Conheça o Programa Ipê Amarelo

Mostrando postagens com marcador desenvolvimentosustentavel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desenvolvimentosustentavel. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Conheça 7 materiais e tecnologias sustentáveis para sua reforma

Causas ambientais estão cada vez mais inseridas no cotidiano da sociedade


É possível ter uma casa com práticas sustentáveis para ajudar o meio ambiente e gerar economia (Fotos: Shutterstock)
É possível ter uma casa com práticas sustentáveis para ajudar o meio ambiente (Fotos: Shutterstock)

Englobar economia, sociabilidade e práticas ambientais está se tornando algo cada vez mais importante na vida das pessoas. Se você acha que a reforma da sua casa é uma oportunidade para fazer escolhas mais sustentáveis, essa dica é pra você. E o melhor, tem opções para todos os bolsos.
Existem diversas formas de praticar a sustentabilidade dentro de casa e de forma barata e rápida. Dicas como reciclagem e economia de água já está mais do que clara na cabeça das pessoas e devem ser práticas rotineiras.
Mas, a sustentabilidade não para por aí. Outras coisas, um pouco mais complexas, podem fazer com que os hábitos de sua vida mudem. O site 100 Pepinos separou uma lista de materiais e tecnologias sustentáveis que você pode aplicar na sua próxima reforma.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Brasil precisa aumentar o percentual de investimentos em energias renováveis


por Redação da FBDS
eolica Brasil precisa aumentar o percentual de investimentos em energias renováveis 

Entre as metas estabelecidas pelo estudo estão a necessidade de o Brasil recuperar com urgência cerca de 110 milhões de hectares de área de pasto, que sofrem de grave processo de degradação ambiental, e de aumentar o percentual de investimentos em energias renováveis.


A Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), presidida pelo empresário e ambientalista Israel Klabin, lançou nesta segunda-feira, 17 de novembro, a segunda fase da coletânea de estudos Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil. Na ocasião, foram apresentados, pelos próprios idealizadores, os seis cadernos que compõem o projeto, com indicadores para os seguintes temas: Água, Energia, Transportes, Resíduos sólidos, Agricultura e Mercado Financeiro.

A coletânea, que será distribuída para empresas, órgãos do governo e formadores de opinião em geral, apresenta uma radiografia completa dos seis setores da atividade econômica sob o olhar da sustentabilidade, e foi desenvolvida com total autonomia pelos principais especialistas das áreas ao longo de um ano.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Tchau, lâmpadas gastonas

Todas as incandescentes não serão mais vendidas a partir de junho de 2017. É bom já ir trocando as da sua casa. Conheça as alternativas
    
Wikimedia Commons
 
Aos poucos, todas as lâmpadas incandescentes estão sendo retiradas do mercado. No fim de junho, as de 75 W e 100 W vão parar de ser fabricadas no Brasil. Isso porque esse tipo de lâmpada gasta muito mais energia do que as outras. De toda energia que ela consome da rede, apenas 8% se torna luz de fato. O resto é transformado em calor. O prazo final para que todas as incandescentes deixem de ser comercializadas é junho de 2017. É bom já ir trocando as da sua casa. Veja as alternativas:

LED

É a mais econômica. Pode consumir até 95% menos energia do que a incandescente. Já existem modelos amarelados, que deixam o ambiente mais acolhedor.

FLUORESCENTE
Uma lâmpada fluorescente compacta eletrônica de 23 W pode substituir uma incandescente de 100 W. Você terá a mesma luz gastando 77% menos energia.

HALÓGENA
As lâmpadas incandescentes duram entre 750 e mil horas. As halógenas duram o dobro do tempo. Você vai gastar bem menos com a reposição do produto
 
Fonte: Planeta Sustentável

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ética, amor e sustentabilidade: uma estrada de mão única

 

clovis de barros seminario sebrae de sustentabilidade Ética, amor e sustentabilidade: uma estrada de mão única
Foto: Rodrigo Lorenzon
 
Professor de Ética da USP, Clóvis de Barros Filho, fala de filosofia e evolução de valores no Seminário Sebrae de Sustentabilidade
 
Cuiabá (MT) – Felicidade, amor, convivência, harmonia com o cosmos, estão relacionados com sustentabilidade e ética, segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), Clóvis de Barros Filho. Ele foi o último palestrante do primeiro dia do Seminário Sebrae de Sustentabilidade, que está sendo realizado no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá (MT), até esta quinta-feira (31). Muito aplaudido, fez um resgate do significado da palavra ‘ética’, desde a definição aristotélica, passando por Jesus de Nazaré, Maquiavel e Kant, até os dias atuais, quando o conceito sustentabilidade norteia ou pretende nortear as ações e valores da sociedade e mercado.
“Nunca se falou tanto em ética como atualmente. Esta palavra antes era prerrogativa de filósofos”, disse o professor, que é mestre e doutor em Direito pela Escola de Paris e livre docente da USP. Aristóteles relacionava o conceito de ética com qualidade da vida, desfrutada pelo indivíduo que aproveitava e desenvolvia seus talentos, virtudes e potencialidades e assim se harmonizava com o cosmos e era feliz.
Já o Mestre Jesus de Nazaré ensinou à humanidade que ético era amar o próximo. A felicidade está na capacidade de fazer a alegria do outro, do amado. O amor vale mais do que a vida. Na ética cristã, o sentido do trabalho é melhorar a vida de alguém, antes de mais nada, não é bater metas, conquistar ganhos pessoais e conquistar mercado, segundo Clóvis.
“O acúmulo desenfreado de bens não aumenta a sua felicidade”, disse o professor, se referindo aos ensinamentos de Jesus. O bom da vida não é ser amado, mas amar, complementou.
Por volta do ano de 1600, Newton e Copérnico causam grande perturbação ao provar que o universo não é finito como supunha Aristóteles. O sistema solar é apenas um entre tantos outros. Surge uma nova ética: a de Maquiavel, também conhecida como a ética de resultados. Para ele, conduta boa é aquela que permite bater metas, atingir os fins, resume o palestrante.
Mas, na verdade, ética não pode depender de resultado. Aparece o filósofo alemão Kant, que lança a Ética dos Princípios, baseada no agir corretamente. Valores como honestidade, integridade, transparência são fundamentais. Vender não é tudo. Resultado não é valor, é consequência.
“Ética é a preocupação de todos com a convivência. É a vitória da vontade geral sobre a vontade de cada um”, ressalta o professor. Uma sociedade eticamente desenvolvida é aquela em que as crianças aprendem que a conduta pessoal não deve comprometer a convivência com a família e a sociedade.
Levar vantagem e obter resultados e prazer em detrimento de outros é totalmente antiético, alertou Clóvis. Uma sociedade que tem esta característica cultural é motivo de grande preocupação. Equivale a uma convivência totalmente sem harmonia, onde cada um luta por si, como no reino animal, comparou.
O palestrante citou a torcida japonesa durante os jogos na Copa 2014 como exemplo ético, pois aguardava os torcedores saírem dos estádios para fazer a faxina. Recolhia os resíduos deixados nas arquibancadas em sacos de lixo e os descartavam corretamente. A convivência vale mais do que a comodidade pessoal, foi a lição dos japoneses, disse.
Nos banners corporativos a palavra sustentabilidade aparece com ênfase, citou. Em francês, usa-se a palavra ‘durabilité’, que significa durabilidade. Para o palestrante, ela traduz melhor a ideia que se pretende transmitir. “Conduta boa é aquela que faz com as coisas boas durem”, observou.
Para ele, sustentabilidade não está relacionada apenas ao meio ambiente e à necessidade de preservar a natureza. Também se refere aos valores morais que devem ser aplicados entre as pessoas, acrescentou.
Por outro lado, há que se ponderar o que queremos que perdure. Quais são os valores que desejamos que continuem como são? “É preciso ter cautela”, argumentou.
Clóvis disse que devemos conservar o que é bom e transformar o que é ruim. No Brasil, por exemplo, possuímos índices muito negativos que batem recordes mundiais em concentração de riquezas e desigualdade social. “Para viver melhor, temos que transformar, modificar, revolucionar esta situação”, enfatizou.
O objetivo da ética é aperfeiçoar a convivência e não pode estar baseada em uma verdade pré-estabelecida. Ética é inteligência voltada ao futuro. “Se a palestra estivesse sendo feita há dez anos, haveria pessoas fumando na plateia. Hoje não há, pois os valores mudaram e a convivência foi aperfeiçoada”.
O professor também lembrou que a palavra corrupção é um ato de duas pessoas. O prefixo co possui este significado. “É um ato que envolve o corruptor e o corrompido, destrói o tecido social, destrói a convivência em nome de ganho pessoal”, salientou.
Ao contrário, quando se vive um momento feliz, o desejo é de torná-lo o mais duradouro possível, como um processo contínuo de construção. Este é o sentimento que move a ética, o amor e a sustentabilidade. A humanidade quer felicidade sustentável, duradoura. O palestrante foi muito aplaudido.
* Publicado originalmente no site Centro Sebrae de Sustentabilidade.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Telescópios investigam relação entre ciclo do Sol e clima

Pesquisadores brasileiros querem descobrir possíveis relações entre a atividade solar e as mudanças climáticas. Segundo eles, já se sabe que os ciclos do Sol e suas flutuações se influenciam a intensidade com que raios cósmicos atingem o planeta, apesar de não serem uma das principais causas das mudanças climáticas globais
    
 

 

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) construíram dois telescópios que vão funcionar de forma sincronizada na detecção contínua de partículas derivadas da radiação do Sol para investigar possíveis relações entre os ciclos solares e as variações climáticas da Terra.

O trabalho é resultado da pesquisa "Detecção e estudo de eventos solares transientes e variação climática", realizada no âmbito de um acordo de cooperação entre a Fapesp e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que tem como objetivo apoiar projetos cooperativos e intercâmbio de pesquisadores e estudantes em áreas ligadas às mudanças climáticas globais.

De acordo com o coordenador da pesquisa na Unicamp, Anderson Campos Fauth, professor associado do Instituto de Física Gleb Wataghin, já se sabe que os ciclos solares e suas flutuações apresentam alguma relação com a intensidade com que os raios cósmicos atingem a Terra, apesar de não serem considerados uma das principais causas das mudanças climáticas globais.

"Não existe um consenso sobre o mecanismo que relaciona a atividade solar e as mudanças climáticas. Há uma hipótese de que o aumento do fluxo de raios cósmicos pode estar associado ao surgimento de nuvens baixas, que globalmente exercem um efeito de resfriamento e, nas regiões polares, onde a incidência da radiação solar é baixa, têm impacto contrário, provocando aquecimento", disse.

Fauth explica que cientistas têm observado que certos fenômenos climáticos - oceanos mais quentes, maior quantidade de chuvas tropicais, menos nuvens subtropicais, circulação mais intensa de ventos - parecem estar em parte associados ao ciclo de atividade solar, que dura em média 11 anos.
"Entretanto, esses estudos estão em fase inicial e é necessário fazer novas observações das radiações emitidas pelo Sol, principalmente quando surgem atividades como as explosões solares, e monitorar suas variações sazonais", ponderou.

Diante disso, o trabalho da Unicamp e da UFF com os telescópios foca em um dos sinais do ciclo solar: a presença e o comportamento das partículas múons na atmosfera terrestre.

O múon é a mais abundante partícula com carga elétrica presente na superfície da Terra, representando cerca de 80% dos raios cósmicos com carga elétrica em altitudes próximas ao nível do mar. A cada segundo surgem, aproximadamente, 140 múons por metro quadrado.

O fato de a partícula quase sempre possuir trajetória retilínea facilita sua detecção com um arranjo de poucos detectores. "Essas partículas permitem estudar os eventos solares em uma região de energia que os satélites e os monitores de nêutrons posicionados na superfície terrestre não observam", explicou Fauth.

O ano de 2014 é propício à detecção de múons pelos telescópios da Unicamp e da UFF. Ao longo deste período, o ciclo atual do Sol atinge sua máxima atividade: o número de manchas solares observadas aumenta consideravelmente e os flares - explosões que ocorrem na superfície do Sol - irrompem com grande intensidade, libertando milhões de toneladas de gás magnetizado.

Além disso, Campinas e Niterói, onde os telescópios estão instalados, têm localização privilegiada para a detecção de partículas derivadas da radiação solar, pois estão próximas à região central da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (SAA, da sigla em inglês), onde a resistência magnética para entrada de partículas carregadas vindas do espaço é muito baixa.

A maioria dos detectores de partículas solares energéticas está instalada próximo às regiões dos polos porque, nas outras regiões, o campo magnético da Terra desvia as partículas carregadas. Mas na região da SAA há uma intensidade magnética muito inferior, uma espécie de buraco na magnetosfera que se comporta como um funil.

TELESCÓPIO MUONCAO telescópio construído na Unicamp, que recebeu o nome Muonca, iniciou em abril a tomada de dados contínua, utilizando quatro detectores de partículas. Os detectores da UFF entraram em funcionamento em junho, no modo monitor - quando se realiza a contagem dos múons, sem determinar ainda sua direção de chegada.

O Muonca utiliza quatro detectores de partículas idênticos. A partícula múon, ao atravessar o cintilador do detector, produz uma luz que permite o registro de sua passagem. Um computador é utilizado no sistema de aquisição de dados, e as informações brutas são registradas em arquivos diários.

O telescópio da Unicamp foi construído em dois anos, incluindo o tempo para os processos de importação, realização dos projetos, desenhos técnicos das peças, execução por técnicos da universidade e de empresas privadas, montagem por membros do grupo de pesquisa, desenvolvimento do software de aquisição de dados e calibração dos detectores, além da programação dos códigos de análise dos dados.

O experimento opera continuamente, 24 horas por dia, e os pesquisadores desenvolvem agora um sistema que alerte por e-mail e SMS quando ocorrer algum problema ou possível evento solar na aquisição dos dados.

Recentemente, os detectores instalados em Campinas e Niterói registraram simultaneamente uma tempestade geomagnética. De acordo com Fauth, os dados estão sendo avaliados para publicação e os primeiros resultados conjuntos dos dois telescópios serão apresentados em setembro no 34º Encontro Nacional de Física de Partículas e Campos, organizado pela Sociedade Brasileira de Física em Caxambu (MG).

Fonte: Diego Freire-Agência Fapesp

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que é obsolescência programada?


Trata-se de uma estratégia de empresas que programam o tempo de vida útil de seus produtos para que durem menos do que a tecnologia permite. Assim, eles se tornam ultrapassados em pouco tempo, motivando o consumidor a comprar um novo modelo.
   
 
 

 

Os casos mais comuns de obsolescência programada ocorrem com eletrônicos, eletrodomésticos e automóveis. É algo relativamente novo: até a década de 20, as empresas desenhavam seus produtos para que durassem o máximo possível. A crise econômica de 1929 e a explosão do consumo em massa nos anos 50 mudaram a mentalidade e consagraram essa tática. É uma estratégia "secreta" dos fabricantes para estimular o consumo desenfretado.

Esta reportagem foi produzida a partir da pergunta de Pedro Carvalho Couto Amorim, de Montes Claros/MG, leitor da revista Mundo Estranho.

VIDA BREVE
Atualmente, a principal justificativa das empresas para criar novos modelos de um produto é o avanço da tecnologia. Mas há quem duvide dessa explicação. O iPad 4 foi lançado apenas sete meses após o 3, por exemplo. Será que houve mesmo tantos progressos em tão pouco tempo? Uma ONG brasileira ligada aos direitos do consumidor chegou a processar a Apple.

IMPACTO AMBIENTALA troca regular de produtos aumenta a produção de lixo. E o lixo eletrônico contém metais pesados que podem contaminar o ambiente. Além disso, a obsolescência programada estimula a produção, o que gera mais gastos de energia e de matérias-primas, além da emissão de poluentes. Antes de trocar seu celular, pense bem: você realmente precisa de outro, só porque é novo?

NA PISTA PRA NEGÓCIOHoje, há duas versões do fenômeno. Uma delas é a obsolescência percebida: o consumidor considera o produto que tem em casa "velho" porque novos modelos são lançados a toda hora. Você notou que, mesmo no início de 2013, já era possível comprar um carro versão 2014? Isso desvaloriza modelos anteriores e estimula a troca, mesmo que o veículo de 2013 ainda funcione bem.

UMA IDEIA "BRILHANTE"O primeiro caso de obsolescência programada registrado é da década de 1920, quando fabricantes de lâmpadas da Europa e dos EUA decidiram, em comum acordo, diminuir a durabilidade de seus produtos de 2,5 mil horas de uso para apenas mil. Assim, as pessoas seriam forçadas a comprar o triplo de quantidade de lâmpadas para suprir a mesma necessidade de luz.

CONTAGEM REGRESSIVAOutro tipo atual de obsolescência, a funcional, ocorre quando o produto tem sua vida útil abreviada de propósito. O documentário The Light Bulb Conspiracy traz o exemplo de um consumidor dos EUA cuja impressora parou de funcionar - e consertá-la sairia mais caro que comprar uma nova. Ele descobriu que o fabricante incluía um chip que causava a pane após certo número de impressões.

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO? Para alguns, a obsolescência programada não existe. Alguns especialistas refutam a existência dessa prática. Para eles, os bens de consumo se tornam ultrapassados rapidamente pelo avanço da tecnologia - que dá saltos cada vez maiores. "Foi o caso dos primeiros computadores fabricados em grande escala. Os modelos 1.86 nem chegaram a existir, pois já estava em produção o modelo 2.86", afirma o doutor em marketing Marcos Cortez Campomar, da USP.
____________________
Consultoria João Paulo Amaral, pesquisador do Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor (Idec), Gisele da Silva Bonfim, bióloga, e Claudia Marques Rosa, bióloga.

Fonte: Mundo Estranho

sábado, 19 de julho de 2014

Países ricos também devem cumprir novos objetivos de desenvolvimento

 



por Thalif Deen, da IPS
malawi Países ricos também devem cumprir novos objetivos de desenvolvimento
Torneiras públicas em Blantyre, em Malawi. Ativistas afirmam que a água e o saneamento deveriam ser um objetivo em si mesmo na agenda de desenvolvimento posterior a 2015. Foto: Charles Mpaka/IPS
 
 
 
Nações Unidas, 18/7/2014 – A Organização das Nações Unidas (ONU) discute um novo conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que substituirá os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo cumprimento vence no final de 2015. Os novos ODS propostos, cerca de 17 ou mais, serão uma parte integral da agenda de desenvolvimento da ONU posterior a 2015, que, entre outras coisas, busca erradicar da face da Terra a extrema pobreza e a fome até 2030.
Neeli Kroes, da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), disse que a nova agenda das Nações Unidas foi descrita como o “empreendimento em matéria de desenvolvimento mais completo e de maior alcance jamais assumido pela ONU em toda sua história”. Mas Jen Martens, diretor da organização Global Policy Forum (Fórum de Políticas Mundiais), disse à IPS que, no geral, a atual lista de objetivos e metas propostos não constitui uma resposta adequada às crises social, econômica e ambiental que o mundo enfrenta, nem à necessidade de uma mudança fundamental.
Os ODS propostos contêm uma mescla de velhos compromissos reciclados e de novos vagamente formulados, como o que diz: “assegurar a mobilização significativa de recursos de uma variedade de fontes para oferecer os meios adequados e previsíveis a fim de implantar programas e políticas para erradicar a pobreza em todas suas dimensões”, afirmou Martens.
Especialistas em desenvolvimento coincidem em que as nações ricas praticamente não conseguiram cumprir suas obrigações relacionadas com o oitavo dos ODM, que exorta a “fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento” com os países do Sul em desenvolvimento. O Centro do Sul, com sede em Genebra, recomenda: “Os ODS não devem ser um conjunto de objetivos a serem perseguidos apenas pelas nações em desenvolvimento como se fosse um tipo de condição ou de novas obrigações”.
O documento final da Rio+20, como é conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável realizada no Brasil em 2012, especifica que as novas metas devem “ser aplicadas de forma universal a todos os países”, inclusive aos de economias ricas. Os 17 novos objetivos, redigidos por um grupo de trabalho aberto, inclui propostas para erradicar a fome e a pobreza, conseguir vidas saudáveis, oferecer uma educação de qualidade, conseguir a igualdade de gênero e reduzir as desigualdades.
Também prevê o uso sustentável da água e o saneamento, energia para todos, emprego produtivo, industrialização, proteção dos ecossistemas terrestres e fortalecimento da aliança global para o desenvolvimento sustentável. O grupo de trabalho encerra hoje sua 13ª rodada de negociações, provavelmente a última, após a qual deverá elaborar um relatório e apresentá-lo à Assembleia Geral da ONU em agosto. Depois, os governantes dos países membros deverão aprovar o conjunto dos objetivos em setembro do próximo ano. Até então, segundo disse um alto oficial da ONU que pediu para não ser identificado, “poderá haver um monte de acréscimos e eliminações”.
Martens, que monitorou as 12 últimas sessões de do grupo de trabalho, apontou à IPS que os governos não devem repetir o erro cometido com o oitavo ODM sobre a “aliança mundial”, cuja formulação foi tão vaga que não implicou nenhum compromisso vinculante para o Norte industrial. “O que necessitamos são objetivos quantificáveis para os ricos”, opinou.
A agenda posterior a 2015 deve abordar os obstáculos estruturais e as barreiras políticas que impediram o cumprimento dos ODM, como o comércio injusto e as normas de investimento (incluindo o mecanismo de resolução de disputas) e os problemas da evasão e fraude fiscais das transnacionais e das pessoas mais ricas. “Por que não propormos acabar com todos os paraísos fiscais até 2020?, perguntou.
As organizações não governamentais criticaram muito que a água e o saneamento não tenham formado um “objetivo em si mesmo” nos ODM e só foram uma meta secundária do sétimo: “garantir a sustentabilidade do ambiente”.
Nadya Kassam, diretora de campanhas da organização WaterAid, com sede em Londres, afirmou à IPS: “acreditamos que a água e o saneamento devem ser um objetivo em si mesmo depois de 2015, e até onde podemos ver, resulta alentador”. É impensável não incluir esses temas nem a higiene, que são fundamentais para alcançar outros, como o de boa saúde, educação, crescimento econômico, acrescentou. O sueco Jan Eliasson, subsecretário-geral da ONU, deixou clara a importância do saneamento com sua campanha para erradicar a defecação ao ar livre, que WaterAid integra.
Depois de quase 15 anos desde que foram acordados os ODM, foi alcançado o objetivo de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem água potável. Mas na África subsaariana 36% da população ainda não tem acesso a esse recurso. Kassam ressaltou que o acesso ao saneamento continua muito atrasado e, no ritmo atual, a região vai demorar 150 anos só para conseguir a meta prevista nos ODM, que estão por expirar. “Assim, a água, e em particular o saneamento, têm de ser de primordial importância para o futuro”, acrescentou.
Martens disse que é um sinal positivo um dos objetivos propostos nos ODS seja reduzir a igualdade dentro e entre os países. “É de vital importância que este objetivo não se perca na fase final das negociações”, acrescentou. Mas não será suficiente apenas com um objetivo sobre desigualdade; cada ODS deveria ter metas e indicadores sobre a distribuição e a desigualdade, afirmou.
A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou um comunicado no dia 14, indicando que houve um “acalorado debate, com a oposição de alguns integrantes da equipe de trabalho, como Rússia, Cuba e China”, a respeito de um dos ODS sobre informação e meios de comunicação. A proteção de direito à informação corre risco de ser debilitada ou desaparecer de todo e poderia ser substituída por uma vaga referência à liberdade de expressão, acrescenta a nota.
Na Cúpula do Milênio, realizada em Nova York, em setembro de 2000, 189 Estados membros da ONU adotaram a Declaração do Milênio com base em vários documentos surgidos de diferentes conferências internacionais na década anterior e que tratavam sobre população, direitos humanos, ambiente, habitat e desenvolvimento social. Depois, em agosto de 2001, a secretaria da ONU adotou os oito ODM.
Na ocasião, os objetivos não foram redigidos pelos governos por meio de um debate aberto, mas por um comitê criado a partir de vários órgãos da ONU, como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Fundo das Nações Unidas para a Infância, Fundo de População das Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos. Os ODM tampouco foram objeto de uma resolução formal da Assembleia Geral.
As metas pretendiam reduzir pela metade a proporção de pessoas que vivem na indigência e sofrem fome, conseguir a educação primária universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a materna em três quartos, entre 1990 e 2015. Também propunham lutar contra a expansão do vírus HIV, causador da aids, a malária e outras enfermidades, garantir a sustentabilidade ambiental e gerar uma aliança mundial para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul. Envolverde/IPS
 
Fonte: Site Envolverde

sábado, 12 de julho de 2014

207 cidades divulgam estratégias de adaptação às mudanças climáticas



Responsáveis por 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global, por abrigar mais da metade da população mundial e pelo consumo de dois terços do consumo de energia do planeta, as cidades serão as principais atingidas pela mudança do clima, revela último relatório do Painel Intergovernamental pelas Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mobilizados por meio do programa Cities 2014, do CDP*, 207 municípios de todo o mundo – entre eles, 29 brasileiros – divulgaram 757 estratégias e ações de adaptação às mudanças climáticas. “Porém, uma colaboração maior com empresas é necessária para aumentar a resiliência das cidades”, avalia Larissa Bulla, responsável pelo programa.

Segundo novo relatório do CDP, Protecting our Capital, que examina dados de 50 dessas cidades, 76% dos participantes relataram que o aquecimento global pode impactar os negócios, levando o governo local a concentrar suas ações na identificação de riscos e mitigação.

O total de municípios participantes do programa este ano representa quase o dobro de 2013. Segundo o CDP, esse aumento decorre da crescente preocupação das administrações municipais com a responsabilidade ambiental e com o monitoramento do desempenho.

Dados das cidades participantes, como emissões de gases de efeito estufa, riscos, ações de adaptação e atividades de redução de emissões, podem ser consultados no infográfico produzido pela iniciativa (em inglês).

BRASIL
Três quartos das cidades brasileiras informaram que os efeitos da mudança do clima ameaçam sua estabilidade econômica, causam danos a propriedades, infraestruturas, comprometem o bem-estar social, entre outros. Além disso, metade enxerga benefícios no combate às mudanças climáticas, informou a assessoria de imprensa.

A cidade de São Paulo (SP), por exemplo, reportou que durante eventos extremos do climatais como tempestades – houve aumento de enchentes, que impactam negativamente as vias mais importantes do centro da cidade, aumentando o congestionamento e a pressão sobre o sistema de transporte público.

Conheça os 29 municípios participantes: Aparecida (SP), Aracaju (), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Caieiras (SP), Campinas (SP), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Guarulhos (SP), Jaguaré (ES), João Pessoa (PB), Macapá (AM), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Bernardo do Campo (SP), São Luís (MA), São Paulo (SP), Sorocaba (SP) e Vitória (ES).

Fonte: Planeta Sustentável por Marina Maciel

sexta-feira, 11 de julho de 2014

#Somostodosambientalistas


por Heitor Scalambrini Costa*
Sustentabilidade #Somostodosambientalistas


Persiste entre formadores de opinião o uso do termo ambientalista de forma pejorativa, para depreciar os cidadãos que lutam pela causa ambiental, além de também esconder outras intenções, menos ingênuas, como fazer o jogo dos poderosos, dos poluidores, que têm seus interesses contrariados pela persistência daqueles que defendem a preservação do meio ambiente e das condições de vida no planeta.
Os últimos relatórios dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram inquestionavelmente que a ação humana é a principal causa da elevação da temperatura média da Terra, do aquecimento global. Mesmo assim, interesses poderosos das indústrias de combustíveis fósseis e nucleares, da agroindústria, dentre outros, continuam a negar este fato, financiando campanhas que atacam aqueles que propõem mudanças no atual estilo de vida perdulário, no consumo e na produção de matérias primas e energia.
O crescimento sempre foi um objetivo da política econômica. Acreditava-se que o aumento da renda de um país fosse suficiente para proporcionar uma vida melhor a seus habitantes. Portanto, a partir de uma análise simplificada, geralmente utilizando como indicador o Produto Interno Bruto (PIB), anunciava-se que bastava seu aumento para que fosse interpretado que os indicadores de bem estar também o acompanhariam. O que de fato não acontece.
Já há alguns anos, verificam-se os danos causados pelo atual modelo de atividade econômica sobre o planeta. Em nome do crescimento a qualquer preço, tudo é permitido, inclusive a destruição do meio ambiente. As evidências são incontestes de que não é possível mais crescer e enriquecer para atender à melhoria da qualidade de vida da maioria da população. Ou seja: consumir e produzir nos padrões atuais esbarram nos limites físicos do nosso planeta.
Estamos recebendo sinais de que a Terra vem reagindo à quantidade de gases emitidos, denominados de “efeito estufa”, em particular o CO2 (dióxido de carbono), principalmente pelo uso massivo dos combustíveis fósseis. Ao desmatamento desenfreado das florestas para diferentes finalidades. Ao desperdício e poluição das fontes de água doce, reduzindo assim sua disponibilidade, principalmente pelo uso irracional desse bem fundamental à vida. Qualquer vida. Todas as vidas.
O IPCC, através de seus relatórios e pareceres, tem chegado a conclusões científicas irrefutáveis de que o aquecimento global tem provocado aumento significativo na frequência e na intensidade dos “desastres naturais”. A concentração de CO2 na tênue atmosfera que nos protege atingiu os 400 ppm (parte por milhão) em abril de 2014, superando o limite histórico. Valor emblemático, pois é o nível considerado limite pelos cientistas para evitar os piores cenários do clima.
Segundo o IPCC, acima de 400 ppm de CO2 a temperatura média do planeta poderá subir entre 2 e 5 graus centígrados até o final deste século, o que poderá provocar a aceleração do degelo, tempestades mais violentas, graves impactos sobre a biodiversidade, com a inevitável extinção de espécies, e milhões de refugiados ambientais que terão de buscar outro lugar pra viver.
Portanto, mesmo com as evidências, com os alertas científicos, ainda continuamos a não dar a atenção devida a este que é o maior desafio de nosso tempo: as mudanças climáticas. Ela já esta entre nós e se acelerando.
Daí os que lutam pela vida no planeta Terra, por um mundo melhor, por uma sociedade mais igualitária, menos injusta socialmente, onde a renda seja mais distribuída, serem também responsáveis pela preservação ambiental. Ou seja, somos todos ambientalistas (obviamente, com exceção dos que querem manter seus privilégios).
Saiba mais sobre o Fórum Social temático Energia de 10 a 17 de agosto em Brasília aqui.

* Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.
** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Superplanta faz mais fotossíntese

Cientistas americanos criam vegetal que produz mais oxigênio e elimina mais CO2 do ar. Técnica pode resolver problema do aquecimento global




A fotossíntese é uma das invenções mais fascinantes da natureza. A vida na Terra só existe graças a esse processo, que transforma luz e CO2 em oxigênio e glicose. Mas, agora, a engenhosidade humana pode ter descoberto um jeito de turbiná-lo: com a criação de uma planta que faz 30% mais fotossíntese.

O supervegetal foi desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts 1, e é uma versão modificada de plantas do gênero Arabidopsis. Ela absorve mais luz e CO2, libera mais oxigênio e produz mais energia que as plantas comuns. Tudo graças à nanotecnologia.

Os cientistas injetaram nanopartículas de dióxido de cério (um metal raro) nos cloroplastos - as estruturas da planta que fazem a fotossíntese. Essas partículas de metal facilitaram o fluxo de elétrons dentro do vegetal, acelerando a fotossíntese. Aparentemente, a injeção não provocou efeitos nocivos às plantas.

A ideia, para o futuro, é criar grandes usinas só com superplantas. Elas sugariam muito CO2 do ar, o que ajudaria a brecar o aquecimento global. E também usariam a energia do Sol para produzir glicose (que depois poderia ser convertida em eletricidade para uso humano). "Essa técnica tem potencial para melhorar muito a coleta de energia solar", afirma o engenheiro químico Michael Strano, líder do estudo.

O trabalho tem gerado polêmica na comunidade científica, pois não revela todos os detalhes envolvidos no processo (talvez porque o MIT pretenda patenteá-lo). Mas pode ser o início de algo revolucionário.


*Fontes 1. Plant nanobionics approach to augment photosynthesis, Michael Strano e outros, MIT.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O ponto doce da sustentabilidade


por Caio Neumann, para o Ideia Sustentável
Savitz2 O ponto doce da sustentabilidade

Em sua obra mais recente, Talent, Transformation, and the Triple Bottom Line (Jossey-Bass/2013), ainda não publicada no Brasil, Andrew Savitz trata da importância do papel dos setores de Recursos Humanos na “dosagem do açúcar” para se atingir o” ponto doce da sustentabildidade” – uma metáfora sobre o ponto de intersecção entre a geração de valor econômico, ambiental e social.
Confira entrevista exclusiva de Savitz à edição especial de Ideia Sustentável sobre Recursos Humanos e Sustentabilidade.
IS: Em que ponto a área de Recursos Humanos se encontra, considerando a incorporação da agenda da sustentabilidade nos negócios?
Andrew Savitz: A maior parte das empresas está começando a entender que o RH pode e deve ter um papel significativo nos seus esforços de sustentabilidade. Infelizmente, no entanto, nem os profissionais de RH nem os ligados diretamente à sustentabilidade sabem como trabalhar juntos. Foi exatamente por essa razão que escrevi Talent, Transformation and The Triple Bottom Line. Algumas empresas já enxergam na sustentabilidade um fator que pode ajudar a atrair e reter talentos. E até comunicam as suas práticas e iniciativas no momento de recrutar pessoas. Outras integram a sustentabilidade aos esforços de desenvolvimento de lideranças.
IS: O que falta para que as empresas compreendam a importância estratégica da sustentabilidade e incluam o RH na mesa de discussão relacionada ao tema?
AS: É óbvio que os departamentos de Compras, Pesquisa e Desenvolvimento, Meio Ambiente e Segurança podem tornar uma empresa mais responsável. Mas o papel do RH não é tão óbvio. Sustentabilidade pede uma mudança fundamental de cultura. E, por tabela, requer mudanças no desenho da organização e suas capacidades, assim como na força de trabalho do futuro.
IS: E como, em relação ao tema, o RH pode atuar na prática?
AS: Começando por ser mais consciente de que ele tem um papel importante. Hoje, e cada vez mais, as empresas que quiserem ser bem-sucedidas nos diferentes mercados terão de contabilizar os fatores ambientais e sociais. À medida que a sustentabilidade ganha centralidade na estratégia do negócio, o RH precisa se envolver e participar mais diretamente da condução do tema nas companhias.
IS: Quais devem ser as tarefas principais do RH?
AS: Os gestores de RH precisam, antes de mais nada, entender como a sustentabilidade está afetando as metas de negócio da companhia. A sustentabilidade pode demandar novas habilidades, como na indústria automotiva, que precisa contratar engenheiros capazes de projetar carros elétricos. Isso pode exigir novas formas de colaboração com pessoas de fora da empresa. Cabe ao RH, por função, apoiar transições desse tipo.
IS: Muitos gestores de RH alegam não fazer mais pelo tema porque, apesar das oportunidades que ele proporciona, ainda encontram resistências por parte da alta direção da empresa. Como superar essas resistências?
AS: Bons argumentos são fundamentais. O profissional de RH precisa reunir informações de pesquisa, estudos de caso e números que não deixem dúvidas sobre a importância da sustentabilidade para os resultados do negócio. Há muitos dados disponíveis.
IS: Quais as melhores práticas de atuação de RH em sustentabilidade que o senhor identificou na pesquisa para o livro?
AS: Reuni alguns bons cases, todos eles muito inspiradores. A Starbucks é um caso exemplar de engajamento dos funcionários. Já a General Electric está entre as melhores experiências de mudança de cultura e de intersecção entre as estratégias de negócio, de sustentabilidade e de talentos. Na Ingersoll Rand, identifiquei uma prática exitosa, e muito útil para empresas, de mensuração da correlação entre a sustentabilidade e o nível de lealdade dos funcionários.
IS: Em relação a programas de desenvolvimento para a sustentabilidade voltados para líderes, quais exemplos destacaria?
AS: A Mahindra&Mahindra, uma montadora líder na Índia que considera a sustentabilidade em cada aspecto dos programas de desenvolvimento dos seus líderes. A Unilever também é sempre um destaque certo. Gosto da iniciativa de enviar jovens líderes para países em desenvolvimento onde eles aprendem sobre mercados e sustentabilidade.
IS: Se tivesse que dar um conselho a um CEO para empoderar o RH para uma mudança rumo à sustentabilidade, o que diria?
AS: Proporia dois passos. O primeiro consiste em assegurar que o gestor de RH compreenda realmente como a sustentabilidade pode contribuir, efetivamente, para a missão central do próprio RH, como recrutamento, retenção de talento, motivação, desenvolvimento de carreira, entre outros. O segundo passo é criar as condições para que os profissionais de RH estabeleçam relacionamentos produtivos com os profissionais ligados à sustentabilidade na organização. Essa colaboração é fundamental.
IS: O que o levou a escrever um livro tratando da relação entre o RH e a sustentabilidade?
AS: Sustentabilidade pressupõe mudanças. Não vejo outra maneira de as companhias mudarem senão fazendo com que as pessoas dentro dela mudem. De uma política de incentivos e compensações até o treinamento e o desenvolvimento de carreira, ao cuidar de quem é contratado e com base em determinados critérios, os profissionais de RH têm em mãos as melhores ferramentas para acelerar a mudança nas organizações.


Clique aqui para baixar gratuitamente a edição completa da pesquisa e ler a íntegra da entrevista com Savitz.

* Publicado originalmente no site Ideia Sustentável.
(Ideia Sustentável)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

#SOSJURUENA - em defesa do quarto maior parque nacional do País


Criado em junho de 2006, o Parque Nacional do Juruena, situado ao norte do Mato Grosso e sudeste do Amazonas, é o quarto maior parque nacional do país, com quase 2 milhões de hectares, uma área equivalente ao tamanho de Israel. Além disso, a unidade de conservação (UC) é parte do maior sistema de rios do país (Bacia do Tapajós), possui a maior diversidade e produtividade de água doce do planeta e ocupa uma posição estratégica no chamado Arco do Desmatamento, garantindo a conectividade ambiental das áreas protegidas vizinhas e entre a Amazônia e o Cerrado.

Apesar de toda a sua beleza e grandiosidade, parte dessa biodiversidade pode deixar de existir. No dia 24* de junho de 2014, o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realiza uma importante reunião que poderá definir o futuro do Parque. O órgão poderá declarar como de “utilidade pública” parte do Parque Nacional do Juruena, o que seria o primeiro passo para permitir a redução da área protegida para a construção das usinas hidrelétricas de São Simão Alto e Salto Augusto Baixo. Elas são parte de uma série de sete hidrelétricas que o governo planeja cravar na Bacia do Tapajós, em que o Juruena se encontra, com alto impacto socioambiental.

Para alertar a sociedade sobre essas ameaças ao Parque Nacional do Juruena e à Bacia do Tapajós, o WWF-Brasil lança, hoje (2), a campanha SOS Juruena. A partir da inciativa, queremos pedir o apoio da sociedade para, juntos, pressionarmos o governo para não permitir a construção das hidrelétricas dentro do Parque Nacional do Juruena e assim garantir que esta Unidade de Conservação se mantenha íntegra.

Se construídos, apenas os reservatórios inundarão mais de 40 mil hectares no Parque Nacional do Juruena e nos parques estaduais Igarapés do Juruena e Sucunduri, e nas terras indígenas Escondido, dos Apiakás do Pontal e de nativos isolados. Além das populações locais, as barragens afetariam ainda a sobrevivência de 42 espécies de animais ameaçadas ou que só existem naquela região, colocando em risco as corredeiras do rio Juruena e inviabilizando processos ecológicos vitais para peixes migratórios, por exemplo.

“Quando uma espécie de pássaro ou de planta morre, ela acaba para sempre. Não há ciência que permita que ela seja recuperada. No caso de um Parque como o Juruena são dezenas de espécies que só existem e são protegidas pelo Parque. Mesmo que o Juruena seja muito longe de São Paulo ou Brasília, o Parque tem dentro dele um acervo de cada brasileiro, que se for perdido não vai ser recuperado, nem assumido por outra unidade de lugar nenhum”, avalia Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

De acordo com Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil, é inaceitável que áreas protegidas, como o Juruena, criadas mediante exaustivos estudos socioambientais, acordos políticos entre governos e setores produtivos e indispensáveis à manutenção de serviços ambientais, tenham sua integridade ameaçada por decisões unilaterais de conselhos exclusivamente governamentais. “A única solução que nós vemos é a não construção dessas hidrelétricas no Parque. Não somos contra o desenvolvimento do país e a geração de energia elétrica, mas sim contra a falta de clareza e transparência pelos quais os processos são desenvolvidos”, explica.

Debate democrático

A construção de hidrelétricas sem a avaliação das alternativas existentes e debate amplo com a sociedade aumentam desmatamentos, degradação socioambiental, alagamentos e barramentos desnecessários de rios. Em regiões bastante preservadas da Amazônia, como a Bacia do Tapajós, esses efeitos são multiplicados. “Criam-se novas fronteiras de desmatamento, de urbanização desordenada e de deterioração socioambiental e cultural profundas, além das emissões significativas de gases de efeito estufa e a degradação irreversível da maior reserva de água doce do planeta”, esclarece Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Timmers defende ainda a abertura da discussão sobre a política energética brasileira para toda a sociedade, com debate qualificado, transparente e democrático. “Sustentabilidade real e concreta pressupõe transparência e participação social ampla, de forma a garantir equilíbrio entre fatores econômicos, sociais e ambientais na formulação de políticas públicas, na tomada de decisões e nas ações que afetem o conjunto ou parte do território e dos brasileiros. Não é possível que uma decisão unilateral do CNPE desconsidere todo o esforço da sociedade e dos governos em criar um parque dessa importância na Amazônia e pôr em risco um patrimônio de todos os brasileiros”, diz o representante do WWF-Brasil.

 

Fonte: Site WWF

terça-feira, 24 de junho de 2014

Uma nova era ambiental

É tempo de deixar de ser o que éramos para nos transformar no que somos capazes de ser”
Marianne Williamson

1164 300x225 Uma nova era ambiental

“Tenho a sensação de estar vivendo o final de muitas épocas”, escreveu Miguel Delibes, que sempre mirava o futuro. A imensa maioria dos dirigentes vive ancorada no passado sem se dar conta de que, por fim, depois de séculos e séculos de poder absoluto masculino, em que a imensa maioria dos seres humanos eram anônimos, invisíveis, obedientes, tementes, agora se avizinham, a passos largos, profundas transformações que nos permitirão progressivamente “ser” todas as pessoas, passando de espectadores passíveis a atores.
Será possível colocar em prática a lúcida expressão de “Nós, os povos…” com a qual se inicia a Carta das Nações Unidas, porque as novas tecnologias da informação e comunicação permitiram a um considerável número de seres humanos “fazerem-se visíveis”, participarem, exporem seus pontos de vista, seus protestos e suas propostas. Com isso, adquiriram uma cidadania mundial e uma consciência global que lhes permite comparar, apreciar o que têm e conhecer as precariedades alheias. Mas, para a mudança de época é, sobretudo, imprescindível contar com a participação feminina, com seu inerente respeito à vida e utilizar sem propensões a força e o domínio para impor seus critérios – de tal modo que a equidade seja um dos principais pilares do novo paradigma.
O mundo deve hoje conhecer e reconhecer o insólito poder cidadão. A sociedade civil, submissa desde a origem dos tempos, passará agora a ser protagonista, em poucos anos, de múltiplas mudanças, apesar da inércia, apesar das travas de toda ordem que serão colocadas por aqueles que continuam presos ao ontem e não querem aceitar as responsabilidades que lhes são incumbidas para superar a crise sistêmica que afeta a humanidade e que tantos rompimentos vem produzindo – particularmente, no tecido social mais vulnerável.
Se não há evolução, haverá revolução, agora sem derramamento de sangue porque se dará, sobretudo, no ciberespaço. Os que impuseram suas ambições hegemônicas e substituíram os valores éticos pelas leis do mercado e as Nações Unidas por grupos plutocráticos (G6, G7, G8… G20) são culpados não apenas do naufrágio econômico, mas de ter levado, no começo do século e do milênio, a desigualdades sociais inadmissíveis e a uma total ausência de liderança institucional e pessoal. De fato (não me canso de repetir porque é um ensinamento para a ação cotidiana), 60 mil pessoas, em sua maioria crianças de um a cinco anos, morrem de fome todos os dias, ao passo que são investidos 4 bilhões de dólares em armas e gastos militares.
Agora vêm ao caso os preciosos versos de José Ángel Valente:
“Eu lhes escrevo de um naufrágio.
Do que temos destruído
diante de tudo, em nós…
mas lhes escrevo também da vida
de um mundo vindouro”.
Para isso, seria imprescindível que se abrissem os horizontes de tantos moradores da Terra que estão confinados. Para que eles pudessem escapar. Para que fossem iguais em dignidade… Tudo isso está a caminho. O mundo “vindouro” se aproxima a passos largos. As novas tecnologias da informação e da comunicação são peças essenciais dessa repentina “epifania” humana, desse deixar de ser imperceptíveis e silenciosos.
“O compromisso supremo de cada geração”, dizia o Presidente Nelson Mandela, “é levar em conta a geração seguinte”. A responsabilidade intergeracional deve vir para o primeiro plano, em um momento no qual, obcecados com o presente de alguns poucos, nos damos conta de que nos esquecemos do mais importante: o bem-estar de nossos filhos e descendentes, a habitabilidade da Terra, a qualidade de um contexto ecológico no qual todos os seres humanos, já identificáveis, visíveis e capazes de se expressar, possam exercer plenamente suas faculdades distintivas.
Estamos no advento do antropoceno – as atividades humanas incidem no meio ambiente – e a força da razão deve se impor de uma vez sobre a razão da força. Mas os grandes consórcios mundiais continuam baseando a “marcha” da humanidade nos combustíveis fósseis.
É urgente, como em todos os processos potencialmente irreversíveis, diminuir, mediante um grande pacto supervisionado pelas Nações Unidas, por meio de um Conselho de Segurança do Meio Ambiente, as gravíssimas alterações que já estão sendo produzidas neste momento.
Em poucos anos, deve-se favorecer a recaptura do anidrido carbônico pelo fitoplâncton dos mares, achar as ligas que permitam o transporte de grandes quantidades de eletricidade, promover as energias renováveis (fotovoltaica, termossolar, eólica… painéis nas casas e nos edifícios, carros híbridos e elétricos…), investindo de uma vez por todas em segurança vital uma parte – bastariam 30 ou 40% – do que atualmente representa a segurança militar, que abrange apenas 20% da humanidade. No lugar de tantos aviões típicos de guerras passadas, é urgente dispor de aviões e artifícios para lutar contra os incêndios, as inundações, as catástrofes naturais e de toda índole, mediante estratégias cientificamente projetadas.
O poder cidadão deverá situar entre suas primeiras reivindicações o desarme nuclear imediato. Trata-se de outro grande pacto global promovido por um colossal clamor dos cidadãos do mundo.
Nos últimos anos, proliferaram-se os diagnósticos. Agora faltam os tratamentos a tempo para favorecer uma autêntica remodelação em escala mundial, antes que seja tarde demais. É preciso um novo paradigma – cuja proposta é liderada pelos professores Ivo Slaus e Garry Jacobs da Academia Mundial de Arte e Ciência – que eu tenho certeza de que não tardará a se adaptar graças ao “grito das pessoas”, de “Nós, os povos”, atuando com firmeza.
Com as Nações Unidas refundadas, dispondo de uma Assembleia Geral integrada igualmente por Estados e por representantes da sociedade civil, além do Conselho de Segurança atual e do acima mencionado, um Conselho de Segurança Socioeconômico, será possível a transição da atual economia de especulação, deslocamento produtivo e guerra para uma economia de desenvolvimento global sustentável e humano que possa se tornar realidade em poucos anos. Obcecados pelo curto prazo, acreditam que, em um mundo finito, se possa crescer indefinidamente sem substituir o que se consome, sem atender cuidadosamente a conservação da Terra, sem imaginar novos caminhos para o amanhã. O que é infinita é a criatividade que distingue os seres humanos. É essa a nossa esperança para resolver tanto as crises econômicas como as sociais que delas derivam.
A Carta da Terra estabelece em seu preâmbulo: “Estamos em um momento crítico da história da Terra, no qual a humanidade deve escolher seu futuro”.
“Nenhum desafio está além da capacidade criadora da espécie humana”, proclamou o Presidente John F. Kennedy em 1963. É imprescindível tornar possível aquele desenvolvimento integral, endógeno, sustentável e humano que se defendeu então como a melhor fórmula para a governança mundial, de tal modo que os seres humanos, e não apenas uns poucos, possam se beneficiar do progresso científico.
Apenas em um contexto de democracia genuína será possível passar de uma cultura de imposição, violência, domínio e guerra para uma cultura de encontro, conversação, conciliação, aliança e paz.
O imenso poder das redes sociais será a pedra angular da grande transição de súditos para cidadãos plenos, da força para a palavra. A Revolução Digital será, por seu âmbito e profundidade, a mais importante desde a origem dos tempos. Em termos antropológicos, sociais e econômicos, o mundo já não será como antes. A maior longevidade contribuirá para dispor de conhecimentos e experiências que permitam tornar realidade o sonho universal da igual dignidade humana. O bairro próspero da aldeia global se ampliará de tal modo, que as assimetrias e desigualdades que hoje ofuscam o horizonte serão reduzidas até desaparecerem.
Em resumo, nós nos encontramos em um momento de profundas transformações sociais, que ocorrem com uma rapidez sem precedentes. Situações sem precedentes que, como indicou Amin Maalouf, requerem soluções sem precedentes. E, quase inadvertidamente, nos encontramos diante de um novo ser humano capaz de intervir, de expor suas opiniões, de assumir plenamente as funções que lhes são correspondidas. O tempo do silêncio, da obediência, do anonimato… acabou.

Uma nova era se avizinha.
“E que seja ouvida
a voz de todos, solenemente e clara
que tudo está por fazer e tudo é possível
mas, quem senão todos?”
Esse poema escreveu de maneira lúcida Miquel Martí i Pol.
A voz de todos. Por fim, falar, falar todos.
A palavra, a nova era, o novo começo.

* Federico Mayor Zaragoza é ex-Diretor Geral da UNESCO, Presidente da Fundação Cultura de Paz.
** Publicado originalmente no site da revista Eco21.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Deixar o armário e as gavetas organizados em uma rotina cada vez mais cheia de compromissos pode ser difícil, pois toma algum tempo. Porém, com algumas atitudes simples, isso é possível. Hoje você irá aprender uma maneira fácil, barata e sustentável de colocar roupas, maquiagens e até mesmo materiais de papelaria e escritório em ordem.
A maioria das pessoas não dispensa um bom sorvete de massa, não é mesmo? Que tal aproveitar esses potes para organizar seu armário e gavetas? É simples! Basta lavá-los bem e colocá-los um ao lado do outro. Além de ser uma forma prática de deixar seus artigos arrumados, é uma maneira também de contribuir para a preservação do meio ambiente, visto que produtos feitos de plástico levam cerca de 100 anos para se decomporem.


5 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Para guardar camisetas e outras roupas mais volumosas, coloque peças da mesma cor ou de acordo com a frequência que as usa, assim, ficará mais fácil o acesso a elas. Com os potes, é possível também armazenar calcinhas, sutiãs, meias e cuecas em um único lugar, além de joias, bijuterias, lenços umedecidos, maquiagens, objetos de papelaria e o que mais você quiser! Essa é uma boa ideia ainda para mães de recém-nascidos, que podem colocar não só as roupinhas, separando-as por cor ou estação, como também fraldas e outros artigos do bebê.





3 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Quanto às cores, é possível utilizar potes de uma mesma tonalidade, proporcionando uma decoração mais padronizada e discreta, ou misturar diferentes tons, como vermelhos e amarelos, para criar algo mais alegre, descontraído e moderno. Outra dica é encapá-los com tecidos e papéis estampados – sugestão que vale não só para organizar gavetas, como também para criar lindas caixinhas.


7 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Abuse da criatividade e faça itens práticos e ecologicamente corretos para usar em sua casa ou no escritório!





1 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete


E você, têm mais alguma sugestão de como usar essas potes? Conte para a gente nos comentários!

Fonte: www.atitudessustentaveis.com.br 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tatu símbolo da Copa ganha plano para conservação

Com o início da Copa do Mundo no Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promove o Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do tatu-bola, mascote oficial do evento. O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste, e a avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutes matacus, o tatu-bola-do-Centro-Oeste.

O tatu-bola faz parte de um grupo de 11 espécies de tatu existentes no Brasil e é primo do tamanduá e das preguiças. As principais ameaças à sobrevivência são, principalmente, a caça predatória e destruição do habitat causadas pela expansão da agropecuária, intensificada na última década.
Ele ganhou esse nome pois tem três cintas móveis no dorso, que o permite fechar completamente sua carapaça, formando uma bola. Esse é seu mecanismo de defesa contra predadores naturais.

O T. tricinctus, espécie exclusivamente brasileira, vive nos ambientes da caatinga e cerrado e integra a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, classificada como “em perigo”, e a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), na categoria “vulnerável”.

A meta do ICMBio, durante os cinco anos de vigência do plano, é reduzir o risco de extinção do T. tricinctus, elevando-o, pelo menos, à categoria de “vulnerável”

Já o T. matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de cerrado, porém é mais comum na Bolívia, Argentina e no Paraguai. Com o PAN, essa espécie será mais bem estudada, uma vez que se encontra na categoria Dados Insuficientes, por falta de informações em sua área brasileira.

Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações, em seis objetivos específicos: atualizar as áreas de ocorrência das espécies de tatu-bola e avaliar suas principais ameaças; mobilizar as comunidades locais e a sociedade em geral, sobre a importância da proteção da espécie; ampliar o conhecimento sobre a biologia e a ecologia para o direcionamento de estratégias de conservação; ampliar, qualificar e integrar a fiscalização para coibir a caça; reduzir a perda de habitat nos próximos cinco anos e promover a conectividade entre as populações do tatu-bola-do-Nordeste.

Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de orientar as ações prioritárias para conservação da biodiversidade. É uma ferramenta definida pelo governo a partir do Programa Pró-Espécie, instituído em fevereiro deste ano, que busca minimizar ameaças e o risco de extinção de espécies.
Existem, no momento, 44 planos de conservação de espécies ameaçadas sendo implantados pelo ICMBio em todas as regiões do Brasil, envolvendo 362 tipos de animais dos biomas marinho, Caatinga, Cerrado, Amazônia, Pampa e Pantanal.

O PAN Tatu-bola foi anunciado formalmente em 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, com outras medidas do Ministério do Meio Ambiente para a preservação de espécies ameaçadas, incluindo o tatu-bola. O pacote de ações de proteção da fauna brasileira foi publicado no Diário Oficial da União.

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo ICMBio, com o apoio da Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás da IUCN e colaboração de representantes de outras 15 instituições. O plano será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga, com coordenação executiva da Associação Caatinga.


Edição: Denise Griesinger
* Publicado originalmente no site Agência Brasil.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Ciclista é mais feliz que motorista de carro, diz pesquisa




À extensa lista de benefícios que o ciclismo gera para as cidades, adicione mais um: a felicidade. É o que aponta um novo estudo que avaliou como o transporte escolhido afeta o nosso humor e bem estar.

Pessoas que usam a bicicleta nos seus deslocamentos diários são geralmente mais felizes do que aqueles que dirigem carro ou utilizam transporte de massa, mostra a pesquisa Mood and mode: does how we travel affect how we feel?.

O estudo oferece insights sobre formas de melhorar os serviços de transporte existentes, priorizando investimentos em áreas que tragam mais resultados positivos.
"Nossos resultados sugerem que o uso da bicicleta pode ter benefícios além daqueles associados à saúde e mobilidade normalmente citados", dizem os autores. "Valorizar a experiência emocional no trânsito pode ser tão importante quanto melhorar os recursos de serviços tradicionais, como rodovias e tempo de viagem", acrescentam.

Depois dos ciclistas, os passageiros de carro são o segundo tipo de viajante mais feliz. Os condutores de automóveis ficaram em terceiro lugar. Por último, aparecem os pilotos e passageiros de ônibus e trem, considerados os mais infelizes.

O baixo entusiasmo nestes casos, diz a pesquisa, tem a ver com o trajeto mais longo ou menos confortável e, principalmente, com os congestionamentos.

Fonte:Vanessa Barbosa
EXAME.com