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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

De Copenhague a São Paulo: o porquê das bicicletas


por Cauê Seginemartin Ameni e Manuela Beloni*
 De Copenhague a São Paulo: o porquê das bicicletas

Também na capital da Dinamarca, ciclovias foram tratadas com ceticismo e ironia. Como resistência foi vencida? Por que cidade tornou-se exemplo mundial?
 
Enquanto a Europa planeja se integrar com mais de 70 mil km de ciclovia e outras cidades almejam se ver livre dos carros nos próximo anos, São Paulo começa a caminhar no mesmo rumo: a prefeitura deseja construir, nos próximos dois anos, 400 quilômetros de ciclovias. No entanto, mal a alternativa foi anunciada, alguns focos de indignação têm convertido essa solução num suposto problema. Quando não são especialistas criticando a novidade na mídia, a indignação precipitada surge entre os próprios moradores.
Semana passada foi a vez de um grupo moradores e comerciantes de Santa Cecília — um bairro no Centro da cidade – mostrarem-se contrários à implementação de ciclofaixas na região. Fizeram “protesto”… na delegacia de polícia! — onde registraram um boletim de ocorrência. Sem saber a natureza da queixa registraram: “preservação de direito”. Colocar os direitos individuais acima dos direitos coletivos, sobretudo quando se trata de um espaço público como a rua, suscitou a resposta pública de um grupo de moradores e ativistas da região. O Movimento Coclofaixa na Santa Cecília, que já marcou uma bicicletada para a próxima segunda (25/08), a fim apoiar a novidade e abrir o debate para os demais moradores da região.
O Conselho Comunitário de Segurança do bairro (CONSEG), que registrou a queixa, deveria concordar que o aumento da circulação de pessoas na região, aumentaria consequentemente a segurança dos moradores e comerciantes. O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, comprovou isso quando incentivou o uso de bicicleta para melhorar a segurança pública. Para o economista, historiador e ex-governante, “segurança não é só assunto de polícia: tem a ver com urbanismo, mobilidade e cultura”. Segundo ele, uma cidade só é feita com gente na rua – e o incentivo ao uso da bicicleta contribui para isso. Bogotá conta hoje com 359 km de ciclovia.
O plano, as críticas e o que as pesquisas dizem
Com 11,6 km já entregues, o plano do prefeito Fernando Haddad para a maior capital da América do Sul vai na mesma linha. Para chegar à meta final, pretende-se implantar 10 km por semana. Ao final, terão ciclovias 2,3% do total de ruas e avenidas na cidade — se considerarmos que São Paulo tem 17,2 mil km de vias pavimentadas. Se levarmos em consideração estudo do engenheiro de transportes Horácio Figueira que concluiu que apenas 20% dos paulistanos locomove-se regularmente de carro — mas ocupam 80% das vias da cidade — o projeto faz um pouco de justiça na divisão do transito caótico da cidade.
Outras críticas correntes na mídia apoiam-se na opinião de um dos “especialistas” da imprensa, Sérgio Ejzenberg, comentarista de trânsito do jornal SPTV, da TV Globo. Segundo ele, em entrevista recente publicada no Estadão, as ciclovias ”estão criando uma demanda [de uso da bicicleta] que não existe” e não terão utilização em dias de frio e chuva.
As opiniões de Ejzenber, que já criticou às faixas exclusivas de ônibus, não resistem aos dados. Segundo pesquisa realizada em 2012 pela Rede Nossa São Paulo e Instituto Ibope, 65% das pessoas aceitaria deixar o carro em casa se outras opções, como transporte público e bicicleta, fossem viáveis. O índice sobe para 81% entre as pessoas com nível superior.
Os dados da pesquisa de Horácio Figueira também apontam que: “Quando medimos as viagens diárias feitas na cidade, percebemos que os carros são minoria: 38,42% dos deslocamentos são coletivos (transportes públicos), 30,78% individuais (carros e motos) e 30,80% não motorizados (a pé e de bicicleta)”.

highheels580 De Copenhague a São Paulo: o porquê das bicicletas

A “copenhaguização” das grandes cidades
As experiências em outras grandes capitais com problemas de trânsito mostraram um histórico semelhante. Não se faz uma ciclovia a partir da demanda gerada por ciclistas, mas sim para convidar as pessoas a optarem por outros meios de transporte, que não o carro. Sabemos que cada cidade possui a sua peculiaridade, e deve buscar soluções específicas para seus problemas. Entretanto, alguns exemplos podem nos inspirar, ou no mínimo nos fazer entender que os processos de mudança não ocorrem com tanta rapidez.
O caso de Copenhague é um caso emblemático para ilustrar este processo. A partir da década de 1950, com a popularização do automóvel, a cidade passou a ter grandes congestionamentos. A intensa vida do centro da cidade, presente desde que Copenhague surgiu, no século 11, começava a dar lugar ao trânsito e lúgubres estacionamentos. Foi então que o jovem arquiteto Jan Gehl, recém-contratado pela prefeitura, resolveu arriscar uma solução: fechar as ruas para os carros. Os comerciantes e moradores de Copenhague não aceitaram a novidade. As manchetes dos jornais expressavam a revolta: “Nós não somos italianos”, dizia uma manchete, enquanto outra explicava, “Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”.
Mas depois de alguns anos Gehl ganhou a disputa e o calçadão de pedestre, chamado de Strøget, logo tornou-se a maior atração turística da cidade. O comércio da região acabou lucrando mais, porque mais gente passou a caminhar em frente suas vitrines. E o arquiteto ganhou mais espaço na prefeitura e provou que, quanto mais rua era construída, mais trânsito aparecia. E que quanto mais ciclovia, mais gente pedalava. No todo, foram necessários 20 anos para que as pessoas trocassem o carro pela bicicleta. Hoje, Copenhague é a cidade europeia com menor congestionamento. Registra, em paralelo, o maior índice de descolamento feito com bicicleta (36%), embora o clima seja rigoroso.
Com o sucesso, Jan Gehl abriu uma consultoria cuja o lema é “primeiro vem a vida; depois, os espaços; depois, os prédios”. E passou a ser contratado por varias cidades como Londres, Nova York, Sidney, Melbourne, Barcelona, entre outras, para “copenhaguiizar” os problemas de trânsito. Veja aqui, no projeto Cidades para Pessoas, da jornalista Natália Garcia, financiado pelo crowdfunding, a entrevista com Jan Gehl e a experiência com outras 12 cidades (Copenhague, Amsterdã, Londres, Paris, Friburgo, Estrasburgo, Lyon, Barcelona, São Francisco, Portland, Cidade do México e Nova Iorque).
A questão do trânsito melhorou nestas cidades, assim como a vida nos espaços públicos. Resta saber agora, se os cidadãos de São Paulo estão prontos para seguir as pedaladas dadas por essas metrópoles, ou continuarão estagnados no trânsito.
 
* Caue Seigne Ameni é estudante de Ciências Sociais da PUC-SP, pesquisador do NEAMP, editor do Outras Palavras e um dos operadores da loja virtual Outros Livros.
** Publicado originalmente no site Outras Palavras.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Virada Sustentável traz atividades gratuitas de sustentabilidade, em SP

Divulgação/Joana Lira

Arte, cultura e entretenimento vão invadir São Paulo nos dias 28 a 31/08. Inspirada na Virada Cultural, a 4ª edição da Virada Sustentável* traz às ruas da cidade centenas de atrações gratuitas relacionadas à sustentabilidade.

Com abertura marcada para o dia 27/08, na Praça Victor Civita, quando será entregue será entregue o Prêmio Virada Sustentável, o evento contará com atividades simultâneas em universidades e escolas, parques, praças e outros espaços públicos.

Voltadas para pessoas de todas as idades, as atrações abordarão temas como biodiversidade, cidadania, lixo, mobilidade urbana, água, mudanças climáticas, consumo consciente e economia verde. Entre elas:
- oficinas, como as de telhado verde, compostagem caseira, captação de água da chuva em casa e permacultura;
- rodas de conversa, entre elas o Conexões Ocupação - Como virar sua cidade, que debaterá o direito à cidade e a ocupação do espaço público;
- apresentações musicais, entre elas a do grupo Imbaúba;
- exposições, como a do grafiteiro Orion;
- bicicletadas;
- piqueniques;
- exibição de filmes em praças da cidade;
- aulas de ioga, e
- atividades infantis.

A partir de 2015, o evento também acontecerá em Recife (PE), em março. A expectativa dos organizadores é que nos próximos anos aconteçam edições em: Curitiba (PR), Goiânia (GO), Ilhabela (SP), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Vitória (ES).

VIRADA SUSTENTÁVEL
Data:
27/08 (a partir das 19h) a 31/08
Local: São Paulo
Programação: disponível para consulta no site da iniciativa.

*Virada Sustentável

Fonte: Marina Maciel - Planeta Sustentável

terça-feira, 5 de agosto de 2014

As cidades não se comunicam com os pedestres

 

por Reinaldo Canto*
 As cidades não se comunicam com os pedestres
Foto: Luiz Augusto Lucas/SMCS

Diante de ruas que só falam aos carros, campanha pede que autoridades pensem em sinalizações para os não motorizados.


O leitor já deve ter se deparado com a seguinte situação ao caminhar por ruas e avenidas de qualquer cidade brasileira: você precisa chegar a algum lugar, um determinado endereço que sabe estar próximo. Procura uma placa de sinalização, muitas vezes inexistente, mas ao finalmente encontrá-la, ela aponta um caminho, mas… que caminho?
Você sabe que essa localidade está à sua esquerda, mas a placa aponta a necessidade de pegar a direita e fazer uma conversão mais à frente. Se você está a pé, que sentido faz isso? Nenhum, claro. O que acontece é que essa sinalização não “fala” com o pedestre. Ela se dirige, exclusivamente, aos seres devidamente motorizados.
Esse não é um caso isolado. Cerca de 90% de toda a sinalização existente em nossas cidades são dirigidas para motoristas, ou seja, para um público que, nem ao menos representa a maioria dos deslocamentos nas cidades.
Uma recente pesquisa divulgada pelo Datafolha em São Paulo constatou que o ônibus é o principal meio de transporte diário das pessoas, com 79% das respostas. Em seguida vem o metrô, com 39%, e só em terceiro lugar aparecem os carros, com 17%, um pouco à frente dos usuários de vans, lotações e peruas, com 13%. Ainda segundo a pesquisa, 7% dos entrevistados disseram andar apenas a pé.
Uma campanha do portal Mobilize especializada em mobilidade urbana e denominada Sinalize quer contribuir para mudar essa realidade.
Para os organizadores do movimento, o objetivo não é “encher as cidades de placas” que, obviamente, contribuiriam para uma enorme poluição visual, mas buscar melhor interação e conforto para pedestres, ciclistas e usuários de transporte público.
Aliás, outra questão apontada pelo Mobilize é exatamente a atenção que se dá aos passageiros de ônibus que, em geral, é nenhuma! Basta estar em algum ponto de ônibus e tentar descobrir quais linhas passam por ali, os respectivos itinerários e indicação de locais de interesse como hospitais, serviços públicos diversos e pontos turísticos.
Também de modo geral os ciclistas não são contemplados com placas específicas para esses usuários, com exceção a locais perigosos nos quais os riscos de acidentes são enormes.
Os cuidados, então, com a segurança dos deficientes visuais, como a instalação de sinais sonoros, é praticamente inexistente. Fato que prejudica demais a mobilidade e a independência colocando em risco a própria integridade física dessas pessoas.
Várias cidades do mundo, como Londres, Nova York e Paris, já possuem uma série de sinalizações positivas que contribuem para melhorar e facilitar a vida das pessoas. São totens estrategicamente localizados, mapas e indicações de pontos de interesse que ajudam muito os pedestres a se movimentar com rapidez e segurança nessas metrópoles.
No Brasil temos um longo caminho pela frente e muitos desafios. São inúmeras as ações necessárias para tornar uma cidade mais humana, amigável e próxima dos cidadãos. E, sem dúvida, aquelas que levem a inclusão e o respeito contribuem muito para uma vida mais feliz e equilibrada.
 
 
* Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gestão Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na área ambiental.
** Publicado originalmente no site Carta Capital.
(Carta Capital)

terça-feira, 29 de julho de 2014

O avanço das bicicletas no Brasil e no mundo

 

por Wendy Andrade, no SustentArqui*
Longe de ser somente uma opção de lazer, a bicicleta ganha cada vez mais destaque como meio de transporte e o poder público em diversos lugares começa a ficar atento para essa realidade.
Hoje, no Brasil, são mais de 60 milhões de bicicletas — metade usadas pela população para ir ao trabalho. Segundo a pesquisa Origem e Destino do metrô, aplicada na Região Metropolitana de São Paulo, o uso desse tipo de deslocamento aumentou 18% entre 1997 e 2008. 22% das viagens de bicicleta têm por motivo o alto custo da condução e 57%, a pequena distância da viagem.
Maiores reféns do trânsito, as grandes capitais já recebem algumas iniciativas. Por exemplo, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo contam com o sistema de aluguel de bicicleta – Bike Rio e Ciclo Sampa – resultado da parceria entre as prefeituras e bancos. O projeto vem atraindo um grande número de adeptos. No Rio, a iniciativa aumentou o número de postos e bicicletas para atender a demanda.
Já a cidade de São Paulo não para por aí. O prefeito Fernando Haddad tem um projeto audacioso: criar 400 km de ciclovias na capital paulista até o final de 2015, inaugurando um trecho de rotas cicloviárias por semana, incomodado com o fraco desenvolvimento da cidade paulista quando comparada a outras metrópoles. Em Sampa, o trajeto de bicicleta abrange menos de 1%.
Porém, outra iniciativa na cidade já está em andamento: um bicicletário público com vestiário está sendo criado próximo a estação de metrô Faria Lima. O projeto, que partiu de um abaixo assinado com mais de 23 mil assinaturas, terá manobristas, armários, ferramentas para bicicleta, e funcionará 24 horas.
Outra capital que também está criando alternativas para os ciclistas é Curitiba. A cidade, onde mais de 55 mil pessoas aderiram à bicicleta como meio de transporte, recebe o projeto Via Calma, que tem como objetivo criar ciclovias nas principais vias da cidade. Os ciclistas vão transitar pelo lado direito das vias em áreas demarcadas. Para evitar acidentes, a velocidade vai ser reduzida a 30 km por hora e nos cruzamentos vão ser instalado Bikeboxes, uma área especial de parada para bicicletas nos semáforos, protegendo e priorizando o ciclista quando o sinal abrir.
No Mundo
Diferente do Brasil, alguns países já estão bem desenvolvidos em relação a ciclovias. Como por exemplo, a cidade de Bogotá, que possui 359 km de ciclovia, Nova York 675 km e Berlim 750 km. Em Tóquio e na Holanda, 25% dos trajetos são feitos de bicicleta. Portanto, esses países procuram além das ciclovias, outras iniciativas para estimular o uso da bicicleta.
Na França, 20 empresas e instituições somando mais de dez mil funcionários, pagam 25 centavos de euro a cada quilômetro percorrido de bicicleta no trajeto casa-trabalho. Ainda na França, em Paris, o P’tit Vélib’, terceiro maior serviço de compartilhamento de bicicletas do mundo, vai oferecer 300 bicicletas para crianças de 2 a 10 anos de idade em diferentes tamanhos. No Reino Unido, o governo criou um sistema de vendas de bicicleta em conjunto entre funcionários e empregados, chamado Cycle to Work, que oferece preços menores e descontos nos impostos para aqueles que usam bicicleta para ir ao trabalho.
Já na Alemanha o projeto é ainda maior, o governo alemão preocupado em reduzir o congestionamento e a poluição, pretende trocar carros e caminhões por bicicletas de carga. Segundo o porta-voz do ministério dos Transportes, Birgitta Worringen, o projeto é viável porque mais de 75% dos trajetos no país são para cobrir distâncias menores do que dez quilômetros. A empresa de logística, UPS, já realiza entregas em seis cidades alemãs usando bicicletas. Entretanto, o representante da empresa, Lars Purkarthofer, ressalta que a estrutura no país ainda não é a ideal, as ciclovias são estreitas e em alguns pontos faltam estacionamentos para guardar as bicicletas.
Benefícios
Além de manter uma população mais saudável e diminuir a poluição e os congestionamentos das grandes metrópoles, outros dados chamam a atenção para os diferentes benefícios do uso da bicicleta como transporte diário. Segundo um estudo realizado em Nova Iorque, as vendas das lojas de rua aumentaram em até 49% após a construção de ciclovias. O estudo argumenta que um ciclista tem menos barreiras para entrar numa loja local que, ao contrário do carro, é mais fácil encontrar um ponto para prender a bicicleta.
Outro fator interessante é a questão da segurança. É quase unanimidade entre os ciclistas que pedalar nas grandes vias além de atrapalhar o trânsito, aumenta o risco de acidentes. Porém, um estudo feito na Universidade do Colorados em Denver, nos Estados Unidos, mostra o contrário. O estudo afirma que o aumento de bicicletas nas estradas reduz o número de acidentes de trânsito e ainda torna o tráfego mais seguro. O professor e coautor do estudo, Wesley Marshall, trabalha com a hipótese de que quando existe um grande número de ciclistas na estrada, o motorista fica mais atento. Portanto, cidades com grande volume de bicicletas, não são seguras apenas para os ciclistas, mas para os carros também.
O fato é que qualquer tipo de incentivo ao uso da bicicleta é importante, as ruas no Brasil se encontram em situação precária. As grandes capitais estão congestionadas e sem previsão alguma de melhora. O trabalhador quando não espremido no transporte público, está isolado no carro esperando o trânsito andar. Então, a bicicleta vem se tornando uma importante alternativa onde a sociedade ganha como um todo por ter uma cidade mais humana e saudável, e menos congestionada e poluída.

* Publicado originalmente no SustentArqui e retirado do site Revista Fórum.

sábado, 5 de julho de 2014

Resíduo bom é o que não é gerado


por Helio Mattar*
residuos Resíduo bom é o que não é gerado
Foto: Enzo D./Creative Commons

A reciclagem de resíduos não muda a essência de nosso padrão de consumo, reflexão fundamental quando pensamos em sustentabilidade.


Reciclar é preciso, no entanto, não é suficiente. A reciclagem de resíduos não muda a essência de nosso padrão de consumo, reflexão fundamental quando pensamos em sustentabilidade. A geração de resíduos é um indicador muito representativo do nível de produção e consumo e, em muitos casos, também de desperdício. É importante manter em mente que o resíduo do nosso consumo é apenas uma parte, e bem pequena, do total dos resíduos gerados durante o processo produtivo de cada produto, desde a extração, processamento, armazenamento e venda. E estes resíduos precisam ser recolhidos, tratados, descartados e/ou reciclados.
E quem paga esta conta? O consumidor, sempre. Esse custo está embutido, na forma de impostos, no preço do que estiver sendo comprado, impostos que as prefeituras usam para pagar pelos serviços de coleta, transporte, deposição final ou reciclagem. Este custo está também no meio ambiente, produzindo poluição visual, olfativa, obstruindo vias e canais de escoamento de água e, muitas vezes, trazendo riscos de doenças, especialmente quando se considera que quase 50% dos resíduos gerados vão para lixões e não para aterros sanitários.
A geração de resíduos per capita no Brasil vem crescendo nos últimos anos. Os dados oficiais mais recentes, da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008, do IBGE, indica que 190 milhões de brasileiros geram quase 160 mil toneladas de resíduos urbanos diariamente. Pode-se dizer que cada brasileiro gera aproximadamente 1,4 kg de resíduos por dia, dos quais 60% são orgânicos e 40% são materiais recicláveis ou rejeitos sem utilização possível.
Dada a expectativa média de vida do brasileiro de 73,8 anos , cada pessoa gera, ao longo de sua vida, 37,7 toneladas de resíduos, o que significa que uma família de quatro pessoas gera, ao longo da vida, resíduos suficientes para encher 22 caminhões de lixo.
Se, em vez de descartar, essa família guardasse todo o resíduo que produz, precisaria de quatro apartamentos de 60 m2: um para morar e os outros três só para depositar resíduos, do chão até o teto.
Reciclar resíduos é imperativo. Ao reutilizar ou reciclar o que seria descartado, reduz-se o volume de lixo e, ao mesmo tempo, se recoloca nas cadeias produtivas insumos que já passaram por um processo de manufatura, o que permite reduzir o consumo de energia e, em geral, também o de água na produção desses insumos quando comparado ao que seria gasto na sua produção feita a partir dos recursos naturais virgens.
Porém, a reciclagem continua a demandar transporte, energia, água, recursos naturais para que possa ocorrer o processamento dos resíduos gerando novas matérias primas que servirão de insumos em algum processo produtivo. Além disso, embora a reciclagem signifique uma mudança no processo de produção, o modelo de consumo não se altera, o que seria fundamental para uma sociedade mais sustentável.
Mas, sem dúvida, é melhor que exista a reciclagem do que não exista. Para isso, um mecanismo importante é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010 e que entrará em vigência em agosto de 2014. A Política está assentada em três princípios básicos:
1) evitar a retirada de recursos naturais do meio ambiente;
2) reduzir a geração de resíduos sólidos;
3) reusar, reciclar, dar tratamento e dispor adequadamente os resíduos gerados.
A ordem na qual esses 3 princípios é apresentada não é aleatória, mas definidora da direção que deve ser seguida: a sociedade brasileira (governo, cidadãos e setor produtivo) será estimulada inicialmente a evitar a geração de resíduos, em seguida, a reduzi-la, e finalmente, a reutilizar ou reciclar os resíduos, evitando a produção de lixo. Para atingir tais princípios, a lei propõe três importantes inovações, que vão mudar o dia a dia dos brasileiros:
(a) o fim dos lixões, dado que as prefeituras estão obrigadas a fechar todos os lixões e outros tipos de depósitos não adequados, e, a partir de agosto de 2014, só poderão ser usados aterros sanitários;
(b) a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, o que implica que fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, concessionários dos serviços de limpeza urbana, governo e consumidores serão corresponsáveis pela redução dos impactos causados pelos resíduos à saúde humana e à qualidade ambiental. De que forma? Minimizando o volume de resíduos e zelando pela destinação correta;
(c) a logística Reversa, um conjunto de ações, procedimentos e meios que o setor produtivo deve implantar para recolher os resíduos sólidos gerados por seus produtos e serviços. A legislação obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a recolher os resíduos e produtos de seis setores: agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e produtos eletrônicos.
A implantação dessa política tem gerado muito debate e movimentação em torno do tema, nos municípios e empresas. Em meio a esta movimentação, é importante destacar o papel dos consumidores que, como cidadãos, podem (e devem) acompanhar os movimentos em curso e demandar informações e ações por parte de prefeituras e empresas. E, claro, consumir com mais consciência, para produzir menos resíduos.


* Helio Mattar é doutor em Engenharia Industrial pela Universidade Stanford (EUA) e diretor-presidente do Instituto Akatu.
** Publicado originalmente na edição nº 35 [janeiro, fevereiro e março de 2014] da Revista Rossi e retirado do site Akatu.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Deixar o armário e as gavetas organizados em uma rotina cada vez mais cheia de compromissos pode ser difícil, pois toma algum tempo. Porém, com algumas atitudes simples, isso é possível. Hoje você irá aprender uma maneira fácil, barata e sustentável de colocar roupas, maquiagens e até mesmo materiais de papelaria e escritório em ordem.
A maioria das pessoas não dispensa um bom sorvete de massa, não é mesmo? Que tal aproveitar esses potes para organizar seu armário e gavetas? É simples! Basta lavá-los bem e colocá-los um ao lado do outro. Além de ser uma forma prática de deixar seus artigos arrumados, é uma maneira também de contribuir para a preservação do meio ambiente, visto que produtos feitos de plástico levam cerca de 100 anos para se decomporem.


5 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Para guardar camisetas e outras roupas mais volumosas, coloque peças da mesma cor ou de acordo com a frequência que as usa, assim, ficará mais fácil o acesso a elas. Com os potes, é possível também armazenar calcinhas, sutiãs, meias e cuecas em um único lugar, além de joias, bijuterias, lenços umedecidos, maquiagens, objetos de papelaria e o que mais você quiser! Essa é uma boa ideia ainda para mães de recém-nascidos, que podem colocar não só as roupinhas, separando-as por cor ou estação, como também fraldas e outros artigos do bebê.





3 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete

Quanto às cores, é possível utilizar potes de uma mesma tonalidade, proporcionando uma decoração mais padronizada e discreta, ou misturar diferentes tons, como vermelhos e amarelos, para criar algo mais alegre, descontraído e moderno. Outra dica é encapá-los com tecidos e papéis estampados – sugestão que vale não só para organizar gavetas, como também para criar lindas caixinhas.


7 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete



Abuse da criatividade e faça itens práticos e ecologicamente corretos para usar em sua casa ou no escritório!





1 Mantenha suas gavetas organizadas usando potes de sorvete


E você, têm mais alguma sugestão de como usar essas potes? Conte para a gente nos comentários!

Fonte: www.atitudessustentaveis.com.br 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tatu símbolo da Copa ganha plano para conservação

Com o início da Copa do Mundo no Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promove o Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do tatu-bola, mascote oficial do evento. O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste, e a avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutes matacus, o tatu-bola-do-Centro-Oeste.

O tatu-bola faz parte de um grupo de 11 espécies de tatu existentes no Brasil e é primo do tamanduá e das preguiças. As principais ameaças à sobrevivência são, principalmente, a caça predatória e destruição do habitat causadas pela expansão da agropecuária, intensificada na última década.
Ele ganhou esse nome pois tem três cintas móveis no dorso, que o permite fechar completamente sua carapaça, formando uma bola. Esse é seu mecanismo de defesa contra predadores naturais.

O T. tricinctus, espécie exclusivamente brasileira, vive nos ambientes da caatinga e cerrado e integra a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, classificada como “em perigo”, e a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), na categoria “vulnerável”.

A meta do ICMBio, durante os cinco anos de vigência do plano, é reduzir o risco de extinção do T. tricinctus, elevando-o, pelo menos, à categoria de “vulnerável”

Já o T. matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de cerrado, porém é mais comum na Bolívia, Argentina e no Paraguai. Com o PAN, essa espécie será mais bem estudada, uma vez que se encontra na categoria Dados Insuficientes, por falta de informações em sua área brasileira.

Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações, em seis objetivos específicos: atualizar as áreas de ocorrência das espécies de tatu-bola e avaliar suas principais ameaças; mobilizar as comunidades locais e a sociedade em geral, sobre a importância da proteção da espécie; ampliar o conhecimento sobre a biologia e a ecologia para o direcionamento de estratégias de conservação; ampliar, qualificar e integrar a fiscalização para coibir a caça; reduzir a perda de habitat nos próximos cinco anos e promover a conectividade entre as populações do tatu-bola-do-Nordeste.

Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de orientar as ações prioritárias para conservação da biodiversidade. É uma ferramenta definida pelo governo a partir do Programa Pró-Espécie, instituído em fevereiro deste ano, que busca minimizar ameaças e o risco de extinção de espécies.
Existem, no momento, 44 planos de conservação de espécies ameaçadas sendo implantados pelo ICMBio em todas as regiões do Brasil, envolvendo 362 tipos de animais dos biomas marinho, Caatinga, Cerrado, Amazônia, Pampa e Pantanal.

O PAN Tatu-bola foi anunciado formalmente em 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, com outras medidas do Ministério do Meio Ambiente para a preservação de espécies ameaçadas, incluindo o tatu-bola. O pacote de ações de proteção da fauna brasileira foi publicado no Diário Oficial da União.

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo ICMBio, com o apoio da Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás da IUCN e colaboração de representantes de outras 15 instituições. O plano será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga, com coordenação executiva da Associação Caatinga.


Edição: Denise Griesinger
* Publicado originalmente no site Agência Brasil.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Ciclista é mais feliz que motorista de carro, diz pesquisa




À extensa lista de benefícios que o ciclismo gera para as cidades, adicione mais um: a felicidade. É o que aponta um novo estudo que avaliou como o transporte escolhido afeta o nosso humor e bem estar.

Pessoas que usam a bicicleta nos seus deslocamentos diários são geralmente mais felizes do que aqueles que dirigem carro ou utilizam transporte de massa, mostra a pesquisa Mood and mode: does how we travel affect how we feel?.

O estudo oferece insights sobre formas de melhorar os serviços de transporte existentes, priorizando investimentos em áreas que tragam mais resultados positivos.
"Nossos resultados sugerem que o uso da bicicleta pode ter benefícios além daqueles associados à saúde e mobilidade normalmente citados", dizem os autores. "Valorizar a experiência emocional no trânsito pode ser tão importante quanto melhorar os recursos de serviços tradicionais, como rodovias e tempo de viagem", acrescentam.

Depois dos ciclistas, os passageiros de carro são o segundo tipo de viajante mais feliz. Os condutores de automóveis ficaram em terceiro lugar. Por último, aparecem os pilotos e passageiros de ônibus e trem, considerados os mais infelizes.

O baixo entusiasmo nestes casos, diz a pesquisa, tem a ver com o trajeto mais longo ou menos confortável e, principalmente, com os congestionamentos.

Fonte:Vanessa Barbosa
EXAME.com

sábado, 14 de junho de 2014

Árvore democrática

DESIGN RESPONSÁVEL


Após anos servindo apenas à extração do látex, a seringueira foi descoberta como uma ótima opção para a marcenaria. Com a visão de designers renomados, a madeira entra no mercado cheia de qualidades: é sustentável, resistente e de fino trato



 
Os porta-vozes do Projeto Seringueira (da esq. para a dir.): Fernando Jaeger, Zanini de Zanine, Paulo alves, Jack Fahrer, Sergio Fahrer e andré Cruz.


Uma ideia de vanguarda, quando bem empregada, costuma mover as pessoas e mudar o mundo. Esse parece o caminho do Projeto Seringueira, que apresenta a espécie como matéria-prima estreante na produção de móveis nacional. Fundado por Paulo Alves, os irmãos Sergio e Jack Fahrer, Zanini de Zanine, André Cruz e Fernando Jaeger, grandes nomes do design brasileiro atual, o projeto funciona como vitrine para uma descoberta singular da Madeibor, madeireira de Araçatuba, SP.

Encabeçada por Roberto Genova, falecido em 2013, aos 75 anos, a empreitada consumiu cinco anos de testes e pesquisas até se concretizar. Dotado de um olhar visionário, o engenheiro químico trabalhou durante décadas com extração de látex e, indignado com o descarte desatento dos troncos porosos (normalmente destinados a se tornarem lenha), engajou-se até encontrar um processo de secagem das toras capaz de viabilizar seu emprego na construção, na arquitetura e no mobiliário. "No final do ano passado, a empresa me procurou para mostrar essa espécie incrível e suas possibilidades, pouco conhecidas", conta Paulo Alves.

Ciente do que tinha em mãos, Paulo se animou e convocou colegas para testar as propriedades da seringueira. Logo surgiram seis peças, entre bancos e mesas. "É uma madeira fácil de trabalhar, maleável e, ao mesmo tempo, resistente. Ao natural, tem coloração clara - vai do branco ao rosê -, o que permite o tingimento", explica Sergio Fahrer, um dos embaixadores do design responsável.

Tamanho ineditismo, portanto, surpreende. "A falta de interesse, tecnologia e preocupação sustentável em reutilizá-la atrasou a viabilidade. Além disso, as árvores têm um ciclo de 30 anos voltado para a produção de borracha, e é preciso esperá-lo para o corte", diz Soraia Genova, nora do senhor Roberto e diretora da marca. 

Fonte: Planeta Sustentável

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Como o futebol pode ensinar cultura e história

Em ritmo de Copa do Mundo, Porvir indica exposições e arquivos virtuais que retratam a cultura do esporte através do tempo

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Foto: khunaspix / Fotolia.com

A partir desta quinta-feira (12), corações e mentes do mundo inteiro estarão focados nos gramados brasileiros. Embora a Copa do Mundo também seja um período de férias escolares, é possível aproveitar a mobilização em torno do maior evento mundial sobre futebol para aprender sobre as relações do esporte com a história e cultura dos povos. O Porvir indica algumas mostras virtuais afinadas com o tema. Veja:

Pela história do futebol é possível também aprender a história das culturas de muitos países. Atentos à oportunidade, a equipe do Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou uma exposição com rica documentação e pesquisa iconográfica, expostas em oito salas virtuais. Uma delas dedica-se totalmente à Copa de 1950, realizada no Brasil. O material ainda inclui propostas de atividades pedagógicas para trabalhar a temática em sala de aula.

A exposição do Arquivo Nacional do Brasil apresenta ampla galeria virtual com foco na participação do Brasil nos mundiais de 1950 a 1970. Entre os documentos estão imagens de jogadores em campo, em treino, lazer, de apoio e comemoração das torcidas, além de uma homenagem a Pelé e Mané Garrincha. A mostra aborda a inserção do futebol na imprensa e na “crônica” brasileira.

O museu localizado em São Paulo disponibilizou parte de seu acervo digital para o Google Cultural Institute. Na coleção, há três miniexposições. Vale muito visitar uma dedicada a Mário Américo, o massagista da Seleção por 38 anos. Mário passou pelas Copas de 1950 a 1970, serviu ao Vasco e ao Fluminense, era amigo pessoal de Garrincha e conviveu com a nata do futebol brasileiro. A exposição foi realizada com apoio do Centro de Referência do Futebol Brasileiro e a colaboração do filho de Mario Américo, que contribuiu com fotografias pessoais.

Na mesma plataforma usada pelo Museu do Futebol, o Google Cultural Institute, o acervo da revista norte-americana Time traz mais de 20.000 imagens interessantes sobre futebol, registradas por fotógrafos bem sucedidos em coberturas esportivas.
Recursos do site do Museu Nacional do Futebol da Grã-Bretanha também estão disponíveis no mesmo ambiente. Por exemplo, a exposição virtual A History of the World Cup in 24 objects (A história da Copa do Mundo em 24 objetos, em livre tradução), que divide-se em duas partes (1872-1970) e (1970-2014) e foi criada pelos especialistas David GoldBLatt e Jean Williams, do Centro Internacional para a história do Esporte e da Cultura da Universidade de Montfort, em Leicester, utiliza objetos do museu para contar a evolução do mundial e como ele se tornou um megaevento.
Entre vídeos da coleção do museu britânico está o The Homes of Football (As Casas do Futebol), de Stuart Roy Clarke. Nele, o fotógrafo traça as transformações acompanhadas pelo público esportivo na Grã-bretanha, ao longo do século 20.
Um extenso arquivo digital também reúne o material do documentário da BBC Kicking and Screaming (Chutando e Gritando), de 1994, sobre a história do jogo na Inglaterra.

Diversas exposições em homenagem à Copa do Mundo acontecem em museus pelo mundo afora. Embora sejam presenciais, vale checar algumas apresentações das mostras nos sites. Em cartaz no período da Copa no Lacma (Los Angeles County Museum of Art), a mostra Fútbol The Beautiful Game apresenta boas discussões estéticas, como a que aparece na entrevista de Franklin Sirmans, no blog do Lacma.

Embora ofereça pouco conteúdo, o site “Football in Russia” traz informações curiosas sobre a cultura do esporte no país, como por exemplo a ligação do futebol com os jogos de azar.

Fonte:* Publicado originalmente no site Porvir.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pouco a comemorar, mas muito por fazer

Quatro especialistas de atuação nacional e internacional apontam quais foram os problemas ambientais que mais se agravaram nos últimos anos e explicam o porquê

 
122 Pouco a comemorar, mas muito por fazer

Eventos com motes ecológicos aparecem aos borbotões na primeira semana de junho. Nesta época, muitas empresas e governos procuram retocar a maquiagem verde. Desde 1972, o 5 de junho está consignado Dia Mundial do Meio Ambiente pela Assembleia Geral das Nações Unidas, data de início da Conferência da ONU sobre Ambiente Humano realizada em Estocolmo naquele ano. De lá pra cá, dizem os ambientalistas autênticos, pouco, quase nada, há para comemorar.
Quais problemas ambientais mais se agravaram nos últimos anos? E por quê? Para tentar responder a essas perguntas, consideradas indigestas por muitos, principalmente nestes primeiros dias esverdeados de junho, o Extra Classe consultou duas entidades ecológicas de atuação nacional, o WWF-Brasil e o Instituto Socioambiental (ISA), e também o ambientalista Carlos Alberto Dayrell e o atual presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), o engenheiro químico Nilvo Silva.
As questões ambientais estão descoladas das políticas de desenvolvimento. Este é o grande problema apontado pelos quatro especialistas consultados. “Se perdeu a noção no Brasil de que gestão ambiental é também para preservar os recursos que alimentam a própria economia”, lamenta, sem papas na língua, Nilvo Silva, trazido às pressas da Dinamarca no ano passado, pelo governador Tarso Genro, para colocar nos eixos a Fepam, um dos alvos da rumorosa Operação Concutare.
Para Adriana Ramos, secretária executiva adjunta do Instituto Socioambiental (ISA), o Brasil passa por um retrocesso ambiental. Segundo ela, no último governo de FHC e no primeiro mandato de Lula houve avanços, o país pensava e estruturava uma política na época. “Tinha proposta, a questão ambiental era tratada de maneira mais transversal, vista como oportunidade. Hoje, meio ambiente é considerado um empecilho. Ao invés de política, há gestão de conflitos apenas”, constata.
A ambientalista concorda com Nilvo a respeito da distância que há entre meio ambiente e desenvolvimento. Adriana recorda que a Rio+20, realizada em 2012 no Brasil, deixou bem claro que a prioridade dos governos é a crise econômica. E que a questão ambiental é um luxo que pode esperar. “Então, as empresas voltam para o seu umbigo, e o seu umbigo é o lucro. Temos um setor privado com baixo compromisso ambiental no Brasil”, reconhece a secretária do ISA.
Avaliação semelhante faz o jornalista gaúcho Aldem Bourscheit, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil. Em sua opinião, o Brasil segue licenciando, construindo e destruindo sem realmente levar em conta sua enorme riqueza natural e humana. “Em jogo está não apenas a perpetuação desse patrimônio, mas também a da nossa própria economia e qualidade de vida, altamente dependentes de recursos naturais em quantidade e qualidade”, ressalta.
Mudança do clima, biodiversidade e água
Na opinião de Nilvo Silva, que já ocupou um alto cargo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e também no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em Nairóbi, no Quênia, os três principais problemas ambientais que mais se agravaram nos últimos anos foram a mudança do clima, a perda da biodiversidade, principalmente devido ao avanço do agronegócio, e a falta de gestão da água, todos os três relacionados entre si.
Pela falta de uma política consistente, Nilvo Silva considera as mudanças climáticas o problema que mais se agravou no Brasil nos últimos anos. Para ele, a poluição industrial é algo preocupante também, no entanto, considera que há instrumentos para enfrentá-la. “A poluição do ar tem problema, mas tem política também”, constata o presidente da Fepam, que se debate, desde que chegou da Europa, com o descalabro que foi o sucateamento da Rede de Monitoramento do Ar do estado.
Mais preocupante é a desconexão entre a mudança do clima, a biodiversidade e a água. Os três temas tocam direto no modelo de desenvolvimento, na necessidade de uma economia de baixo carbono, mas são tratados ainda de forma isolada sem uma política pública abrangente.
“Conciliar o desenvolvimento da agricultura, por exemplo, que precisa da água, com a proteção da biodiversidade é um enorme desafio no Brasil.Além da questão do agrotóxico, há conversão irreversível de vegetação nativa”, analisa o engenheiro.
Existem vários programas fragmentados na área da biodiversidade, mas não uma política pública brasileira na escala que precisa, ressalta o presidente da Fepam. Para a mudança do clima, existem programas e uma lei nacional, mas a implementação é insuficiente. “Em nome de uma economia de baixo carbono não se pode acabar com a biodiversidade brasileira para termos biocombustíveis. Sem falar nos conflitos com a geração de alimentos”, avalia Nilvo.
O problema da água é a falta de gestão. E falta de conexão com o tema da biodiversidade, pois para ter água precisa ter floresta e vegetação nativa. “Rios e banhados são infraestrutura natural”, repara Nilvo. A lei que estabeleceu a cobrança pelo uso da água e a criação de agências de bacia hidrográfica é da última década do século passado e até hoje não saiu do papel. “São Paulo está pagando um preço caríssimo agora por não fazer gestão”, exemplifica.
Dos grandes temas ambientais, a água hoje é o principal problema, concorda a ambientalista Adriana Ramos, do ISA, entidade de atuação destacada na região amazônica. “É o grande tema porque se relaciona com saneamento, mudança do clima, energia e há uma flagrante falta de preparo para enfrentar a crise”, constata a especialista, também citando a escassez de água enfrentada em São Paulo por falta de gestão ambiental.
Lentidão e retrocessos ambientais
Como desenvolvimento e meio ambiente ainda têm muitas dificuldades de relacionamento no Brasil, há uma enorme lentidão para implantar legislações de suma importância para o país, avalia o jornalista Aldem Bourscheit, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil. Como exemplo, ele cita a Política Nacional de Resíduos Sólidos – sobre esse tema, ver reportagem do Extra Classe. “O prazo para seu cumprimento se encerra no início de agosto, mas ainda existem por volta de 2 mil lixões”, aponta.
Lentidão em tramitação ou aprovação também se nota, segundo ele, no Estatuto dos Povos Indígenas, parado na Câmara dos Deputados desde 1994, ou no da Proposta de Emenda Constitucional que reconhecerá o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais, como já são a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Matogrossense e a Zona Costeira. O projeto aguarda aprovação no Legislativo federal desde 1995, ressalta
Um dos maiores retrocessos legislativos dos últimos anos, na avaliação do especialista do WWF-Brasil, foi a votação do novo Código Florestal Brasileiro que reduziu a função socioambiental das propriedades privadas e anistiou quem cometeu ilegalidades ambientais. Há instrumentos positivos, avalia ele, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e as regras para restauração florestal. Todavia, urge a regulamentação de instrumentos econômicos e fiscais para incentivar sua aplicação.
Estudo recente publicado na revista Conservation Biology revelou que nas últimas três décadas o Brasil perdeu 5,2 milhões de hectares antes conservados em parques nacionais, estações ecológicas, reservas extrativistas e demais categorias de Unidades de Conservação. Esse movimento de perda se intensificou, explica Bourscheit, a partir da publicação de novas regras para a área energética nacional, em 2008. Proposições legislativas ainda tentam reduzir ou extinguir mais áreas protegidas.

“Estamos navegando na marginalidade”
O avanço do agronegócio é o problema ambiental que mais tem se agravado no Brasil nas últimas décadas, na avaliação de Carlos Alberto Dayrell, engenheiro agrônomo e pesquisador do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais. Ele ficou conhecido em todo o país quando, no dia 25 de fevereiro de 1975, subiu em uma árvore para impedir o seu corte na avenida João Pessoa, em Porto Alegre, e a foto deste primeiro ato ecopolítico virou símbolo do movimento ecológico brasileiro.
Dayrell recebeu a reportagem do Extra Classe após ser homenageado, em maio, pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan). Para ele, a agricultura baseada na mecanização, adubos químicos, agrotóxicos e sementes transgênicas tem causado grande impacto ambiental, pois ela simplifica os sistemas produtivos, aumentando artificialmente a produção e a produtividade. “Transnacionais dominam todas as etapas de produção de alimentos”, protesta o ambientalista mineiro.
No Brasil, acrescenta Dayrell, existe um movimento que vem com muita dificuldade construindo novas perspectivas não só de produção, mas de relação da sociedade com a própria natureza através da agroecologia, com outras possibilidades para atender a demanda da população por alimentos sadios. “Porém, é um processo totalmente marginal em relação à política nacional de apoio ao agronegócio. Estamos navegando na marginalidade, e não na centralidade”, lamenta o ambientalista.


* Publicado originalmente no site Extra Classe.org.br.
(Extra Classe.org.br)

sábado, 7 de junho de 2014

Em comemoração ao dia do meio ambiente, o Porvir separou dicas de jogos que ensinam a cuidar do planeta de forma divertida

124 8 games para aprender sobre sustentabilidade
JumalaSika ltd. Foto: Fotolia.com


Ontem foi celebrado o dia internacional do meio ambiente. A data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) no ano de 1972, como uma forma de conscientizar a população mundial sobre temas ambientais, promovendo o debate, a valorização e a preservação do planeta. Já que nas últimas décadas a temática da sustentabilidade passou a ocupar espaço em grandes conferências e ganhou visibilidade em diferentes meios de comunicação, os professores podem aproveitar o momento e levar o assunto para dentro da sala de aula.
Para aprender a cuidar do planeta de forma divertida, o Porvir separou uma lista com dicas de jogos que trazem discussões sobre sustentabilidade e consumo consciente. Os games abordam temas como reciclagem, desenvolvimento sustentável de cidades, reflorestamento, impacto ambiental e lixo eletrônico. Eles estão disponíveis de forma on-line e podem ser usados com alunos do ensino fundamental e médio.
Confira a lista com 8 games separados pelo Porvir:
1. Cidade Verde
Com esse game, o aluno assume o papel de reestruturar uma cidade para que ela não seja penalizada pela WEPA, órgão responsável por monitorar impactos no meio ambiente. Como prefeito da cidade, o jogador precisa tomar decisões para garantir suprimento para a população, ao mesmo tempo em que se preocupa o crescimento do local de forma sustentável.
2. Coleta seletiva
Memorizar as cores utilizadas na coleta seletiva pode se tornar uma tarefa mais divertida com o apoio de um jogo. Com esse game, os alunos aprendem a forma correta de separar os resíduos para a reciclagem. Após uma breve explicação sobre o que deve ser descartado em cada recipiente, o jogador assume a tarefa de ir separando os materiais que aparecem em um esteira.
3. SOS Mata Atlântica
No game, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, o jogador deve executar uma série de atividades que variam entre o reflorestamento, coleta seletiva, controle da qualidade da água e o combate à caça predatória. Ao completar cada missão proposta pelo jogo, o usuário adquire uma bonificação que aumenta a sua consciência ambiental e libera uma variedade maior de árvores nativas da Mata Atlântica para a sua floresta.
4. Quiz sobre sustentabilidade
O Quiz tem perguntas sobre diversos temas ligados à sustentabilidade. Cada resposta correta é contabilizada na pontuação do jogador. No final, se o aluno errou muitas perguntas, o game sugere que ele estude mais sobre o assunto.
5. Game Change Rio
Nesse game, o jogador assume o papel de um economista chefe da ONU para o meio ambiente. A sua tarefa é aplicar políticas de sustentabilidade para que a cidade cresça sem poluir, conciliando o desenvolvimento industrial e social do local. Os dados das simulações presentes no jogo foram elaborados com base no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
6. Calculadora da pegada ecológica
Com uma ferramenta dinâmica de perguntas e respostas, o usuário marca as opções que melhor se enquadram ao seu padrão de consumo. Feito isso, ele consegue ter uma estimativa aproximada da sua pegada ecológica. A ferramenta ajuda o estudante a entender as consequências das suas ações no meio ambiente.
7. Hora do Planeta
A Hora do Planeta é conhecida como uma data simbólica em que todas as pessoas são convidadas a apagar as luzes, mostrando a sua preocupação com o aquecimento global. Da mesma forma, o game desenvolvido pela WWF-Brasil propõe que o jogador desligue o máximo possíveis de luzes em uma cidade. De forma lúdica, o jogo incentiva a consciência ambiental e apresenta a data simbólica ao aluno.
8. Reduzindo o lixo eletrônico
Desenvolvido pelo Instituto Akatu, uma organização que trabalha pela conscientização e mobilização para o consumo consciente, o game tem como pano de fundo o tema lixo eletrônico. Nesse game, o jogador é desafiado a consertar celulares quebrados e dar uma nova vida para eles.


* Publicado originalmente no site O Porvir.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A negação do meio ambiente

 
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O século 20 conseguiu consolidar o apartheid entre a humanidade e as dinâmicas próprias dos ecossistemas e da biosfera. Até o final do século 19, quando nasceu meu avô, a vida na terra, em qualquer que fosse o país, tinha estreitos laços com os produtos e serviços da natureza. O homem dependia de animais para a maior parte do trabalho, para locomoção e mal começava a dominar máquinas capazes de produzir força ou velocidade. Na maioria das casas o clima era regulado ao abrir e fechar as janelas e, quando muito, acender lareiras, onde madeira era queimada para produzir calor.
Cem anos depois a vida é completamente dominada pela tecnologia, pela mecânica, pela química e pela eletrônica, além de todas as outras ciências que tiveram um exponencial salto desde o final do século 19. Na maior parte dos escritórios das empresas que dominam a economia global a temperatura é mantida estável por equipamentos de ar condicionado, as comunicações são feitas através de telefones sem fio e satélites posicionados a milhares de quilômetros em órbita, as dores de cabeça são tratadas com comprimidos e as comidas vêm em embalagens com códigos de barra.
Não se trata aqui de fazer uma negação dos benefícios do progresso científico, que claramente ajudou a melhorar a qualidade de vida de bilhões de pessoas, e também deixou à margem outros bilhões, mas de fazer uma reflexão sobre o quanto de tecnologia é realmente necessário e o que se pode e o que não se pode resolver a partir da engenharia. As distâncias foram encurtadas e hoje é possível ir a qualquer parte do mundo em questão de horas, e isso é fantástico. No entanto, nas cidades, as distâncias não se medem mais em quilômetros, mas sim em horas de trânsito. E isso se mostra um entrave para a qualidade de vida.
Computadores, internet e telecomunicações tornaram o mundo menor e abriram as portas de um universo de conhecimento inimaginável poucos anos atrás. Ainda na década de 1990 fiz uma entrevista com o pensador norte-americano Alvin Toffler , autor de “A Estrada do Futuro” e perguntei porque o futuro que se desenhava era tão diferente do que havia sido previsto poucos anos atrás, da década de 1970. “Simples”, respondeu ele. “Ninguém foi capaz de prever que os computadores se tornariam eletrodomésticos, e mais ainda, que eles seriam ligados em rede possibilitando comunicação universal entre pessoas e bancos de dados”, concluiu. Ou seja, a web, a internet como conhecemos hoje, 20 anos depois daquela entrevista, não foi uma evolução previsível.
Romantismo pragmático
Há um certo romantismo em pensar na vida em comunhão com a natureza, onde as pessoas dedicam algum tempo para o contato com plantas, animais e ambientes naturais. Eu pessoalmente gosto e faço caminhadas regulares em praias e trilhas. Mas não é disso que se trata quando falo na ruptura entre a engenharia humana e as dinâmicas naturais. Há uma crença que está se generalizando de que a ciência, a engenharia e a tecnologia são capazes de resolver qualquer problema ambiental que surja. E esse é um engano que pode ser, em muitos casos, crítico para a manutenção do atual modelo econômico e cultural das economias centrais e, principalmente, dos países que agora consideramos “emergentes”.
Alguns exemplos de que choques entre a dinâmica natural e o engenho humano estão deixando fraturas expostas. A região metropolitana de São Paulo está enfrentando uma das maiores crises de abastecimento de água de sua história. As nascentes e áreas de preservação que deveriam proteger a água da cidade foram desmatadas e ocupadas, no entanto a mídia e as autoridades em geral apontam a necessidade de mais obras de infraestrutura para garantir o abastecimento, como se a produção de água pelo ecossistema não tivesse nenhum papel a desempenhar.
No caso da energia também existe uma demanda incessante por mais eletricidade, mais combustíveis e mais consumo. Isso exige o aumento incessante da exploração de recursos naturais e não renováveis. Pouco ou nada se fala na elaboração de programas generalizados de eficiência energética, de modo a economizar energia sem comprometer a qualidade de vida nas cidades.
Outro ponto de descolamento é a gestão de resíduos. Grande parte dos ambientes naturais está contaminada por plásticos e outros resíduos produzidos pelo descarte de produtos usados e embalagens. A gestão de resíduos tem sido encarada como um problema de engenharia, fala-se muito em aterros sanitários e em “queima energética” dos resíduos, o que levaria a agravar outro problema presente na agenda ambiental do século 21, as mudanças climáticas, causadas principalmente pelas emissões de CO² das atividades humanas. Pouco ainda se faz em direção a uma eficaz redução da geração de resíduos ou da utilização maior de materiais reciclados e/ou biodegradáveis.
Serviços Ambientais
Há também o desmatamento em todos os biomas brasileiros e ao redor do mundo. Monitora-se muito os dados sobre a Amazônia, mas há problemas sérios na Mata Atlântica, cujos dados recentes mostram aumento da área desmatada, no Cerrado, onde estão as nascentes de alguns dos grandes rios brasileiros, e até na Caatinga, que sofre periodicamente com longos períodos de estiagem.
Todos esses dilemas, porém, parecem alheios ao cotidiano das grandes cidades, onde o trânsito e o tempo (medido em horas) ocupam os espaços de preocupação. Não há no imaginário de pessoas que vivem em ambientes artificiais de edifícios, automóveis e espaços urbanos degradados uma clara noção dos vínculos existentes entre suas vidas e os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas.
A desconexão vai além da simples percepção, nas cidades as pessoas se recusam a mudar comportamentos negligentes como o descarte inadequado de resíduos ou desperdícios de água e energia. Há muito a mudar. Pessoas, empresas, governos e organizações sociais são os principais atores de transformação, mudanças desejáveis e possíveis, mas que precisam de uma reflexão de cada um sobre o papel do meio ambiente na vida moderna.
É um equívoco pensar que civilização e meio ambiente são departamentos estanques. O moderno modo de vida das sociedades de consumo depende da resiliência dos ecossistemas em oferecer água, alimentos e todo o tipo de produtos minerais e vegetais necessários para a manutenção da sociedade do século21.
A profunda descrença na capacidade humana em mudar é, na verdade, uma atitude inconsequente de uma geração acomodada no individualismo e no consumismo, onde as relações sociais se dão mais em redes cibernéticas do que no bom e velho calor humano. As sociedades humanas vivem em constante mutação, como mostra a história. Negar a possibilidade de que o futuro seja um bom lugar para se viver é violentar os direitos de nossos filhos e netos de ter uma existência digna!

Fonte: por Dal Marcondes, da Envolverde

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Semana Mundial do Meio Ambiente

 
No dia 05 de junho comemora-se o dia do meio ambiente.

A criação da data foi em 1972, em virtude de um encontro promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de tratar de assuntos ambientais, que englobam o planeta, mais conhecido como conferência das Nações Unidas.

A conferência reuniu 113 países, além de 250 organizações não governamentais, em que a pauta principal abordava a degradação que o homem tem causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência, de tal modo que a diversidade biológica deveria ser preservada acima de qualquer possibilidade.

Nessa reunião, criaram-se vários documentos relacionados às questões ambientais, bem como um plano para traçar as ações da humanidade e dos governantes diante do problema.

A importância da data está relacionada às discussões que se abrem sobre a poluição do ar, do solo e da água; desmatamento; diminuição da biodiversidade e da água potável ao consumo humano, destruição da camada de ozônio, destruição das espécies vegetais e das florestas, extinção de animais, dentre outros.

A partir de 1974, o Brasil iniciou um trabalho de preservação ambiental, através da Secretaria Especial do Meio Ambiente, para levar à população informações acerca das responsabilidades de cada um diante da natureza.

Mas em face da vida moderna, os prejuízos ainda estão maiores. Uma enorme quantidade de lixos é descartada todos os dias, como sacos, copos e garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros em geral, papéis e papelões, causando a destruição da natureza e a morte de várias espécies de animais.

A política de reaproveitamento do lixo ainda é muito fraca, em várias localidades ainda não há coleta seletiva; o que aumenta a poluição, pois vários tipos de lixos tóxicos, como pilhas e baterias são descartados de qualquer forma, levando a absorção dos mesmos pelo solo e a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.

É importante que a população seja conscientizada dos males causados pela poluição do meio ambiente, assim como de políticas que revertam tal situação.

E cada um pode cumprir com o seu papel de cidadão, não jogando lixo nas ruas, usando menos produtos descartáveis e evitando sair de carro todos os dias. Se cada um fizer a sua parte, o mundo será transformado e as gerações futuras viverão sem riscos.

Fonte: Site Brasil Escola

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Produção e consumo responsáveis

A produção e o consumo são grandes impulsionadores da economia e, quando feitos com foco em responsabilidade socioambiental, têm grande contribuição para o desenvolvimento sustentável. Produzir de maneira mais responsável envolve novas formas de pensar produtos e serviços, inovando em soluções de menor impacto ambiental e maior valor social. Neste cenário, é crescente o número de consumidores que cobram atitudes diferenciadas e empresas engajadas nesta nova perspectiva, dando preferência produtos e serviços sustentáveis.
Em entrevista ao Centro Sebrae de Sustentabilidade, na Semana do Meio Ambiente, Helio Mattar*, diretor-presidente do Instituto Akatu, fala sobre exigências de mercado e novas formas de produção e consumo mais responsáveis.

O mercado nacional tem cobrado posturas mais responsáveis das empresas. Quais iniciativas são esperadas, especialmente dos pequenos negócios?
O consumidor brasileiro espera que as empresas façam mais do que está estabelecido pelas leis. Uma pesquisa realizada pelo Akatu mostra que 53% dos consumidores concordam com esta afirmação. Levando em consideração esta expectativa, perguntamos quais atitudes ele espera das empresas, e oferecemos 30 alternativas relativas à sociedade e meio ambiente. Primeiro, a empresa não deve usar trabalho infantil e forçado. Isto aparece desde a primeira edição da pesquisa, em 2000. Segundo, é que as empresas devem ter um programa de contratação de mulheres, negros e pessoas com deficiências. Terceiro, que ela garanta uma remuneração justa para seus colaboradores. Quarto, que ela minimize os riscos a segurança e saúde do consumidor. Todas estas iniciativas indicadas pelo consumidor se aplicam tanto para grandes, quanto para pequenas empresas, na indústria, serviço ou comércio.
Continuando a listagem, ele fala sobre a importância da reciclagem, uso de água e educação. Educar o consumidor sobre os impactos socioambientais do consumo é um fator que começou a aparecer há dois anos. Existe, hoje, uma sensibilidade do consumidor nesta direção, e ele entende que deve ser educado para isto.
Outro dado relevante é que o interesse do consumidor por responsabilidade socioambiental aumento muito, passando de 16% em 2010, para 60% em 2012. A quantidade de consumidores que se interessam e buscam informações sobre o assunto também aumentou, de 44 para 60% neste mesmo período. Estes números são importantes, pois indicam que o consumidor está passando a fazer escolhas mais conscientes sobre o que ele vai comprar. Indica que as empresas precisam comunicar o que estão fazendo, contar para o consumidor seja em seu site ou relatórios.

Apesar desta maior consciência do consumidor sobre a importância da responsabilidade socioambiental, ainda existem pequenos negócios que não adotam formas de produção com menor impacto ambiental. Quais são as barreiras encontradas?
O primeiro fator é a falta de percepção dos empresários sobre a importância que o consumidor tem dado a estes fatores. Na medida em que não há essa percepção, ele não busca se diferenciar nas questões socioambientais. Segundo, a diferenciação socioambiental reduz muito os riscos em curto prazo, mas traz resultados em longo prazo. Por exemplo, se uma empresa é pega por trabalho escravo, sofre sanções imediatas. No entanto, ao adotar posturas responsáveis, sempre evitará que isto aconteça. O terceiro fator é de natureza tecnológica. Em muitos casos, para que o impacto ambiental negativo seja reduzido, seja do produto ou da produção, há uma exigência de tecnologia e investimento, e muitas vezes o empresário não tem essa possibilidade, ou não valoriza o suficiente esta iniciativa.
O quarto fator é a necessidade de haver incentivos ambientais para que as empresas se direcionem a isso. Vários bancos, por exemplo, vem exigindo declarações de que as empresas não estão ferindo o meio ambiente e que elas praticam formas de trabalho totalmente aceitáveis, caso contrário eles não fornecem financiamentos. Quando isto começou, oito anos atrás, era destinado apenas a grandes projetos, onde o montante envolvia cinco milhões de reais. Depois, este valor foi reduzido para dois milhões, e então para créditos cotidianos. Hoje, também está disponível para os médios e, futuramente, para pequenos. Isto é importante na medida em que estimula as empresas a adotarem práticas diferenciadas.
Também poderíamos ter maior regulação do governo quanto à concentração dos produtos. Em geral, os produtos são vendidos muito diluídos. Se há maior concentração, reduz-se a quantidade de água, a quantidade transportada, emite-se menos carbono, há redução das embalagens, de resíduos a serem reciclados e até menos transporte para reciclagem. O impacto acontece em cadeia.

É possível aliar crescimento de participação do mercado com produção e consumo sustentáveis?
Sim, mas sem criar expectativas de que isto aconteça em curto prazo. Existem diversas empresas que adquiriram posições de liderança por produção e produtos mais sustentáveis, ou que se caracterizaram no mercado em função da sustentabilidade. O grande fenômeno que está ocorrendo no século 21 é que os vários públicos que se relacionam com as empresas, sejam consumidores, fornecedores, comunidade ou governo, formam uma percepção sobre quem é a empresa, divulgando esta percepção em seus diversos contatos. Assim, a sua reputação, especialmente em termos socioambientais, dá-se muito mais pelo que os públicos falam, do que pelo que ela própria fala. É importante perceber que este processo não acontece em curto prazo, mas sim na medida em que as pessoas vão falando sobre sua postura.
Quando o consumidor passa a ter interesse por aspectos socioambientais, ele começa a olhar de maneira diferenciada e dar preferência a empresas que tenham esta postura. É um caminho natural a ser percorrido. A confiança do consumidor só é conquistada, e ele de fato vê a empresa como diferenciada, quando percebe a forma como o seu público fala sobre ela.

Quais iniciativas podem ser tomadas pelos empresários de pequenos negócios neste sentido?
Primeiro, é preciso olhar “dentro de casa”, junto aos funcionários, ter uma relação respeitosa e digna onde a remuneração é adequada. Isto independe do tamanho da empresa. Segundo, reduzir o consumo de água e energia, lembrando que isto também é muito valorizado pelo consumidor. Terceiro, e fazendo relação aos produtos industriais, é preciso garantir que eles não sejam prejudiciais à saúde e segurança do consumidor. Isto é uma grande proteção em médio e longo prazo, pois se a empresa causa algum tipo de dano, pode literalmente acabar com seu negócio. Outra ação que o empresário pode fazer, sem ter que fazer grandes mudanças, é olhar a quantidade de emissões líquidas e gasosas, buscando quanto ele pode reduzir. O pequeno comércio, por exemplo, na maioria das vezes, faz compras menores nos atacadistas, deslocando-se diversas vezes, o que leva a mais emissão de carbono. Aumentar o volume das compras e diminuir as idas ao atacadista é uma ação simples que não demanda investimento.

As certificações podem auxiliar consumidores e empresas? Como?
Com certeza podem ajudar ambos. As empresas, pois estabelecem regras claras sobre o que é esperado dela, fornecendo parâmetros de como ela deve atuar. E os consumidores, pois é uma maneira simples de comunicar qualidade. Sem o selo, fica mais difícil de tomar conhecimento sobre as atitudes da empresa. O problema é que está sendo criado um número muito grande de certificações e o consumidor tem dificuldade em reconhecê-los. Isso faz com que ele dê mais valor às entidades conhecidas.

Quais são as barreiras para que os consumidores adotem posturas mais responsáveis com o meio ambiente?
O consumidor deseja ter esta postura, o que faltam são informações simples e, de preferência, no ponto de venda. Hoje, com smartphones, as empresas podem disponibilizar informações sobre suas atitudes socioambientais por meio dos códigos de barras. O consumidor visualiza de forma simples e sintética e isto pode ajudá-lo a decidir. Os próprios varejistas também podem atuar neste sentido, fornecendo informação nas lojas, segmentando e informando o consumidor sobre onde encontrar marcas com posturas socioambientais. A questão central é fornecer informação com credibilidade. Assim, é possível motivar positivamente o consumidor.

* Helio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, ex-secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ex-diretor-presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, co-fundador e membro do Conselho do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Executivo durante 22 anos em empresas nacionais e multinacionais, bem como em suas próprias empresas.

Fonte: Site Envolverde www.envolverde.com.br 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Prefeitura abre a XIV Semana do Meio Ambiente e XVII Eco Dourados no dia 4


A Prefeitura de Dourados, através do Imam (Instituto de Meio Ambiente de Dourados), realiza entre os dias 4, 5 e 6 de junho, a XIV Semana do Meio Ambiente e a XVII Eco Dourados. A abertura oficial será realizada, às 19h, na Câmara Municipal de Dourados. No período da manhã, das 8h às 11h, estão programadas apresentações de ações ambientais na Praça Antônio João.

A programação inclui palestras, minicursos, apresentação dos projetos de educação ambiental, apresentações culturais, visita às estações ecológicas, além da entrega do Troféu Marco Verde.

O diretor-presidente do Imam, Rogério Yuri Farias Kintschev informou que o objetivo é discutir temas diversos sobre o meio ambiente com segmentos da sociedade, enfocando principalmente os problemas ambientais da atualidade.

Através dos eventos, a prefeitura pretende envolver alunos de escolas públicas e particulares, acadêmicos, professores, ambientalistas, entre outras pessoas ligadas ao meio ambiente.

Durante a abertura haverá apresentação cultural no Plenário da Câmara. Às 19h40 acontece mesa redonda enfocando o tema: “Zoneamento ecológico e econômico do Mato Grosso do Sul”, com o palestrante, Tito Carlos Machado da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

No segundo dia de evento a programação acontece no Centro de Eventos da Unigran das 9h às 19h com várias ações. No terceiro dia, a programação também será na Unigran, das 8h às 20h20. Paralelamente, nos dias 5 e 6, também estão programados os minicursos com várias palestras proferidas por ambientalistas do Imam, universidades, Sanesul e Comdam (Conselho Municipal do Meio Ambiente).

Troféu - O Imam está recebendo desde o dia 12 as inscrições de indicações ao prêmio “Troféu Marco Verde”, que será entregue no dia 6 de junho, durante a XIV Semana do Meio Ambiente e XVII Eco Dourados. As inscrições serão feitas até dia 23 deste mês.

O troféu ao ganhador será acompanhado de certificado, constando o nome e o trabalho do vencedor. Podem ser indicadas pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que tenham se destacado com trabalhos ou ações na preservação ambiental.

Os Ipês Ativos da Filial Dourados estarão participando do evento.

Fonte: Assessoria de Comunicação -Prefeitura de Dourados-MS

Mais cidades para pessoas

Levar a sustentabilidade para as metrópoles inclui necessariamente a reapropriação dos espaços públicos e uma nova visão do planejamento urbano. Reunidos em São Paulo, em evento organizado pelo WWF-Brasil, especialistas discutem como cuidar e viver bem em nossas cidades.



O espaço urbano brasileiro sempre privilegiou os automóveis. Grandes avenidas foram construídas, rios canalizados e centros públicos de convivência nunca fizeram parte de planos diretores. Com a saturação das cidades e o caos da mobilidade, novas formas de viver e conviver precisam ser pensadas - e sobretudo, colocadas em prática.

Na mesa-redonda Cidades Sustentáveis, realizada pelo WWF-Brasil esta semana em São Paulo, temas como Pegada Ecológica, Política Nacional de Resíduos Sólidos, Construções Sustentáveis, Mobilidade Urbana e Desafio das Cidades foram debatidos. O moderador foi o empresário e político Fabio Feldman.

Entre os principais pontos defendidos por especialistas estão:
- O planeta está conectado. O que acontece na Amazônia tem impacto sobre outras cidades, como São Paulo, por exemplo;
- O conceito de valor compartilhado deve guiar a nova economia;
- Se não houver solução de longo prazo e conscientização sobre a gravidade da crise hídrica no sudeste, São Paulo ficará sem água;
- A pegada ecológica precisa ser reduzida, pois o planeta não aguenta mais a pressão humana;
- Cidades sustentáveis só serão possíveis com hábitos e cidadãos sustentáveis;
- Políticas públicas devem ser fomentadas para facilitar a transição das pessoas para a prática de atitudes mais sustentáveis;
- Consumo responsável depende da maior oferta de opções sustentáveis na prateleira;
- Não basta que construções sejam sustentáveis, elas precisam levar em conta custo, ecoficiência e a sociedade;
- Produtos sujos têm de pagar pelas externalidades, ou seja, pelos danos causados ao meio ambiente e à sociedade;
- Por último, problemas são globais, mas as soluções devem ser locais.

Para Renata Falzoni, diretora de comunicação do Instituto Pedala Brasil, a mobilidade sustentável deve ser baseada nas pessoas e não nos veículos. "As cidades devem ser movidas por pessoas", disse. Idealizadora do projeto Bike é Legal, ela acredita que a bicicleta é uma grande ferramenta de conexão entre o ser humano e o espaço público. Renata citou um estudo do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), organização americana que elaborou os Princípios do Desenvolvimento Orientado do Transporte, resumo didático do que deve ser feito para solucionar o problema de mobilidade, equidade e qualidade de vida nas cidades.

Confira o que o documento prega:
1. Caminhar e usar a bicicleta;
2. Conectar pessoas através de rede de trajetos a pé, ciclovias e transporte público;
3. Reduzir oferta de vagas para veículos e aumentar o preço de estacionamentos;
4. Adensar áreas urbanas no entorno de estações de transporte público, com uso comercial e residencial e;
5. Misturar e compactar bairros de maneira a facilitar inclusão social e econômica da população.


Fonte: *WWF-Brasil
Bike é Legal
Institute for Transportation and Development Policy