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quarta-feira, 2 de julho de 2014

#SOSJURUENA - em defesa do quarto maior parque nacional do País


Criado em junho de 2006, o Parque Nacional do Juruena, situado ao norte do Mato Grosso e sudeste do Amazonas, é o quarto maior parque nacional do país, com quase 2 milhões de hectares, uma área equivalente ao tamanho de Israel. Além disso, a unidade de conservação (UC) é parte do maior sistema de rios do país (Bacia do Tapajós), possui a maior diversidade e produtividade de água doce do planeta e ocupa uma posição estratégica no chamado Arco do Desmatamento, garantindo a conectividade ambiental das áreas protegidas vizinhas e entre a Amazônia e o Cerrado.

Apesar de toda a sua beleza e grandiosidade, parte dessa biodiversidade pode deixar de existir. No dia 24* de junho de 2014, o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realiza uma importante reunião que poderá definir o futuro do Parque. O órgão poderá declarar como de “utilidade pública” parte do Parque Nacional do Juruena, o que seria o primeiro passo para permitir a redução da área protegida para a construção das usinas hidrelétricas de São Simão Alto e Salto Augusto Baixo. Elas são parte de uma série de sete hidrelétricas que o governo planeja cravar na Bacia do Tapajós, em que o Juruena se encontra, com alto impacto socioambiental.

Para alertar a sociedade sobre essas ameaças ao Parque Nacional do Juruena e à Bacia do Tapajós, o WWF-Brasil lança, hoje (2), a campanha SOS Juruena. A partir da inciativa, queremos pedir o apoio da sociedade para, juntos, pressionarmos o governo para não permitir a construção das hidrelétricas dentro do Parque Nacional do Juruena e assim garantir que esta Unidade de Conservação se mantenha íntegra.

Se construídos, apenas os reservatórios inundarão mais de 40 mil hectares no Parque Nacional do Juruena e nos parques estaduais Igarapés do Juruena e Sucunduri, e nas terras indígenas Escondido, dos Apiakás do Pontal e de nativos isolados. Além das populações locais, as barragens afetariam ainda a sobrevivência de 42 espécies de animais ameaçadas ou que só existem naquela região, colocando em risco as corredeiras do rio Juruena e inviabilizando processos ecológicos vitais para peixes migratórios, por exemplo.

“Quando uma espécie de pássaro ou de planta morre, ela acaba para sempre. Não há ciência que permita que ela seja recuperada. No caso de um Parque como o Juruena são dezenas de espécies que só existem e são protegidas pelo Parque. Mesmo que o Juruena seja muito longe de São Paulo ou Brasília, o Parque tem dentro dele um acervo de cada brasileiro, que se for perdido não vai ser recuperado, nem assumido por outra unidade de lugar nenhum”, avalia Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

De acordo com Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil, é inaceitável que áreas protegidas, como o Juruena, criadas mediante exaustivos estudos socioambientais, acordos políticos entre governos e setores produtivos e indispensáveis à manutenção de serviços ambientais, tenham sua integridade ameaçada por decisões unilaterais de conselhos exclusivamente governamentais. “A única solução que nós vemos é a não construção dessas hidrelétricas no Parque. Não somos contra o desenvolvimento do país e a geração de energia elétrica, mas sim contra a falta de clareza e transparência pelos quais os processos são desenvolvidos”, explica.

Debate democrático

A construção de hidrelétricas sem a avaliação das alternativas existentes e debate amplo com a sociedade aumentam desmatamentos, degradação socioambiental, alagamentos e barramentos desnecessários de rios. Em regiões bastante preservadas da Amazônia, como a Bacia do Tapajós, esses efeitos são multiplicados. “Criam-se novas fronteiras de desmatamento, de urbanização desordenada e de deterioração socioambiental e cultural profundas, além das emissões significativas de gases de efeito estufa e a degradação irreversível da maior reserva de água doce do planeta”, esclarece Jean Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Timmers defende ainda a abertura da discussão sobre a política energética brasileira para toda a sociedade, com debate qualificado, transparente e democrático. “Sustentabilidade real e concreta pressupõe transparência e participação social ampla, de forma a garantir equilíbrio entre fatores econômicos, sociais e ambientais na formulação de políticas públicas, na tomada de decisões e nas ações que afetem o conjunto ou parte do território e dos brasileiros. Não é possível que uma decisão unilateral do CNPE desconsidere todo o esforço da sociedade e dos governos em criar um parque dessa importância na Amazônia e pôr em risco um patrimônio de todos os brasileiros”, diz o representante do WWF-Brasil.

 

Fonte: Site WWF

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Ecoalfabetização

“Nossos alunos precisam ser ensinados que o crescimento econômico – quando acontecer – deve vir em conjunto com a justiça social, sempre resguardando a proteção do meio ambiente”, propõe o economista Marcus Eduardo de Oliveira .


Ao desconsiderar o sistema ecológico em toda sua amplitude na peculiar relação que mantém com o sistema econômico, a teoria econômica tradicional ignora assim, de fato e de direito, o que se sucede em termos de movimentação dentro da atividade econômica produtiva, a saber: entra (materiais) e sai (resíduos); entra matéria e energia, sai ejetada poluição e detritos.
Dessa forma, fluxos de entrada (materiais e energia) e de saída (produtos e resíduos) precisam ser considerados, e não relegados ao esquecimento, como tem sido comum pelas lentes míopes da economia neoclássica, envolta numa macroeconomia que não mantém vínculos estreitos com as coisas da natureza.
Trata-se, portanto, de enorme equívoco enxergar a atividade econômica de forma isolada, sem interação com o meio ambiente. Cabe aqui contextualizar que a economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente.
Nesse sentido, o diálogo entre essas duas ciências (sociais e naturais) é cada vez mais necessário. A “conversa” entre a Economia e a Ecologia tem obrigatoriamente de acontecer para que a conscientização ecológica se faça presente, até mesmo porque “não existe sociedade (e economia) sem sistema ecológico, mas pode haver meio ambiente sem sociedade (e economia)”, como bem asseverou o professor Clóvis Cavalcanti.
De forma inequívoca, o processo de produção econômica vem necessariamente acompanhado da geração de resíduo e poluição. Logo, toda a produção econômica “carrega” consigo elementos do processo ecológico.
De toda sorte, essa relação entre a economia e o capital natural, cada vez mais emblemática, envolve alguns aspectos pertinentes: alterações do clima que são potencialmente provocadas pela ação do homem-econômico; exagero de produtos tóxicos ejetados no meio ambiente como resposta às políticas de crescimento da economia sem o menor respeito aos limites físicos da natureza; a falta de energia e matéria para lidar com as manifestações e os desejos da sociedade de consumo que são cada vez mais intensos e seguem sendo ilimitados.
Percebe-se assim que cada vez mais esses “fatos” apontam para a necessidade de se consolidar um novo modo de pensar a atividade econômica a partir da perspectiva da inserção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos (equilíbrio climático, fotossíntese, oferta de solos, ciclos geoquímicos, água limpa e outros) no conjunto da análise econômica moderna, superando, pois, o caráter reducionista presente nas análises neoclássicas.
Todavia, isso só será possível mediante o estabelecimento, em definitivo, de um diálogo entre os dois sistemas: o econômico e o ecológico.
Como estabelecer esse diálogo? Uma boa resposta para isso vem mediante a implantação daquilo que Fritoj Capra chama de ecoalfabetização. Isso proporcionará (e possibilitará) condições essenciais para o desenvolvimento de um novo modo de pensar a atividade econômica.
Estamos convencidos que, enquanto não mudarmos a forma de produção, respeitando, prioritariamente, os ciclos da natureza, longe ficaremos da condição de se alcançar bem-estar humano sustentável e, cada vez mais aprofundaremos o crescimento econômico fútil, baseado no consumo material, em geral, recheado de suntuosidades.
Combater os excessos e entender que o progresso humano não pode ser confundido com o crescimento material é uma primeira e decisiva etapa para a consolidação de uma ecoalfabetização.
Se almejarmos obter uma vida mais tranquila num mundo mais bem desenvolvido, chegou a hora de pôr um fim na dilapidação que vem sofrendo o capital natural por conta das atividades econômicas exercerem forte pressão sobre os recursos da natureza.
Para isso, é fundamental disseminar essa espécie de “consciência ecológica”. Essa consciência ecológica passa por eliminar o “analfabetismo ecológico”, termo criado por Capra – visando praticar a ecoalfabetização.
Para tanto, desde a base, ou seja, a partir dos primeiros anos de ensino-aprendizagem, se faz necessário colocar nossos alunos em contato com os valores que norteiam às ciências ecológicas.
Em paralelo, há de se desenvolver uma política nacional de educação ecológica, uma verdadeira ecoalfabetização que seja capaz de sensibilizar a todos para a importância que representa o sistema ecológico em nossas vidas.
Nossos alunos precisam ser ensinados que o crescimento econômico – quando acontecer – deve vir em conjunto com a justiça social, sempre resguardando a proteção do meio ambiente.
Faz-se necessário ainda, nesse rol de ações, desenvolver plena consciência de que a natureza é a provedora inicial das necessidades humanas e dela dependemos para sobreviver.


* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana – Cuba.
** Publicado originalmente no site Adital.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Uma nova era ambiental

É tempo de deixar de ser o que éramos para nos transformar no que somos capazes de ser”
Marianne Williamson

1164 300x225 Uma nova era ambiental

“Tenho a sensação de estar vivendo o final de muitas épocas”, escreveu Miguel Delibes, que sempre mirava o futuro. A imensa maioria dos dirigentes vive ancorada no passado sem se dar conta de que, por fim, depois de séculos e séculos de poder absoluto masculino, em que a imensa maioria dos seres humanos eram anônimos, invisíveis, obedientes, tementes, agora se avizinham, a passos largos, profundas transformações que nos permitirão progressivamente “ser” todas as pessoas, passando de espectadores passíveis a atores.
Será possível colocar em prática a lúcida expressão de “Nós, os povos…” com a qual se inicia a Carta das Nações Unidas, porque as novas tecnologias da informação e comunicação permitiram a um considerável número de seres humanos “fazerem-se visíveis”, participarem, exporem seus pontos de vista, seus protestos e suas propostas. Com isso, adquiriram uma cidadania mundial e uma consciência global que lhes permite comparar, apreciar o que têm e conhecer as precariedades alheias. Mas, para a mudança de época é, sobretudo, imprescindível contar com a participação feminina, com seu inerente respeito à vida e utilizar sem propensões a força e o domínio para impor seus critérios – de tal modo que a equidade seja um dos principais pilares do novo paradigma.
O mundo deve hoje conhecer e reconhecer o insólito poder cidadão. A sociedade civil, submissa desde a origem dos tempos, passará agora a ser protagonista, em poucos anos, de múltiplas mudanças, apesar da inércia, apesar das travas de toda ordem que serão colocadas por aqueles que continuam presos ao ontem e não querem aceitar as responsabilidades que lhes são incumbidas para superar a crise sistêmica que afeta a humanidade e que tantos rompimentos vem produzindo – particularmente, no tecido social mais vulnerável.
Se não há evolução, haverá revolução, agora sem derramamento de sangue porque se dará, sobretudo, no ciberespaço. Os que impuseram suas ambições hegemônicas e substituíram os valores éticos pelas leis do mercado e as Nações Unidas por grupos plutocráticos (G6, G7, G8… G20) são culpados não apenas do naufrágio econômico, mas de ter levado, no começo do século e do milênio, a desigualdades sociais inadmissíveis e a uma total ausência de liderança institucional e pessoal. De fato (não me canso de repetir porque é um ensinamento para a ação cotidiana), 60 mil pessoas, em sua maioria crianças de um a cinco anos, morrem de fome todos os dias, ao passo que são investidos 4 bilhões de dólares em armas e gastos militares.
Agora vêm ao caso os preciosos versos de José Ángel Valente:
“Eu lhes escrevo de um naufrágio.
Do que temos destruído
diante de tudo, em nós…
mas lhes escrevo também da vida
de um mundo vindouro”.
Para isso, seria imprescindível que se abrissem os horizontes de tantos moradores da Terra que estão confinados. Para que eles pudessem escapar. Para que fossem iguais em dignidade… Tudo isso está a caminho. O mundo “vindouro” se aproxima a passos largos. As novas tecnologias da informação e da comunicação são peças essenciais dessa repentina “epifania” humana, desse deixar de ser imperceptíveis e silenciosos.
“O compromisso supremo de cada geração”, dizia o Presidente Nelson Mandela, “é levar em conta a geração seguinte”. A responsabilidade intergeracional deve vir para o primeiro plano, em um momento no qual, obcecados com o presente de alguns poucos, nos damos conta de que nos esquecemos do mais importante: o bem-estar de nossos filhos e descendentes, a habitabilidade da Terra, a qualidade de um contexto ecológico no qual todos os seres humanos, já identificáveis, visíveis e capazes de se expressar, possam exercer plenamente suas faculdades distintivas.
Estamos no advento do antropoceno – as atividades humanas incidem no meio ambiente – e a força da razão deve se impor de uma vez sobre a razão da força. Mas os grandes consórcios mundiais continuam baseando a “marcha” da humanidade nos combustíveis fósseis.
É urgente, como em todos os processos potencialmente irreversíveis, diminuir, mediante um grande pacto supervisionado pelas Nações Unidas, por meio de um Conselho de Segurança do Meio Ambiente, as gravíssimas alterações que já estão sendo produzidas neste momento.
Em poucos anos, deve-se favorecer a recaptura do anidrido carbônico pelo fitoplâncton dos mares, achar as ligas que permitam o transporte de grandes quantidades de eletricidade, promover as energias renováveis (fotovoltaica, termossolar, eólica… painéis nas casas e nos edifícios, carros híbridos e elétricos…), investindo de uma vez por todas em segurança vital uma parte – bastariam 30 ou 40% – do que atualmente representa a segurança militar, que abrange apenas 20% da humanidade. No lugar de tantos aviões típicos de guerras passadas, é urgente dispor de aviões e artifícios para lutar contra os incêndios, as inundações, as catástrofes naturais e de toda índole, mediante estratégias cientificamente projetadas.
O poder cidadão deverá situar entre suas primeiras reivindicações o desarme nuclear imediato. Trata-se de outro grande pacto global promovido por um colossal clamor dos cidadãos do mundo.
Nos últimos anos, proliferaram-se os diagnósticos. Agora faltam os tratamentos a tempo para favorecer uma autêntica remodelação em escala mundial, antes que seja tarde demais. É preciso um novo paradigma – cuja proposta é liderada pelos professores Ivo Slaus e Garry Jacobs da Academia Mundial de Arte e Ciência – que eu tenho certeza de que não tardará a se adaptar graças ao “grito das pessoas”, de “Nós, os povos”, atuando com firmeza.
Com as Nações Unidas refundadas, dispondo de uma Assembleia Geral integrada igualmente por Estados e por representantes da sociedade civil, além do Conselho de Segurança atual e do acima mencionado, um Conselho de Segurança Socioeconômico, será possível a transição da atual economia de especulação, deslocamento produtivo e guerra para uma economia de desenvolvimento global sustentável e humano que possa se tornar realidade em poucos anos. Obcecados pelo curto prazo, acreditam que, em um mundo finito, se possa crescer indefinidamente sem substituir o que se consome, sem atender cuidadosamente a conservação da Terra, sem imaginar novos caminhos para o amanhã. O que é infinita é a criatividade que distingue os seres humanos. É essa a nossa esperança para resolver tanto as crises econômicas como as sociais que delas derivam.
A Carta da Terra estabelece em seu preâmbulo: “Estamos em um momento crítico da história da Terra, no qual a humanidade deve escolher seu futuro”.
“Nenhum desafio está além da capacidade criadora da espécie humana”, proclamou o Presidente John F. Kennedy em 1963. É imprescindível tornar possível aquele desenvolvimento integral, endógeno, sustentável e humano que se defendeu então como a melhor fórmula para a governança mundial, de tal modo que os seres humanos, e não apenas uns poucos, possam se beneficiar do progresso científico.
Apenas em um contexto de democracia genuína será possível passar de uma cultura de imposição, violência, domínio e guerra para uma cultura de encontro, conversação, conciliação, aliança e paz.
O imenso poder das redes sociais será a pedra angular da grande transição de súditos para cidadãos plenos, da força para a palavra. A Revolução Digital será, por seu âmbito e profundidade, a mais importante desde a origem dos tempos. Em termos antropológicos, sociais e econômicos, o mundo já não será como antes. A maior longevidade contribuirá para dispor de conhecimentos e experiências que permitam tornar realidade o sonho universal da igual dignidade humana. O bairro próspero da aldeia global se ampliará de tal modo, que as assimetrias e desigualdades que hoje ofuscam o horizonte serão reduzidas até desaparecerem.
Em resumo, nós nos encontramos em um momento de profundas transformações sociais, que ocorrem com uma rapidez sem precedentes. Situações sem precedentes que, como indicou Amin Maalouf, requerem soluções sem precedentes. E, quase inadvertidamente, nos encontramos diante de um novo ser humano capaz de intervir, de expor suas opiniões, de assumir plenamente as funções que lhes são correspondidas. O tempo do silêncio, da obediência, do anonimato… acabou.

Uma nova era se avizinha.
“E que seja ouvida
a voz de todos, solenemente e clara
que tudo está por fazer e tudo é possível
mas, quem senão todos?”
Esse poema escreveu de maneira lúcida Miquel Martí i Pol.
A voz de todos. Por fim, falar, falar todos.
A palavra, a nova era, o novo começo.

* Federico Mayor Zaragoza é ex-Diretor Geral da UNESCO, Presidente da Fundação Cultura de Paz.
** Publicado originalmente no site da revista Eco21.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tatu símbolo da Copa ganha plano para conservação

Com o início da Copa do Mundo no Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promove o Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do tatu-bola, mascote oficial do evento. O PAN Tatu-bola tem como objetivo a redução do risco de extinção do Tolypeutes tricinctus, o tatu-bola-do-Nordeste, e a avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutes matacus, o tatu-bola-do-Centro-Oeste.

O tatu-bola faz parte de um grupo de 11 espécies de tatu existentes no Brasil e é primo do tamanduá e das preguiças. As principais ameaças à sobrevivência são, principalmente, a caça predatória e destruição do habitat causadas pela expansão da agropecuária, intensificada na última década.
Ele ganhou esse nome pois tem três cintas móveis no dorso, que o permite fechar completamente sua carapaça, formando uma bola. Esse é seu mecanismo de defesa contra predadores naturais.

O T. tricinctus, espécie exclusivamente brasileira, vive nos ambientes da caatinga e cerrado e integra a Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, classificada como “em perigo”, e a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), na categoria “vulnerável”.

A meta do ICMBio, durante os cinco anos de vigência do plano, é reduzir o risco de extinção do T. tricinctus, elevando-o, pelo menos, à categoria de “vulnerável”

Já o T. matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de cerrado, porém é mais comum na Bolívia, Argentina e no Paraguai. Com o PAN, essa espécie será mais bem estudada, uma vez que se encontra na categoria Dados Insuficientes, por falta de informações em sua área brasileira.

Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações, em seis objetivos específicos: atualizar as áreas de ocorrência das espécies de tatu-bola e avaliar suas principais ameaças; mobilizar as comunidades locais e a sociedade em geral, sobre a importância da proteção da espécie; ampliar o conhecimento sobre a biologia e a ecologia para o direcionamento de estratégias de conservação; ampliar, qualificar e integrar a fiscalização para coibir a caça; reduzir a perda de habitat nos próximos cinco anos e promover a conectividade entre as populações do tatu-bola-do-Nordeste.

Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de orientar as ações prioritárias para conservação da biodiversidade. É uma ferramenta definida pelo governo a partir do Programa Pró-Espécie, instituído em fevereiro deste ano, que busca minimizar ameaças e o risco de extinção de espécies.
Existem, no momento, 44 planos de conservação de espécies ameaçadas sendo implantados pelo ICMBio em todas as regiões do Brasil, envolvendo 362 tipos de animais dos biomas marinho, Caatinga, Cerrado, Amazônia, Pampa e Pantanal.

O PAN Tatu-bola foi anunciado formalmente em 22 de maio, Dia Internacional da Biodiversidade, com outras medidas do Ministério do Meio Ambiente para a preservação de espécies ameaçadas, incluindo o tatu-bola. O pacote de ações de proteção da fauna brasileira foi publicado no Diário Oficial da União.

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo ICMBio, com o apoio da Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás da IUCN e colaboração de representantes de outras 15 instituições. O plano será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga, com coordenação executiva da Associação Caatinga.


Edição: Denise Griesinger
* Publicado originalmente no site Agência Brasil.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Como o futebol pode ensinar cultura e história

Em ritmo de Copa do Mundo, Porvir indica exposições e arquivos virtuais que retratam a cultura do esporte através do tempo

1102 Como o futebol pode ensinar cultura e história
Foto: khunaspix / Fotolia.com

A partir desta quinta-feira (12), corações e mentes do mundo inteiro estarão focados nos gramados brasileiros. Embora a Copa do Mundo também seja um período de férias escolares, é possível aproveitar a mobilização em torno do maior evento mundial sobre futebol para aprender sobre as relações do esporte com a história e cultura dos povos. O Porvir indica algumas mostras virtuais afinadas com o tema. Veja:

Pela história do futebol é possível também aprender a história das culturas de muitos países. Atentos à oportunidade, a equipe do Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou uma exposição com rica documentação e pesquisa iconográfica, expostas em oito salas virtuais. Uma delas dedica-se totalmente à Copa de 1950, realizada no Brasil. O material ainda inclui propostas de atividades pedagógicas para trabalhar a temática em sala de aula.

A exposição do Arquivo Nacional do Brasil apresenta ampla galeria virtual com foco na participação do Brasil nos mundiais de 1950 a 1970. Entre os documentos estão imagens de jogadores em campo, em treino, lazer, de apoio e comemoração das torcidas, além de uma homenagem a Pelé e Mané Garrincha. A mostra aborda a inserção do futebol na imprensa e na “crônica” brasileira.

O museu localizado em São Paulo disponibilizou parte de seu acervo digital para o Google Cultural Institute. Na coleção, há três miniexposições. Vale muito visitar uma dedicada a Mário Américo, o massagista da Seleção por 38 anos. Mário passou pelas Copas de 1950 a 1970, serviu ao Vasco e ao Fluminense, era amigo pessoal de Garrincha e conviveu com a nata do futebol brasileiro. A exposição foi realizada com apoio do Centro de Referência do Futebol Brasileiro e a colaboração do filho de Mario Américo, que contribuiu com fotografias pessoais.

Na mesma plataforma usada pelo Museu do Futebol, o Google Cultural Institute, o acervo da revista norte-americana Time traz mais de 20.000 imagens interessantes sobre futebol, registradas por fotógrafos bem sucedidos em coberturas esportivas.
Recursos do site do Museu Nacional do Futebol da Grã-Bretanha também estão disponíveis no mesmo ambiente. Por exemplo, a exposição virtual A History of the World Cup in 24 objects (A história da Copa do Mundo em 24 objetos, em livre tradução), que divide-se em duas partes (1872-1970) e (1970-2014) e foi criada pelos especialistas David GoldBLatt e Jean Williams, do Centro Internacional para a história do Esporte e da Cultura da Universidade de Montfort, em Leicester, utiliza objetos do museu para contar a evolução do mundial e como ele se tornou um megaevento.
Entre vídeos da coleção do museu britânico está o The Homes of Football (As Casas do Futebol), de Stuart Roy Clarke. Nele, o fotógrafo traça as transformações acompanhadas pelo público esportivo na Grã-bretanha, ao longo do século 20.
Um extenso arquivo digital também reúne o material do documentário da BBC Kicking and Screaming (Chutando e Gritando), de 1994, sobre a história do jogo na Inglaterra.

Diversas exposições em homenagem à Copa do Mundo acontecem em museus pelo mundo afora. Embora sejam presenciais, vale checar algumas apresentações das mostras nos sites. Em cartaz no período da Copa no Lacma (Los Angeles County Museum of Art), a mostra Fútbol The Beautiful Game apresenta boas discussões estéticas, como a que aparece na entrevista de Franklin Sirmans, no blog do Lacma.

Embora ofereça pouco conteúdo, o site “Football in Russia” traz informações curiosas sobre a cultura do esporte no país, como por exemplo a ligação do futebol com os jogos de azar.

Fonte:* Publicado originalmente no site Porvir.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Usando lâmpadas para decoração

Objetos de vidro sempre são uma preocupação na hora do descarte. É preciso um cuidado a mais para que eles não machuquem ninguém que manuseie o lixo. As lâmpadas são mais perigosas ainda, já que seu vidro é bem mais fino que o normal e ainda há a parte de metal, que pode causar um ferimento grave.
Então, que tal reaproveitar aquela lâmpada queimada que você não estava conseguindo descartar apropriadamente? As ideias são simples e dão um toque delicado a sua decoração. Mas lembre-se, o manuseio dessas peças requer cuidado redobrado e se possível, utilize óculos de proteção para que pedaços não voem para os seus olhos.

Vasinhos

A primeira ideia é utilizá-las como vasinhos. Ambientes sem mesas e que precisam de um toque especial podem ser decorados com essas lâmpadas. Para fazer os vasinhos, corte com cuidado a base de metal, deixando apenas o bulbo e a parte que ela é rosqueada, tirando essa parte, os fios também sairão. Feito isso, faça um furo em cada lado do resto do metal e prenda um pedaço de arame grosso. Depois é só colocar água e a flor que desejar.

Vasinhos2 Usando lâmpadas para decoração
 Vasinhos Usando lâmpadas para decoração

Peso de Papel

Ela pode ser usada também como parte de um peso de papel. Basta prender a lâmpada em um pedaço de madeira, decore-o de acordo com a sua preferência e sua mesa de trabalho terá um charme a mais.


Peso de papel Usando lâmpadas para decoração


Você que está procurando uma decoração diferente para o quarto dos seus filhos pequenos ou para uma adolescente que gosta de inovar, que tal fazer balões de lâmpada? Basta revestir o vidro com tecidos coloridos e pintar a base de metal com uma tinta plástica. Para pendurar, cole quatro pedaços de barbante, formando um X, ele servirá para colocar a cestinha, que pode ser feita com pedaço de papelão ou tecido.



Balão2 Usando lâmpadas para decoração






Fonte: Atitudes Sustentáveisbalão Usando lâmpadas para decoração

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Produção e consumo responsáveis

A produção e o consumo são grandes impulsionadores da economia e, quando feitos com foco em responsabilidade socioambiental, têm grande contribuição para o desenvolvimento sustentável. Produzir de maneira mais responsável envolve novas formas de pensar produtos e serviços, inovando em soluções de menor impacto ambiental e maior valor social. Neste cenário, é crescente o número de consumidores que cobram atitudes diferenciadas e empresas engajadas nesta nova perspectiva, dando preferência produtos e serviços sustentáveis.
Em entrevista ao Centro Sebrae de Sustentabilidade, na Semana do Meio Ambiente, Helio Mattar*, diretor-presidente do Instituto Akatu, fala sobre exigências de mercado e novas formas de produção e consumo mais responsáveis.

O mercado nacional tem cobrado posturas mais responsáveis das empresas. Quais iniciativas são esperadas, especialmente dos pequenos negócios?
O consumidor brasileiro espera que as empresas façam mais do que está estabelecido pelas leis. Uma pesquisa realizada pelo Akatu mostra que 53% dos consumidores concordam com esta afirmação. Levando em consideração esta expectativa, perguntamos quais atitudes ele espera das empresas, e oferecemos 30 alternativas relativas à sociedade e meio ambiente. Primeiro, a empresa não deve usar trabalho infantil e forçado. Isto aparece desde a primeira edição da pesquisa, em 2000. Segundo, é que as empresas devem ter um programa de contratação de mulheres, negros e pessoas com deficiências. Terceiro, que ela garanta uma remuneração justa para seus colaboradores. Quarto, que ela minimize os riscos a segurança e saúde do consumidor. Todas estas iniciativas indicadas pelo consumidor se aplicam tanto para grandes, quanto para pequenas empresas, na indústria, serviço ou comércio.
Continuando a listagem, ele fala sobre a importância da reciclagem, uso de água e educação. Educar o consumidor sobre os impactos socioambientais do consumo é um fator que começou a aparecer há dois anos. Existe, hoje, uma sensibilidade do consumidor nesta direção, e ele entende que deve ser educado para isto.
Outro dado relevante é que o interesse do consumidor por responsabilidade socioambiental aumento muito, passando de 16% em 2010, para 60% em 2012. A quantidade de consumidores que se interessam e buscam informações sobre o assunto também aumentou, de 44 para 60% neste mesmo período. Estes números são importantes, pois indicam que o consumidor está passando a fazer escolhas mais conscientes sobre o que ele vai comprar. Indica que as empresas precisam comunicar o que estão fazendo, contar para o consumidor seja em seu site ou relatórios.

Apesar desta maior consciência do consumidor sobre a importância da responsabilidade socioambiental, ainda existem pequenos negócios que não adotam formas de produção com menor impacto ambiental. Quais são as barreiras encontradas?
O primeiro fator é a falta de percepção dos empresários sobre a importância que o consumidor tem dado a estes fatores. Na medida em que não há essa percepção, ele não busca se diferenciar nas questões socioambientais. Segundo, a diferenciação socioambiental reduz muito os riscos em curto prazo, mas traz resultados em longo prazo. Por exemplo, se uma empresa é pega por trabalho escravo, sofre sanções imediatas. No entanto, ao adotar posturas responsáveis, sempre evitará que isto aconteça. O terceiro fator é de natureza tecnológica. Em muitos casos, para que o impacto ambiental negativo seja reduzido, seja do produto ou da produção, há uma exigência de tecnologia e investimento, e muitas vezes o empresário não tem essa possibilidade, ou não valoriza o suficiente esta iniciativa.
O quarto fator é a necessidade de haver incentivos ambientais para que as empresas se direcionem a isso. Vários bancos, por exemplo, vem exigindo declarações de que as empresas não estão ferindo o meio ambiente e que elas praticam formas de trabalho totalmente aceitáveis, caso contrário eles não fornecem financiamentos. Quando isto começou, oito anos atrás, era destinado apenas a grandes projetos, onde o montante envolvia cinco milhões de reais. Depois, este valor foi reduzido para dois milhões, e então para créditos cotidianos. Hoje, também está disponível para os médios e, futuramente, para pequenos. Isto é importante na medida em que estimula as empresas a adotarem práticas diferenciadas.
Também poderíamos ter maior regulação do governo quanto à concentração dos produtos. Em geral, os produtos são vendidos muito diluídos. Se há maior concentração, reduz-se a quantidade de água, a quantidade transportada, emite-se menos carbono, há redução das embalagens, de resíduos a serem reciclados e até menos transporte para reciclagem. O impacto acontece em cadeia.

É possível aliar crescimento de participação do mercado com produção e consumo sustentáveis?
Sim, mas sem criar expectativas de que isto aconteça em curto prazo. Existem diversas empresas que adquiriram posições de liderança por produção e produtos mais sustentáveis, ou que se caracterizaram no mercado em função da sustentabilidade. O grande fenômeno que está ocorrendo no século 21 é que os vários públicos que se relacionam com as empresas, sejam consumidores, fornecedores, comunidade ou governo, formam uma percepção sobre quem é a empresa, divulgando esta percepção em seus diversos contatos. Assim, a sua reputação, especialmente em termos socioambientais, dá-se muito mais pelo que os públicos falam, do que pelo que ela própria fala. É importante perceber que este processo não acontece em curto prazo, mas sim na medida em que as pessoas vão falando sobre sua postura.
Quando o consumidor passa a ter interesse por aspectos socioambientais, ele começa a olhar de maneira diferenciada e dar preferência a empresas que tenham esta postura. É um caminho natural a ser percorrido. A confiança do consumidor só é conquistada, e ele de fato vê a empresa como diferenciada, quando percebe a forma como o seu público fala sobre ela.

Quais iniciativas podem ser tomadas pelos empresários de pequenos negócios neste sentido?
Primeiro, é preciso olhar “dentro de casa”, junto aos funcionários, ter uma relação respeitosa e digna onde a remuneração é adequada. Isto independe do tamanho da empresa. Segundo, reduzir o consumo de água e energia, lembrando que isto também é muito valorizado pelo consumidor. Terceiro, e fazendo relação aos produtos industriais, é preciso garantir que eles não sejam prejudiciais à saúde e segurança do consumidor. Isto é uma grande proteção em médio e longo prazo, pois se a empresa causa algum tipo de dano, pode literalmente acabar com seu negócio. Outra ação que o empresário pode fazer, sem ter que fazer grandes mudanças, é olhar a quantidade de emissões líquidas e gasosas, buscando quanto ele pode reduzir. O pequeno comércio, por exemplo, na maioria das vezes, faz compras menores nos atacadistas, deslocando-se diversas vezes, o que leva a mais emissão de carbono. Aumentar o volume das compras e diminuir as idas ao atacadista é uma ação simples que não demanda investimento.

As certificações podem auxiliar consumidores e empresas? Como?
Com certeza podem ajudar ambos. As empresas, pois estabelecem regras claras sobre o que é esperado dela, fornecendo parâmetros de como ela deve atuar. E os consumidores, pois é uma maneira simples de comunicar qualidade. Sem o selo, fica mais difícil de tomar conhecimento sobre as atitudes da empresa. O problema é que está sendo criado um número muito grande de certificações e o consumidor tem dificuldade em reconhecê-los. Isso faz com que ele dê mais valor às entidades conhecidas.

Quais são as barreiras para que os consumidores adotem posturas mais responsáveis com o meio ambiente?
O consumidor deseja ter esta postura, o que faltam são informações simples e, de preferência, no ponto de venda. Hoje, com smartphones, as empresas podem disponibilizar informações sobre suas atitudes socioambientais por meio dos códigos de barras. O consumidor visualiza de forma simples e sintética e isto pode ajudá-lo a decidir. Os próprios varejistas também podem atuar neste sentido, fornecendo informação nas lojas, segmentando e informando o consumidor sobre onde encontrar marcas com posturas socioambientais. A questão central é fornecer informação com credibilidade. Assim, é possível motivar positivamente o consumidor.

* Helio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, ex-secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ex-diretor-presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, co-fundador e membro do Conselho do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Executivo durante 22 anos em empresas nacionais e multinacionais, bem como em suas próprias empresas.

Fonte: Site Envolverde www.envolverde.com.br 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Prefeitura abre a XIV Semana do Meio Ambiente e XVII Eco Dourados no dia 4


A Prefeitura de Dourados, através do Imam (Instituto de Meio Ambiente de Dourados), realiza entre os dias 4, 5 e 6 de junho, a XIV Semana do Meio Ambiente e a XVII Eco Dourados. A abertura oficial será realizada, às 19h, na Câmara Municipal de Dourados. No período da manhã, das 8h às 11h, estão programadas apresentações de ações ambientais na Praça Antônio João.

A programação inclui palestras, minicursos, apresentação dos projetos de educação ambiental, apresentações culturais, visita às estações ecológicas, além da entrega do Troféu Marco Verde.

O diretor-presidente do Imam, Rogério Yuri Farias Kintschev informou que o objetivo é discutir temas diversos sobre o meio ambiente com segmentos da sociedade, enfocando principalmente os problemas ambientais da atualidade.

Através dos eventos, a prefeitura pretende envolver alunos de escolas públicas e particulares, acadêmicos, professores, ambientalistas, entre outras pessoas ligadas ao meio ambiente.

Durante a abertura haverá apresentação cultural no Plenário da Câmara. Às 19h40 acontece mesa redonda enfocando o tema: “Zoneamento ecológico e econômico do Mato Grosso do Sul”, com o palestrante, Tito Carlos Machado da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

No segundo dia de evento a programação acontece no Centro de Eventos da Unigran das 9h às 19h com várias ações. No terceiro dia, a programação também será na Unigran, das 8h às 20h20. Paralelamente, nos dias 5 e 6, também estão programados os minicursos com várias palestras proferidas por ambientalistas do Imam, universidades, Sanesul e Comdam (Conselho Municipal do Meio Ambiente).

Troféu - O Imam está recebendo desde o dia 12 as inscrições de indicações ao prêmio “Troféu Marco Verde”, que será entregue no dia 6 de junho, durante a XIV Semana do Meio Ambiente e XVII Eco Dourados. As inscrições serão feitas até dia 23 deste mês.

O troféu ao ganhador será acompanhado de certificado, constando o nome e o trabalho do vencedor. Podem ser indicadas pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que tenham se destacado com trabalhos ou ações na preservação ambiental.

Os Ipês Ativos da Filial Dourados estarão participando do evento.

Fonte: Assessoria de Comunicação -Prefeitura de Dourados-MS

Mais cidades para pessoas

Levar a sustentabilidade para as metrópoles inclui necessariamente a reapropriação dos espaços públicos e uma nova visão do planejamento urbano. Reunidos em São Paulo, em evento organizado pelo WWF-Brasil, especialistas discutem como cuidar e viver bem em nossas cidades.



O espaço urbano brasileiro sempre privilegiou os automóveis. Grandes avenidas foram construídas, rios canalizados e centros públicos de convivência nunca fizeram parte de planos diretores. Com a saturação das cidades e o caos da mobilidade, novas formas de viver e conviver precisam ser pensadas - e sobretudo, colocadas em prática.

Na mesa-redonda Cidades Sustentáveis, realizada pelo WWF-Brasil esta semana em São Paulo, temas como Pegada Ecológica, Política Nacional de Resíduos Sólidos, Construções Sustentáveis, Mobilidade Urbana e Desafio das Cidades foram debatidos. O moderador foi o empresário e político Fabio Feldman.

Entre os principais pontos defendidos por especialistas estão:
- O planeta está conectado. O que acontece na Amazônia tem impacto sobre outras cidades, como São Paulo, por exemplo;
- O conceito de valor compartilhado deve guiar a nova economia;
- Se não houver solução de longo prazo e conscientização sobre a gravidade da crise hídrica no sudeste, São Paulo ficará sem água;
- A pegada ecológica precisa ser reduzida, pois o planeta não aguenta mais a pressão humana;
- Cidades sustentáveis só serão possíveis com hábitos e cidadãos sustentáveis;
- Políticas públicas devem ser fomentadas para facilitar a transição das pessoas para a prática de atitudes mais sustentáveis;
- Consumo responsável depende da maior oferta de opções sustentáveis na prateleira;
- Não basta que construções sejam sustentáveis, elas precisam levar em conta custo, ecoficiência e a sociedade;
- Produtos sujos têm de pagar pelas externalidades, ou seja, pelos danos causados ao meio ambiente e à sociedade;
- Por último, problemas são globais, mas as soluções devem ser locais.

Para Renata Falzoni, diretora de comunicação do Instituto Pedala Brasil, a mobilidade sustentável deve ser baseada nas pessoas e não nos veículos. "As cidades devem ser movidas por pessoas", disse. Idealizadora do projeto Bike é Legal, ela acredita que a bicicleta é uma grande ferramenta de conexão entre o ser humano e o espaço público. Renata citou um estudo do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), organização americana que elaborou os Princípios do Desenvolvimento Orientado do Transporte, resumo didático do que deve ser feito para solucionar o problema de mobilidade, equidade e qualidade de vida nas cidades.

Confira o que o documento prega:
1. Caminhar e usar a bicicleta;
2. Conectar pessoas através de rede de trajetos a pé, ciclovias e transporte público;
3. Reduzir oferta de vagas para veículos e aumentar o preço de estacionamentos;
4. Adensar áreas urbanas no entorno de estações de transporte público, com uso comercial e residencial e;
5. Misturar e compactar bairros de maneira a facilitar inclusão social e econômica da população.


Fonte: *WWF-Brasil
Bike é Legal
Institute for Transportation and Development Policy

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Brasil avança nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio



1020 300x194 Brasil avança nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
O 5º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que reúne informações atualizadas sobre a situação dos ODM nos estados brasileiros, foi lançado pela presidente Dilma Rousseff no encerramento da Arena da Participação Social, evento que ocorreu em Brasília, na semana passada.

O documento, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pela Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico, contém uma avaliação do desempenho brasileiro em relação aos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos no ano 2000 pela ONU (Organização das Nações Unidas) com o apoio de 192 países. São eles:

1) acabar com a fome e a miséria;
2) oferecer educação básica de qualidade para todos;
3) promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4) reduzir a mortalidade infantil;
5) melhorar a saúde das gestantes;
6) combater a Aids, a malária e outras doenças;
7) garantir qualidade de vida e respeito ao meio ambiente;
8 ) estabelecer parcerias para o desenvolvimento.

Educação
De acordo com o relatório, no objetivo 2, referente à educação básica de qualidade do Brasil, houve avanços significativos em acesso e rendimento escolar de crianças e jovens nos últimos anos. Em 2012, 97,7% da faixa etária entre 7 e 14 anos frequentou o ensino fundamental – em 1990 esse número se restringia a 81,2% dessa população.
Também em 1990, 66,4% dos jovens não completaram o ensino fundamental, número que caiu para 23,2% em 2012. Apesar de ainda ser um percentual expressivo, o relatório argumenta que os números brasileiros já foram piores.
O investimento em educação básica aumentou 19,12% entre 2011 e 2012 e atingiu R$ 114,3 bilhões. Ainda em relação a 2011 houve um crescimento de 21,2% no valor mínimo que é investido por aluno.

Igualdade de gênero
No objetivo 3, que promove a igualdade de gênero e a valorização da mulher, o Brasil alcançou as metas de equalizar o acesso a educação entre meninas e mulheres, que já são maioria em todos os níveis de ensino. Porém, persiste a desigualdade das mulheres em relação aos homens no mercado de trabalho, nos rendimentos e na política. O relatório também lembrou que a violência doméstica continua atingindo milhares de mulheres no país.
Entre 2003 e 2011, a População Economicamente Ativa (PEA) feminina aumentou 17,3%, enquanto a PEA masculina cresceu 9,7%. O rendimento real médio das mulheres cresceu 24,9% no mesmo período.
Sobre o objetivo 1, a meta de reduzir a pobreza extrema até 2015 à metade do que era em 1990 foi alcançada pelo Brasil em 2002, segundo o relatório.

Agenda de Compromissos
O Portal ODM Brasil disponibiliza ainda a Agenda de Compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013-2016, que estipula prazos para o seu cumprimento e representa um pacto entre o Governo Federal e os mais de cinco mil municípios para a execução de ações que melhorem as condições de vida da população, de acordo com os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM.


* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.

sábado, 31 de maio de 2014

Bitucas verdes

Empresa americana já reciclou milhões de cigarros; no Brasil também há várias iniciativas interessantes na área.

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Já reparou naquela turma animada, sempre reunida na porta do barzinho, fumando? Ou naquele colega da firma, que aproveita o horário do almoço para acender seu cigarrinho a caminho ou na volta do restaurante? Ao terminarem suas pitadas, muitos dessa turma ou seu colega de trabalho, provavelmente, descartarão suas bitucas... na rua! E elas representam nada menos do que 37% de todo o lixo que é jogado no chão.
Às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, entretanto, vamos aproveitar para divulgar notícias promissoras sobre o tema. Felizmente, as tecnologias de reciclagem estão cada vez mais desenvolvidas. A TerraCycle, fundada pelo empresário norte-americano Tom Szaky, levou adiante o primeiro programa de reciclagem de bitucas de cigarro em grande escala. O principal objetivo é transformá-las em plástico, a fim de que sirvam como matéria-prima para outros produtos.
Para viabilizar o processo, é preciso seguir alguns passos. O primeiro deles é a coleta e o envio do resíduo, de graça, para a sede nacional da TerraCycle. A partir daí, as cinzas passam por um sistema de esterilização e dissecação e, em seguida, são misturadas ao papel e ao tabaco, assim que o acetato de celulose - material presente no filtro - é fundido e reciclado. Em troca, os voluntários acumulam pontos para que possam financiar projetos de instituições de caridade ou escolas.
O sucesso do projeto tem superado as expectativas, de acordo com seu idealizador, já que foram recuperados, até agora, mais de um milhão de cigarros. A indústria do tabaco mostrou entusiasmo e esse interesse resultou na expansão do programa para a Europa, em países como Alemanha, Noruega, Dinamarca, França, Suíça, Áustria, Suécia e Finlândia.

No Brasil
Pensando em minimizar os prejuízos ambientais causados pelo descarte inadequado de bitucas, diversas iniciativas surgiram nos últimos anos. É o caso da Bituca Verde. O foco inicial da empresa era simplesmente fornecer cinzeiros específicos para a coleta de bitucas. Porém, a pouca educação sustentável de alguns fumantes e a crescente necessidade de reciclagem desses resíduos permitiram que o negócio se expandisse.

Descarte no lugar certo

Descarte no lugar certo
A Bituca Verde criou a PAB (Ponto de Armazenamento de Bitucas), um recipiente para depósito das pontas descartadas. Por armazená-las livres de outros dejetos, a PAB permite que as bitucas sejam reutilizadas, transformando-as em resíduos de coleta seletiva.
Outro projeto muito legal nessa área é tocado por três estudantes da Etec (Escola Técnica Estadual) de Heliópolis, em São Paulo. Eles utilizaram o recipiente da Bituca Verde em seu próprio projeto de reciclagem. Também “inspirados” pela sujeira nas cidades, Alan Melo, Gabriel Anísio e Vinícius de Souza resolveram encontrar um destino ecologicamente correto para os tocos de cigarro.
Acabaram por desenvolver um papel ecológico feito desses restos. Para produzir sete folhas de papel são necessárias por volta de 300 bitucas e, pasmem, o preço não passa de R$ 0,25. Depois de retirar o odor de tabaco com uma solução à base de soda cáustica e água oxigenada, eles adicionam pequenas sementes à pasta de celulose. Dessa forma, o papel se transforma em papel semente e pode ser plantado. O projeto foi batizado naturalmente de Sementuca.
As bitucas também são alvo de ações da empresa social Recicleiros, que criou o Bota Bituca, um cinzeiro individual de bitucas. O diferencial é o ideal de conscientização que cerca as atitudes do projeto. Para promover seu produto, o pessoal da Recicleiros criou até mesmo um lema: “I Bin It” que, traduzindo, significa “Eu jogo no lixo”.
Além de disponibilizar algo útil para os fumantes, a empresa ajuda a disseminar a consciência ambiental. E assim vai ficando cada vez mais difícil ter desculpas para jogar bitucas no chão. O planeta agradece!


Fonte: Bayer Jovens

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Responsabilidade Social Corporativa e o negócio

 Olha que assunto interessante, vamos discutir?!


Efetivamente, nos dias de hoje, poucas organizações não têm iniciativas ou projetos de cunho social, embora com motivações bem diversas. Certas empresas fazem por convicção, outras por marketing, algumas por modismo e há aquelas que não podem deixar de fazer, sob pena de ferozes críticas ou represálias de vários stakeholders.

Gostaria de destacar algo que tem mudado – e pode modificar ainda mais – a atuação das companhias na área social: a crise financeira e econômica internacional. De fato, companhias têm objetivos específicos, acionistas e determinados contextos de atuação. Parece uma observação evidente, mas nem sempre nos lembramos disso quando cobramos das corporações que “resolvam todos os problemas da sociedade”.

Das empresas exige-se hoje uma atuação muito focada no negócio. Resultados são cada vez cobrados com maior exigência e orçamentos elaborados e acompanhados com extremo rigor. Não é de estranhar que, quando a atuação social não está verdadeiramente enraizada, se torne um alvo imediato de cortes de despesa e, consequentemente, redução da atividade.

Compreendida esta realidade, empresas que acreditam que a Responsabilidade Social Corporativa é importante para o negócio começam a revisitar suas iniciativas e a repensar sua forma de atuação na área social. Neste ponto, várias opções se apresentam, entre elas uma atuação social que traga resultados para o negócio, seja sob a ótica de aumento de vendas, redução de custos ou gestão de riscos.

A questão que se coloca é: por que um projeto social desenvolvido por uma empresa não pode trazer retorno financeiro naturalmente, desde que proporcione um real benefício social? Por que não encarar a Responsabilidade Social Corporativa como um jogo de “ganha-ganha”? E se uma determinada linha de negócio de uma companhia, desejavelmente lucrativa, trouxer benefícios socias? Trata-se de um tema polêmico? Talvez, mas acredito que seja um caminho neste novo mundo a cada dia mais exigente.

O desafio seria, então, pensar em soluções para problemas sociais que sejam simultaneamente possíveis linhas de negócio.

Não se ambiciona com esta breve reflexão sugerir que apoiar projetos sociais não alinhados ao negócio seja um erro, ou mesmo que a pura filantropia deve terminar. Sempre existe espaço para boas iniciativas. Pretende-se, antes, destacar uma nova oportunidade de atuação social das empresas que pode reforçar as anteriores e, principalmente nos tempos atribulados em que vivemos, ser uma ótima solução para o dilema de cortar custos em projetos sociais, exatamente quando estes se tornam mais relevantes: em situações de crise.

Fonte: *Pedro Miguel Sirgado é diretor Executivo do Instituto EDP, entidade que coordena as ações socioambientais do Grupo EDP.

(O autor)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Divulgados novos dados sobre o desmatamento da Mata Atlântica



Carvoarias em Minas Gerais 1 Divulgados novos dados sobre o desmatamento da Mata Atlântica
Carvoarias em Minas Gerais.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram hoje, Dia da Mata Atlântica, em entrevista coletiva, os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2012 a 2013. O levantamento foi apresentado por Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do Atlas pela organização; Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, e Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação. A iniciativa tem o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da Arcplan.
O estudo aponta desmatamento de 23.948 hectares (ha), ou 239 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2012 a 2013, um aumento de 9% em relação ao período anterior (2011-2012), que registrou 21.977 ha.
A taxa anual de desmatamento é a maior desde 2008, cujo registro foi de 34.313 ha. No período 2008 a 2010, a taxa média anual foi de 15.183 hectares. No levantamento de 2010 a 2011, ficou em 14.090 ha.
Nos últimos 28 anos, a Mata Atlântica perdeu 1.850.896 ha, ou 18.509 km2 – o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo. Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 ha. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 ha, restam 12,5% dos 1,3 milhões de km2 originais.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):

tabela1 Divulgados novos dados sobre o desmatamento da Mata Atlântica

Abaixo, gráfico do histórico do desmatamento desde 1985:
tabela21 Divulgados novos dados sobre o desmatamento da Mata Atlântica

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, do INPE, os avanços tecnológicos têm permitido mais precisão nos levantamentos. “Mas, em razão da cobertura de nuvens, que prejudicam a captação de imagens via satélite, foram avaliados 87% da área total do bioma Mata Atlântica”.
Os dados completos e o relatório técnico poderão ser acessados nos sites www.sosma.org.br e www.inpe.br ou diretamente no servidor de mapas.
Ranking dos Estados
A tabela a seguir indica os desflorestamentos, em hectares, somente das florestas nativas (sem contar mangue e restinga), observados no período 2012-2013, com comparativo e variação em relação ao período anterior (2011-2012):
desflorestamentos Divulgados novos dados sobre o desmatamento da Mata Atlântica
Líderes do desmatamento
Minas Gerais é o Estado campeão do desmatamento pelo quinto ano consecutivo, com 8.437 ha de áreas destruídas, seguido do Piauí (6.633 ha), Bahia (4.777 ha) e Paraná (2.126 ha). Juntos, os quatro Estados são responsáveis por 92% do total dos desflorestamentos, o equivalente a 21.973 ha.
Apesar de liderar a lista, Minas apresentou redução de 22% na taxa de desmatamento, que em 2011-2012 foi de 10.752 ha. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, a queda é resultado de moratória que desde junho do ano passado impede a concessão de licenças e autorizações para supressão de vegetação nativa do bioma. A ação foi autorizada pelo Governo de Minas Gerais após solicitação da Fundação, apresentada em ofício protocolado em 10 de junho de 2013.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Estado criou uma força tarefa e recentemente apresentou o resultado de algumas iniciativas de enfrentamento ao desmate. Balanço premiliminar de uma operação de fiscalização realizada no Nordeste de Minas Gerais, região que lidera a destruição do bioma, indicou que serão aplicadas multas que superam R$ 2 milhões, além de 10.000 m3 de material apreendido e 16 pessoas presas.
“Consideradas as médias mensais de desmatamento em Minas, tivemos uma redução de 64% no ritmo dos desfloramentos após o anúncio da moratória, que passou de 960 ha para 344 ha por mês. A resposta do governo foi positiva, mas os índices ainda são os maiores do país e há muito trabalho a ser feito, não só para conter o desmatamento, mas para restaurar e recuperar essa floresta“, observa a diretora.
Desmatamento em alta
Em segundo lugar no ranking, o Piauí, mapeado pela primeira vez no levantamento apresentado no ano passado, surpreendeu negativamente com a marca de 6.633 ha de áreas suprimidas, um aumento de 150% em relação aos índices registrados no período 2011-2012 (2.658 ha).
No período, o maior desmatamento da Mata Atlântica foi numa área que atinge dois municípios do Piauí, Manoel Emídio e Alvorada do Gurguéia, com um total de 5.624 ha – sendo 3.164 ha no primeiro e 2.460 ha no segundo.
Coincidentemente, a produção agrícola do Piauí cresceu 135,3% em relação ao ano anterior e a área plantada teve aumento de 23%, passando de 1,118 milhão de ha em 2013 para 1,383 milhão de ha em 2014. Dados do IBGE apontam que o Estado terá uma produção em 2014 de 3,671 milhões de toneladas de grãos contra a produção de 1,560 milhão de toneladas produzidas em 2013.
“Em apenas um ano, o Piauí mais que duplicou as áreas desmatadas de Mata Atlântica, o que é muito preocupante. Portanto, enviaremos os dados ao Governo do Estado e ao Ministério Público local para que averiguem a situação e tomem as providências necessárias”, afirma Marcia Hirota.
A Bahia, terceiro Estado que mais desmatou o bioma no último ano, perdeu 4.777 ha, um aumento de 6% em relação aos 4.516 ha do período anterior.
Em quarto lugar no ranking, o Paraná teve uma perda de 2.126 ha de floresta nativa. Se comparado aos 2.011 ha suprimidos no ano anterior, o aumento foi de 6%. Lá, os principais focos de desmate aconteceram na região centro-sul, áreas de araucária que já registraram grandes índices de desflorestamento no passado.
Outro destaque negativo é o caso do Mato Grosso do Sul, que registrou 568 ha de desflorestamento, o que rendeu a ele o 6º lugar no ranking, logo atrás de Santa Cartarina (672 ha). Houve um aumento de 1.049% em relação ao último levantamento. Na versão 2012-2013 do Atlas, o Estado havia registrado uma redução de 92% no desmate, com 49 ha de florestas suprimidas.
Já os destaques positivos são São Paulo, Alagoas, Espírito Santo e Rio de Janeiro, que tiveram redução de desmatamento de 51%, 88%, 43% e 72%, respectivamente.
Efeito formiga
Marcia Hirota explica que nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro – que apresentaram baixos índices de desmatamento – a preocupação é com o chamado “efeito formiga“. “Não há mais desmatamentos de grandes proporções, mas eles ainda acontecem para expansão de moradias e infraestrutura. Só não aparecem no nosso levantamento porque são áreas menores de 3 ha“, diz ela.
Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, é imprescindível que todos os municípios façam seus Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), que reúnem e normatizam os elementos necessários à proteção, conservação, recuperação e uso sustentável da Mata Atlântica.
“O Plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município. Quando o município faz o mapeamento das áreas verdes e indica como elas serão administradas – por exemplo, se vão virar um parque ou uma área de proteção ambiental – fica muito mais fácil conduzir processos como o de licenciamento de empreendimentos. Além disso, é uma legislação que coloca o município muito mais próximo do cidadão, porque também estamos falando em qualidade de vida”, destaca.
Mangue e Restinga
No período de 2012 a 2013 não foi identificada, pela escala adotada, supressão da vegetação de mangue. Na Mata Atlântica as áreas de manguezais correspondem a 231.051 ha.
Bahia (62.638 ha), Paraná (33.403 ha), São Paulo (25.891 ha) e Sergipe (22.959 ha) são os Estados que possuem as maiores extensões de mangue.
Já a supressão de vegetação de restinga foi de 806 ha, uma redução de 48% em relação aos 1.544 ha identificados no período anterior. O maior desmatamento ocorreu no Ceará, com 494 ha, principalmente nos municípios de Trairi, Amontoada e Aquiraz, com 259 ha, 71 ha e 57 ha de supressão respectivamente. No Rio de Janeiro foram identificados 106 ha e no Paraná 94 ha.
A vegetação de restinga na Mata Atlântica equivale a 641.284 ha. São Paulo possui a maior extensão (206.698 ha), seguido do Paraná (99.876 ha) e Santa Catarina (76.016 ha).
Mapa da Área da Aplicação da Lei no 11.428
Desde sua quinta edição, de 2005-2008, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica considera os limites do bioma Mata Atlântica tendo como base o Mapa da Área da Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006. A utilização dos novos limites para os biomas brasileiros implicou na mudança da área total, da área de cada Estado, do total de municípios e da porcentagem de Mata Atlântica e de remanescentes em cada uma destas localidades.
A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 Estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS.
Nessa extensa área, vivem atualmente mais de 69% da população brasileira.
Histórico
O Atlas dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados do Bioma Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, representa um grande subsídio para a compreensão da situação em que se encontra a Mata Atlântica.
O primeiro mapeamento, publicado em 1990, com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), teve o mérito de ser um trabalho inédito sobre a área original e a distribuição espacial dos remanescentes florestais da Mata Atlântica e tornou-se referência para pesquisa científica e para o movimento ambientalista. Foi desenvolvido em escala 1:1.000.000.
Em 1991, a SOS Mata Atlântica e o INPE deram início a um mapeamento em escala 1:250.000, analisando a ação humana sobre os remanescentes florestais e nas vegetações de mangue e de restinga entre 1985 a 1990. Publicado em 1992/93, o trabalho avaliou a situação da Mata Atlântica em dez Estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que apresentavam a maior concentração de áreas preservadas. Os Estados do Nordeste não puderam ser avaliados pela dificuldade de obtenção de imagens de satélite sem cobertura de nuvens.
Um novo lançamento ocorreu em 1998, desta vez cobrindo o período de 1990-1995, com a digitalização dos limites das fisionomias vegetais da Mata Atlântica e de algumas Unidades de Conservação federais e estaduais, elaborada em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).
Entre o período de 1995-2000, fez-se uso de imagens TM/Landsat 5 ou ETM+/Landsat 7 em formato digital, analisadas diretamente em tela de computador, permitindo a ampliação da escala de mapeamento para 1:50.000 e, consequentemente, a redução da área mínima mapeada para 10 ha. No levantamento anterior, foram avaliadas as áreas acima de 25 hectares. Os resultados revelaram novamente a situação da Mata Atlântica em 10 dos 17 Estados: a totalidade das áreas do bioma Mata Atlântica de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; e áreas parciais da Bahia.
Em 2004, a SOS Mata Atlântica e o INPE lançaram o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, de forma a fornecer instrumentos para o conhecimento, o monitoramento e o controle para atuação local. A partir desse estudo, cada cidadão pode ter fácil acesso aos mapas e atuar em favor da proteção e conservação deste conjunto de ecossistemas. O desenvolvimento da ferramenta de publicação dos mapas na internet foi realizado pela ArcPlan, utilizando tecnologia do MapServer (Universidade de Minnesota), com acesso nos portais www.sosma.org.br e www.dsr.inpe.br.
Ao final de 2004, as duas organizações iniciaram a atualização dos dados para o período de 2000 a 2005. Esta edição também foi marcada por aprimoramentos metodológicos e novamente foram revistos os critérios de mapeamento, dentre os quais se destaca a adoção do aplicativo ArcGis 9.0, que permitiu a visualização rápida e simplificada do território de cada Estado contido no bioma. Isto facilitou e deu maior segurança nos trabalhos de revisão e de articulação da interpretação entre os limites das cartas topográficas.
A quarta edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica apresentou dados atualizados em 13 Estados abrangidos pelo bioma (PE, AL, SE, BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS). Um relatório mostrou a metodologia e os resultados quantitativos da situação dos remanescentes da Mata Atlântica desses Estados e os desflorestamentos ocorridos no período de 2000-2005. Essa fase manteve a escala 1:50.000, e passou a identificar áreas acima de três hectares e o relatório técnico, bem como as estatísticas e os mapas, imagens, fotos de campo, arquivos em formato vetorial e dados dos remanescentes florestais, por município, Estado, Unidade de Conservação, bacia hidrográfica e corredor de biodiversidade.
Em 2008, foram divulgados os números atualizados a partir de análises da 4ª edição do Atlas, incluindo os Estados de Bahia, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco e Sergipe que, somados ao mapeamento dos Estados de Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, gerados pela ONG Sociedade Nordestina de Ecologia, totalizam 16 dos 17 Estados onde o bioma ocorre, ou 98% de Mata Atlântica.
Em 2009, o Atlas trouxe os números do desmatamento com dados atualizados, até maio de 2009, em 10 Estados abrangidos pelo bioma (BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS). Essa edição apresentou a metodologia e os resultados quantitativos da situação dos remanescentes da Mata Atlântica ocorridos nessas regiões no período de 2005-2008.
Em 2010, a quinta edição do estudo trouxe dados atualizados de 9 Estados abrangidos pelo bioma: GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS. O documento apresentou, sinteticamente, a metodologia atual, os mapas e as estatísticas globais e por Estado. O mapeamento utilizou imagens do satélite Landsat 5 que leva a bordo o sensor Thematic Mapper.
O levantamento de 2011, ano em que a Fundação SOS Mata Atlântica comemorou seu 25º aniversário, foi apresentado o estudo mais abrangente sobre os remanescentes da Mata Atlântica, com a situação de 16 dos 17 Estados, no período de 2008 a 2010.
Em 2012, a sétima edição do estudo trouxe dados atualizados de dez Estados abrangidos pelo bioma: BA, GO, MS, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, RS. O documento apresentou, sinteticamente, a metodologia atual, os mapas e as estatísticas globais, por Estado e municípios.
A versão de 2013 do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica abrangiu todos os 17 Estados (AL, BA, CE, ES, PI, GO, MS, MG, RJ, SP, PB, PE, PR, SC, SE, RN, RS). O Piauí foi incluído pela primeira vez após a realização do trabalho de campo para identificação dos remanescentes florestais e o lançamento da carta 1:1.000.000 de Vegetação da Folha SC.23 – Rio São Francisco.
Volume 36 da Série Levantamento de Recursos Naturais – RADAMBRASIL pelo IBGE, confirmando a ocorrência da Floresta Estacional Decidual. Os dados dos Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, gerados pela Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), anos base 2000 e 2004 e de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, que têm como ano base 2005, foram atualizados para este período, na medida da obtenção das imagens com qualidade e baixa cobertura de nuvens.
A edição do ano passado marcou também a inclusão de novas classes que serão monitoradas pelo Atlas, tais como Campos de Altitude Naturais, Refúgios Vegetacionais, Áreas de Várzea e Dunas, que são formações naturais não florestais mas essenciais para manutenção do ambiente natural e biodiversidade em suas áreas de ocorrência. Os levantamentos estão em curso e um mapa preliminar do Bioma Mata Atlântica já foi elaborado e apresentado nesta edição.


Fonte: * Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A bicicleta do Futuro


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Cada vez mais a alta tecnologia embarca nas bicicletas para torná-las modernas, seguras e inteligentes. Depois da Copenhagen Wheel, a roda elétrica apresentada aqui, no post de 18 de abril passado, surge a VanHawks Valour. À primeira vista parece uma magrela bem elementar. Olhando de perto, entretanto, percebe-se que ela tem uma série de componentes moderníssimos. Tanto que é chamada por seus idealizadores de “bicicleta do futuro”. A começar pela matéria-prima do quadro, do garfo e do guidão. Todos são produzidos com fibra de carbono, que a deixa leve, muito resistente e de fácil dirigibilidade.
O diferencial da VanHawks Valour está mesmo na segurança, por isso ela apropriada para ciclistas urbanos. Além de potentes freios a disco, a maior novidade do modelo são os sensores que funcionam com tecnologia bluetooth.
Dois deles estão instalados nos dois lados do guidão. Assim, quando um carro ou qualquer outro objeto se aproximar à direita ou à esquerda da bicicleta – naqueles pontos cegos para o ciclista –, lâmpadas de LED emitirão um alerta luminoso, junto com uma pequena vibração. É uma boa solução para quem, como nós brasileiros, precisa se locomover com mais segurança em cidades ainda desprovidas de uma grande malha de ciclovias.
Outros sensores estão localizados nos pedais. Eles são responsáveis por monitorar todo o trajeto feito pelo ciclista, por meio de smartphones equipados com sistemas operacionais Android ou iOS. Esse monitoramento inclui tempo do percurso, velocidade, distância, calorias queimadas e informações de otimização de rotas.
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Os desenvolvedores da VanHawks Valour, sediados em Montreal, no Canadá, colocaram seu projeto em um site financiamento coletivo há um ano. Conseguiram a adesão de quase 600 apoiadores e arrecadaram mais de US$ 550 mil para produzir suas bikes, cinco vezes mais do que precisavam. Agora estão aceitando encomendas para modelos com preços que variam entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil. Basta entrar no site e reservar uma, que deve ser entregue a partir de setembro.
Imagens – Divulgação

Fonte: Planeta Sustentvável  -Afonso Capelas Jr.

 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Árvore democrática

Após anos servindo apenas à extração do látex, a seringueira foi descoberta como uma ótima opção para a marcenaria. Com a visão de designers renomados, a madeira entra no mercado cheia de qualidades: é sustentável, resistente e de fino trato


 
Os porta-vozes do Projeto Seringueira (da esq. para a dir.): Fernando Jaeger, Zanini de Zanine, Paulo alves, Jack Fahrer, Sergio Fahrer e andré Cruz.


Uma ideia de vanguarda, quando bem empregada, costuma mover as pessoas e mudar o mundo. Esse parece o caminho do Projeto Seringueira, que apresenta a espécie como matéria-prima estreante na produção de móveis nacional. Fundado por Paulo Alves, os irmãos Sergio e Jack Fahrer, Zanini de Zanine, André Cruz e Fernando Jaeger, grandes nomes do design brasileiro atual, o projeto funciona como vitrine para uma descoberta singular da Madeibor, madeireira de Araçatuba, SP.

Encabeçada por Roberto Genova, falecido em 2013, aos 75 anos, a empreitada consumiu cinco anos de testes e pesquisas até se concretizar. Dotado de um olhar visionário, o engenheiro químico trabalhou durante décadas com extração de látex e, indignado com o descarte desatento dos troncos porosos (normalmente destinados a se tornarem lenha), engajou-se até encontrar um processo de secagem das toras capaz de viabilizar seu emprego na construção, na arquitetura e no mobiliário. "No final do ano passado, a empresa me procurou para mostrar essa espécie incrível e suas possibilidades, pouco conhecidas", conta Paulo Alves.

Ciente do que tinha em mãos, Paulo se animou e convocou colegas para testar as propriedades da seringueira. Logo surgiram seis peças, entre bancos e mesas. "É uma madeira fácil de trabalhar, maleável e, ao mesmo tempo, resistente. Ao natural, tem coloração clara - vai do branco ao rosê -, o que permite o tingimento", explica Sergio Fahrer, um dos embaixadores do design responsável.

Tamanho ineditismo, portanto, surpreende. "A falta de interesse, tecnologia e preocupação sustentável em reutilizá-la atrasou a viabilidade. Além disso, as árvores têm um ciclo de 30 anos voltado para a produção de borracha, e é preciso esperá-lo para o corte", diz Soraia Genova, nora do senhor Roberto e diretora da marca. 

Fonte:Arquitetura & Construção -Victor Affaro