manutenção de serviços ambientais, tenham sua integridade ameaçada por decisões unilaterais de conselhos exclusivamente governamentais. “A única solução que nós vemos é a não construção dessas hidrelétricas no Parque. Não somos contra o desenvolvimento do país e a geração de energia elétrica, mas sim contra a falta de clareza e transparência pelos quais os processos são desenvolvidos”, explica.

Debate democrático

A construção de hidrelétricas sem a avaliação das alternativas existentes e debate amplo com a sociedade aumentam desmatamentos, degradação socioambiental, alagamentos e barramentos desnecessários de rios. Em regiões bastante preservadas da Amazônia, como a Bacia do Tapajós, esses efeitos são multiplicados. “Criam-se novas fronteiras de desmatamento, de urbanização desordenada e de deterioração socioambiental e cultural profundas, além das emissões significativas de gases de efeito estufa e a degradação irreversível da maior reserva de água doce do planeta”, esclarece Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Timmers defende ainda a abertura da discussão sobre a política energética brasileira para toda a sociedade, com debate qualificado, transparente e democrático. “Sustentabilidade real e concreta pressupõe transparência e participação social ampla, de forma a garantir equilíbrio entre fatores econômicos, sociais e ambientais na formulação de políticas públicas, na tomada de decisões e nas ações que afetem o conjunto ou parte do território e dos brasileiros. Não é possível que uma decisão unilateral do CNPE desconsidere todo o esforço da sociedade e dos governos em criar um parque dessa importância na Amazônia e pôr em risco um patrimônio de todos os brasileiros”, diz o representante do WWF-Brasil.

 

Fonte: Site WWF

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ecoalfabetização

“Nossos alunos precisam ser ensinados que o crescimento econômico – quando acontecer – deve vir em conjunto com a justiça social, sempre resguardando a proteção do meio ambiente”, propõe o economista Marcus Eduardo de Oliveira .


Ao desconsiderar o sistema ecológico em toda sua amplitude na peculiar relação que mantém com o sistema econômico, a teoria econômica tradicional ignora assim, de fato e de direito, o que se sucede em termos de movimentação dentro da atividade econômica produtiva, a saber: entra (materiais) e sai (resíduos); entra matéria e energia, sai ejetada poluição e detritos.
Dessa forma, fluxos de entrada (materiais e energia) e de saída (produtos e resíduos) precisam ser considerados, e não relegados ao esquecimento, como tem sido comum pelas lentes míopes da economia neoclássica, envolta numa macroeconomia que não mantém vínculos estreitos com as coisas da natureza.
Trata-se, portanto, de enorme equívoco enxergar a atividade econômica de forma isolada, sem interação com o meio ambiente. Cabe aqui contextualizar que a economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente.
Nesse sentido, o diálogo entre essas duas ciências (sociais e naturais) é cada vez mais necessário. A “conversa” entre a Economia e a Ecologia tem obrigatoriamente de acontecer para que a conscientização ecológica se faça presente, até mesmo porque “não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)”, como bem asseverou o professor Clóvis Cavalcanti.
De forma inequívoca, o processo de produção econômica vem necessariamente acompanhado da geração de resíduo e poluição. Logo, toda a produção econômica “carrega” consigo elementos do processo ecológico.
De toda sorte, essa relação entre a economia e o capital natural, cada vez mais emblemática, envolve alguns aspectos pertinentes: alterações do clima que são potencialmente provocadas pela ação do homem-econômico; exagero de produtos tóxicos ejetados no meio ambiente como resposta às políticas de crescimento da economia sem o menor respeito aos limites físicos da natureza; a falta de energia e matéria para lidar com as manifestações e os desejos da sociedade de consumo que são cada vez mais intensos e seguem sendo ilimitados.
Percebe-se assim que cada vez mais esses “fatos” apontam para a necessidade de se consolidar um novo modo de pensar a atividade econômica a partir da perspectiva da inserção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos (equilíbrio climático, fotossíntese, oferta de solos, ciclos geoquímicos, água limpa e outros) no conjunto da análise econômica moderna, superando, pois, o caráter reducionista presente nas análises neoclássicas.
Todavia, isso só será possível mediante o estabelecimento, em definitivo, de um diálogo entre os dois sistemas: o econômico e o ecológico.
Como estabelecer esse diálogo? Uma boa resposta para isso vem mediante a implantação daquilo que Fritoj Capra chama de ecoalfabetização. Isso proporcionará (e possibilitará) condições essenciais para o desenvolvimento de um novo modo de pensar a atividade econômica.
Estamos convencidos que, enquanto não mudarmos a forma de produção, respeitando, prioritariamente, os ciclos da natureza, longe ficaremos da condição de se alcançar bem-estar humano sustentável e, cada vez mais aprofundaremos o crescimento econômico fútil, baseado no consumo material, em geral, recheado de suntuosidades.
Combater os excessos e entender que o progresso humano não pode ser confundido com o crescimento material é uma primeira e decisiva etapa para a consolidação de uma ecoalfabetização.
Se almejarmos obter uma vida mais tranquila num mundo mais bem desenvolvido, chegou a hora de pôr um fim na dilapidação que vem sofrendo o capital natural por conta das atividades econômicas exercerem forte pressão sobre os recursos da natureza.
Para isso, é fundamental disseminar essa espécie de “consciência ecológica”. Essa consciência ecológica passa por eliminar o “analfabetismo ecológico”, termo criado por Capra – visando praticar a ecoalfabetização.
Para tanto, desde a base, ou seja, a partir dos primeiros anos de ensino-aprendizagem, se faz necessário colocar nossos alunos em contato com os valores que norteiam às ciências ecológicas.
Em paralelo, há de se desenvolver uma política nacional de educação ecológica, uma verdadeira ecoalfabetização que seja capaz de sensibilizar a todos para a importância que representa o sistema ecológico em nossas vidas.
Nossos alunos precisam ser ensinados que o crescimento econômico – quando acontecer – deve vir em conjunto com a justiça social, sempre resguardando a proteção do meio ambiente.
Faz-se necessário ainda, nesse rol de ações, desenvolver plena consciência de que a natureza é a provedora inicial das necessidades humanas e dela dependemos para sobreviver.


* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana – Cuba.
** Publicado originalmente no site Adital.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Deixar o armário e as gavetas organizados em uma rotina cada vez mais cheia de compromissos pode ser difícil, pois toma algum tempo. Porém, com algumas atitudes simples, isso é possível. Hoje você irá aprender uma maneira fácil, barata e sustentável de colocar roupas, maquiagens e até mesmo materiais de papelaria e escritório em ordem.
A maioria das pessoas não dispensa um bom sorvete de massa, não é mesmo? Que tal aproveitar esses potes para organizar seu armário e gavetas? É simples! Basta lavá-los bem e colocá-los um ao lado do outro. Além de ser uma forma prática de deixar seus artigos arrumados, é uma maneira também de contribuir para a preservação do meio ambiente, visto que produtos feitos de plástico levam cerca de 100 anos para se decomporem.


5 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Para guardar camisetas e outras roupas mais volumosas, coloque peças da mesma cor ou de acordo com a frequência que as usa, assim, ficará mais fácil o acesso a elas. Com os potes, é possível também armazenar calcinhas, sutiãs, meias e cuecas em um único lugar, além de joias, bijuterias, lenços umedecidos, maquiagens, objetos de papelaria e o que mais você quiser! Essa é uma boa ideia ainda para mães de recém-nascidos, que podem colocar não só as roupinhas, separando-as por cor ou estação, como também fraldas e outros artigos do bebê.





3 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Quanto às cores, é possível utilizar potes de uma mesma tonalidade, proporcionando uma decoração mais padronizada e discreta, ou misturar diferentes tons, como vermelhos e amarelos, para criar algo mais alegre, descontraído e moderno. Outra dica é encapá-los com tecidos e papéis estampados – sugestão que vale não só para organizar gavetas, como também para criar lindas caixinhas.


7 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Abuse da criatividade e faça itens práticos e ecologicamente corretos para usar em sua casa ou no escritório!





1 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete


E você, têm mais alguma sugestão de como usar essas potes? Conte para a gente nos comentários!

Fonte: www.atitudessustentaveis.com.br